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Um dia cansativo de trabalho, eu chegando exausta em casa, imagino uma casa pequena, confortável, de tons cinza e preto. Encostada no balcão, com o salto alto vermelho em uma das mãos, abrindo o vinho e despejando-o em uma taça grande e elegante. Aos pequenos goles de degustação, me pego observando o reflexo do micro-ondas, que releva estrelas e um luar lindo vindo da varanda. Paro para refletir em toda minha independência e solidão. Sigo para o banheiro, onde tomo uma ducha quente ao som de qualquer música melancólica. Ando de roupão pelo minúsculo apartamento de dois quartos sendo um vazio, de um lado ao outro do corredor sigo esperando a ligação dos meus afilhados, do Jonas dizendo que o casamento está indo bem ou da Yasmin Evangelista dizendo que entrou em trabalho de parto. Chegando perto das 21h, vendo stories da Mavic e seus dois filhinhos gêmeos aprendendo a andar de bicicleta, sento no sofá esperando o meu jantar que pedi no ifood, me preparando para acordar no dia seguinte, pronta. Todo o dia na mesma esperança de receber alguma mensagem que me faça sair da rotina, quem sabe a noticia de que outro amigo meu vai casar, ou de que, os que casaram vão ganhar agora mais um membro. Por fim, esperara o dia amanhecer sem dor de cabeça pois pelo quinto dia consecutivo, terei ressaca.
O dia seguinte, o famigerado mês de outubro, guardo sonhos embutidos numa vida solitária, num vênus em virgem em alta, uma capricorniana solitária com uns toques escorpianos de safadeza, ousaria e uns pitacos de mistério. Uma loba solitária que a essa altura já é uma alcateia, a própria alcateia, como sugeria aos 19 e a própria utopia, como dizia aos 20. Por fim o telefonema, agora, foi Carlyta casou, e adivinha só quem vai ser a madrinha? abro o guada roupa que fiz sob medida, tiro o vestido empoeirado vinho e dou um sorriso no canto, o vestido sempre lindo, nunca me decepcionou, ao contrário dos homens.