Mulheres (In)Visíveis, um projeto criado a mais de 100 mãos

Somos uma rede e acreditamos que co-criar é muito mais divertido e efetivo do que criarmos sozinhas. Por isso, ao pensar na segunda edição do nosso projeto do coração — Mulheres (In)visíveis — o primeiro banco de imagens das mulheres que a publicidade brasileira não mostra, quisemos ter o máximo de pessoas com a gente no processo.

De que outra forma poderíamos criar imagens de mulheres com deficiência, acima de 45 anos e lésbicas, se não trazendo essas pessoas para o processo criativo? Se não fossem elas contando suas próprias histórias, cairíamos no olhar estrangeiro, que tem no outro um objeto para ser retratado mas não consegue vê-lo como sujeito.

Começamos, como sempre fazemos, com uma pesquisa. Mais de 100 mulheres acima de 45, com deficiência e lésbicas responderam como gostariam de ser retratadas. Algumas respostas:

“Eu gostaria de trazer a imagem da mulher com deficiência para a normalidade, que ela não fosse vista como uma super heroína e nem como uma coitadinha. Que ela estivesse inserida na sociedade na figura de uma estudante, mãe ou qualquer profissional que estivesse consumindo e vivendo sua vida normal com a sua deficiência.”
“Como todas. Gostaria de que fosse mostrada a diversidade. Mulheres de muitos tipos pq não vamos ficando homogênea depois dos 50. Somos as mesmas (diversas) mulheres dos 10/20/30 anos. Cada uma com um tipo. Gente não tem data de validade , se vc é inteligente/timida/ousada/caseira/sexy/careta/bipolar … não vai acordar no dia dos seus 50 anos diferente!”
“Sem estereótipos, porque existem vários perfis de mulheres lésbicas, não podemos criar um padrão de que mulher lésbica tem um estilo de roupa, um estilo de cabelo ou estilo de esporte. Existem todas e quem ama outra mulher não precisa mudar sua aparência para se encaixar num padrão muitas vezes masculino (o que não impede a mulher de expressar seu lado masculino, só não é o único). Temos que misturar cores, idades, corpos, cabelos, estilos, etc. O desejo e o amor está dentro de cada um. Precisamos mostrar afeto, carinho, cuidado, vida saudável, ética, desejo, beijos, e gestos que mostram o comportamento humano do amor entre duas mulheres. Tomar cuidado para não romantizar tbm, parecendo que são duas amigas. Entre nós existe troca de olhares de desejo, tesão, pegação e tudo mais que outros casais vivem.”

Em seguida, trouxemos para a conversa duas experts: Cléa Klouri, da consultoria Hype 60+, que trabalha com comunicação com pessoas idosas, e Fatine Oliveira, designer mineira que escreve no blog Desbuga sobre representatividade e acessibilidade para pessoas com deficiência. Da Adobe, patrocinadora desta edição, tivemos a orientação sobre como fazer fotos que performam bem nos bancos de imagens.

“É preciso tomar cuidado com o padrão dentro do não-padrão, ou seja: ao retratar pessoas com deficiência, que não sejam apenas aquelas cujos corpos estão dentro do padrão de beleza. É preciso mostrar a amputada, a que tem encurtamentos severos nos membros, gordura ou magreza…” Fatine Oliveira
“Entre a Palmirinha e a Madonna, precisamos retratar outras possibilidades de envelhecer.” Cléa Klouri

Com base nesses pedidos de um retrato livre de estereótipos, que mostre as diversidade destas mulheres não apenas nos aspectos físicos, mas em suas personalidades e estilos de vida, entraram em ação as produtoras Suyane Inaiá, Catarina Martins e Lídia Thaís, do coletivo Catsu Street. Para a fotógrafa Helen Salomão ficou a missão de fazer retratos que fossem fiéis às personalidades das nossas modelos que, desta forma, também puderam participar do processo criativo.

O resultado deste mega trabalho de co-criação em rede você pode conferir aqui.