Abracadabra

Beatriz
Beatriz
Nov 7 · 2 min read

Subi as escadas um pouco apressada — quase caí por sinal — tentava correr atrás de Yasmin que andava rápido em direção ao auditório da associação comercial. Até que cai de mim e percebi que não precisava correr, pois já andei muito por ali e sei que não tem outro jeito de sair a não ser que seja por onde entrou, uma hora eu iria esbarrar com ela. Na porta do elevador de relance vi o Romeu , Chega parei, pensei, e respirei. Dei meia volta, o cinismo bateu e ficou, mas sabia que essa fuga não iria durar muito, afinal, infelizmente ainda sou a Beatriz, e no mundo ovo de Beatriz as pessoas sempre esbarram em mim. Tentei me recompor, avisar para Yasmin que eu estava sob o efeito de adrenalina. Antes que eu pudesse descrever o que eu sentira, senti um toque no meu ombro. Tentei agir naturalmente, como se eu não tivesse visto ele antes, ou como se eu tivesse deixado tudo pra la. Para minha sorte, era ele, tudo saiu no mais perfeito controle, a descontração, meu jeito de ser e aquela piada “Não sabia que você estava aqui em Maceió Romeu”, a loucura e por fim a simpatia . Depois que ele saiu, tentei explicar tudo o que eu senti por ele, mas nada fez o mínimo sentido — para variar — deixei pra lá a tentativa frustrada de alguém entender as coisas que sinto pelas pessoas erradas. O reflexo do sol na janela do auditório queimava a minha testa, e aquele garoto , ficando minúsculo a cada passo, queimava o que sobrou do meu coração. Desci as escadarias sem pressa, o que poderia ser pior do que perceber que ele só me enxergava como uma amiga? Nada parece tão ruim quanto as crônicas sobre os meus amores.

    Beatriz

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    Beatriz

    Contos e crônicas duma estudante de Jornalismo, protagonista de uma peça de comédia, cinismo e tragédia.