Sobre o “52vezes”

O “52 vezes” foi uma ideia que surgiu depois que a primeira pessoa que eu amei me deixou. Em março de 2014, dia 22, conheci alguém que me faria sentir coisas que eu só tinha visto nos filmes, ouvido nas músicas ou lido nos livros.

Ele esteve do meu lado de março daquele ano até agosto. Não conseguimos passar mais tempo juntos porque ele foi fazer intercâmbio de um ano. Essa informação me atingiu de uma maneira muito intensa porque, quando descobri, eu já tinha desenvolvido por ele sentimentos que nunca havia sentido. Nesses seis meses em que fizemos companhia um para o outro, cheguei à conclusão de que ele tinha sido a primeira pessoa que me fez sentir o que era amor.

Quando ele saiu do Brasil tive a ideia de escrever, semanalmente, algum pensamento em relação ao que eu sentia por ele. O objetivo era colocar no papel pequenas ideias minhas, durante um ano, e entregar este presente para ele assim que voltasse para o país. Escrevi pequenas frases em post-its e colei em cartas de baralho. Um baralho possui 54 cartas, duas delas coringas. Um ano tem 52 semanas. Era simbolismo demais para que eu desperdiçasse essa oportunidade. 52 semanas separando um coringa de outro.

Com o passar do tempo, compreendi que o que eu estava fazendo não era exatamente sobre eu e ele, mas sim sobre mim. Além disso comecei a duvidar se ele entenderia ou aceitaria a carga emocional que eu depositaria naquelas cartas durante um ano inteiro. Decidi então guardar tudo para mim. Durante todo esse tempo — desde que eu o conheci até o dia em que escrevi o último post-it — só um amigo soube da história, e bem mais ou menos. Eu escondi todos os meus sentimentos por esse meu amor dos olhos dos outros. Por mais de 12 meses.

Quando estava prestes a terminar o baralho, percebi que tudo aquilo que eu senti poderia ser relacionável para as pessoas, de alguma maneira. Então decidi chamar 52 pessoas que eu tinha algum grau de afeto para me ajudar a contar minha história. Cada uma recebeu uma carta de baralho e fez algum registro sobre ela. Uma trama de fotos, vídeos, músicas e poemas se desenhou em cima do que eu havia vivido e agora estava atrelado à outras 52 vidas.

Assim como minha vida havia sido afetada por um ser especial, eu afetei a vida de outras 52 pessoas. Depois, deixei que tudo aquilo que recebi dos outros também me afetasse novamente e escrevi 52 textos — ou cartas, como gosto de chamá-los — sobre essa troca de vivência que tinha se estabelecido entre nós. O “52 vezes” é a compilação de tudo isso.

Sem nunca dar o nome do meu primeiro amor para ninguém, ele virou apenas o Menino das Cartas e o “52 vezes” se transformou em uma lição pessoal de como remendar um coração partido. Um projeto sobre as minhas dificuldades de entender e superar a primeira vez que senti o amor. Um projeto de 52 semanas, com colaboração de 52 vidas que permitiram se juntar à minha. Tudo culminando em 52 escritos que deixaram com que eu me conhecesse melhor.

Andei de passo a passo em um caminho buscando superação.
Hora por hora, semana por semana, mês por mês.
Vez por vez. 52 vezes.

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Um projeto de Mauro Sérgio Lima e
Carlos, Luciana, Daniel, Henrique, Julia, Paloma, Leonardo, Marcos, Maria, Alessandra, Pedro, Marcela, Nadine, Juliana, Gabriel, Hennan, Ana, Pedro, Emerson, Maria, Natália, Bárbara, Lizandra, Isadora, Natália, Davidson, João, Nicole, Lila, Joana, Mateus, Lucas, Anderson, Larissa, Alice, Lucas, Celso, Lana, Juarez, Lucas, Maurício, Dayanne, Paulo, Paulo, Gabriela, Ana, Graciele, Jéssica, Luísa, Lígia, Rafael e Isabelle.