Organizações Sociais

O negócio é pensar sempre nas fronteiras. Nunca fiquei a vontade olhando pra como as práticas são no presente, qual é o estado da arte. Eu sempre fiquei de olho em como as coisas vão ser, em tudo que a gente vai precisar remar pra conseguir chegar até onde a gente pode chegar. Qual é o próximo pulo?

E esse é o maior aprendizado que as organizações sociais tem pra ciência das Relações Públicas. É aqui que a gente testa os limites. Vê, são organizações sociais. São construções que derivam da vontade de um grupo de pessoas que reconhece em seus relacionamentos, a força para mudar uma situação no ambiente. Vem do nascimento das organizações sociais os principais conceitos que hoje são trabalhados pelas empresas ou pelo governo. Valor compartilhado, produção de conteúdo, engajamento são palavras do dia a dia de qualquer ONG, fazem parte do seu propósito e estão intimamente ligadas ao seu negócio e a sua missão. As organizações sociais, dessa forma, acabam sendo o melhor ambiente para qualquer profissional de relações públicas testar seus limites e provocar a maior transformação possível no mundo através do seu conhecimento.

É o caso, por exemplo, do trabalho realizado em Minas Gerais por um cara chamado Márcio Simeone Henriques. Se tu ainda não conhece o trabalho dele, corre pra conhecer que ele é genial. É discípulo de outro gênio na área, chamado Bernardo Toro. Mas vê lá: o Márcio aplicou o que ele chama de estratégias de mobilização social. É uma receita de bolo. Primeiro, a organização social começa com a definição do imaginário, que é a grande causa que será trabalhada. Depois disso, passa pela identificação, mobilização e instrumentalização dos reeditores, que são os caras que irão replicar as mensagens da organização social. Após, se dá suporte ao processo de coletivização, quando a sociedade se apropria do conteúdo, que deixa de ser restrito aos reeditores. Um passo a passo simples, que muita empresa começa a se dar conta da importância, mas que começou a ser testado e implementado através de organizações sociais orientadas ao combate do analfabetismo. Uma história linda!

E isso não é só impressão minha. Olha o vencedor de Cannes Lions em 2015, na categoria RP. Quem não imaginou aquela ação vinda de uma ONG que defende igualdade de gênero? Ou o do ano passado? A ação poderia ter muito bem vinda de alguma organização social que defenda o uso de orgânicos, levando o nome “cultivate a better world”. Um imaginário sensacional de tão lindo!

Dessa forma, o que eu sugiro é: dedica uns 3 ou 4 anos da tua vida para trabalhar em organizações sociais. O salário é ruim, as condições de trabalho não são as melhores. A dedicação necessária é inversamente proporcional aos recursos disponíves. Mesmo assim, a visão de mundo e a experiência em mobilizar, engajar pessoas e treinar tuas habilidades para produzir conteúdos que estimulem as pessoas a fazerem a diferença vão te colocar em uma posição muito especial no teu desenvolvimento de carreira. Vale a pena. Isso se tu não te apaixonar perdidamente pelo tipo de trabalho e nunca mais sair dele, como acontece comigo há 10 anos.

Referências:

Case Study — Chipotle “The Scarecrow” — https://www.youtube.com/watch?v=1YyKACxWvcw

To do something like a girl — https://www.youtube.com/watch?v=XjJQBjWYDTs

Comunicação, comunidade e os desafios da mobilização social — http://www.unifra.br/professores/rosana/marcio_henriques.pdf

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.