Ao lume que incide da Estrela primordial
- Seja magnitude de Sol, até luminescência em néon -
Reflete a Luz na matéria para então fazê-la sentido.

Não vedes o mundo
Como este deve ser
Mas vedes o mundo
Como este se faz sentir.

Ao toque o tato sente o áspero e o macio
Pois — áspero ou macio — assim se faz a matéria.
Ao sabor o paladar define o doce e o amargo
Pois assim — amargo ou doce –, assim se faz a matéria.

E desta forma as sensações,
Sem carecer de quem as perceba,
Mantém-se por si só,
Latentes na matéria.
Quando despertas, transmitem-se
Diretamente aos sentidos,
Sem elos ou intermédios.
Uma ou outra criptografia.

Porém à visão não chega o objeto.
Apenas o lume que deste reflete.
Ao ver não se percebe a coisa em si
Apenas se serve de um golpe de luz.

A imagem que agora lhe toca as retinas
Não é parte daquilo que julgas mirar.
Cor é a luz que escapa da rosa
Brilho é luz que a estrela derrama.

Mas apaga-se a Estrela e o brilho fenece,
A Luz se dissipa e a Rosa — que Rosa?-
O espinho ’inda fere o tato às cegas,
O aroma sacia o olfato faminto,
Mas se os olhos se privam, matéria perece.

Like what you read? Give Marcelo Oliveira Ribeiro a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.