Quer quanto por ela?

Aí na saída do Praia de Belas, raspo o fundo do bolso e conto as moedas: vai dar pra pegar uma lotação. Faço sinal e entro. O ritual é podcast (Serial) e uma olhada nos emails, que logo se encerra. Me perco um pouco pela janela. Na subida da Borges, do banco que fica no outro lado do corredor, um cara me mostra uma sacola. Abre e tira UMA ARMA de dentro. Revolver pequeno. Bonitinho. E me olha com cara de bandido. Entendi. Ok, vamos lá. Mais um. Me escoro no braço da cadeira, me inclino em direção a ele e falo: “Bonitinha, ein? Quer quanto por ela?”. O ladrão estranha. Gira pra me mostrar o outro lado, se exibindo. “Bah, bem bonita. Bota preço, quero pra mim!”. Ele titubeia, talvez seja de estimação. Olho no olho dele. Ele cede, começou a negociar. R$ 800,00 é o primeiro preço. “Pago R$ 600,00 mas não tenho aqui. Vem comigo no banco.” Ele pensa, mas logo se desfaz da ideia de me vender e volta firme ao plano de me assaltar.

Babaca. Perdeu de fazer negócio.

Sem grana na carteira, com o celular bloqueado, premido pelo tempo perdido na conversa, sobra a aliança. “Me dá o anel”. Choramingo juras de amor e como o anel é importante pra mim. Ele já sentado do meu lado aperta a arma na minha barriga. Perdi. Entrego triste. Sob ordens, baixo a cabeça. Ele sai da lotação carregando consigo minha aliança. E aquela bonito revolver.

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