Escorada na árvore, na esquina do muro branco… Depois da terapia lá estava ela, criando coragem de bater na porta. — eu teria tanta coisa para dizer aquela garotinha, mas sei que de nada adianta, ela nunca ia me entender. Não iria dar ouvidos a mim, locutora misteriosa, sei que habita uma personalidade teimosa que jamais vai acreditar que o amor da vida dela é um panaca. Porém não custa nada tentar dizer algo né?? , então… Queridinha, homens são babacas — quer saber?! Ela precisa bater naquela porta de uma vez por todas para entender que homem não presta — mas ouça bem o que eu digo, homem não presta.Você vai amar outras pessoas — entendeu? — E lá vai ela bater na porta. — abra o seu melhor sorriso e seja você mesmo, abrace aquelas pessoinhas que vão te receber e tenha a inocência esperança que vai ficar tudo bem. Mas não se esqueça da mulherão que te esperará depois que você sair dessa casa com piscina e churrasqueira, não se esqueça das coisas boas que estão por vir, não desista no primeiro babaca que aparecer depois dai, nem dos outros vários que aparecerão com nome bíblico, não diga que seu sonho é ser historiadora, colecionadora de histórias românticas com finais felizes.
Depois que ela bateu na porta ela nunca mais foi a mesma. Ela tinha que enfrentar toda a verdade da vida. Eu poderia ter impedindo-a de fazer aquilo, salvá-la de toda a angustia. Contudo, se ela não tivesse batido na porta ou tocado a campainha, eu não estaria aqui, escrevendo sobre isso, e nem ela teria aprendido o que era amor. Nesse texto estou eu, tentando evitar o que já era destino. Ela poderia bater naquela porta, ou em qualquer outra, uma hora ela iria abrir o sorriso quebrado e entender que homens não prestam. Não sei se foi naquele toc-toc ou no próprio amor que habitava seu coração que a faz estar onde está.E por um acaso se eu tivesse segurado sua mão bem forte, ela estaria agora morando em outro lugar, a morada a qual ela nunca seria feliz, uma inquilina solitária. O amor da vida dela sempre foi e sempre será a garota escorada na árvore, a garota que bate na porta ou até mesmo a garota que está escrevendo isso. Ela bateu na porta para dar início a sua nova moradia: ela mesma.
