Desconstruindo a tradicional aula de piano

O ensino de piano na maioria dos conservatórios e escolas de música do Braisl, segue um antigo modelo europeu focado em leitura, técnica e performance (dirigida a música de concerto especificamente). No entanto, como podemos quebrar esses paradigmas que já foram apontados por especialistas da área de forma mais efetivia?

No início da minha vida profissional, época onde o meu próprio cabedal de conhecimentos estava em construção, as amarras da tradição ressoavam fortemente na minha prática, sem qualquer ponto de reflexão: eu apenas fazia porque os mestres faziam, os livros diziam e principalmente, porque eu havia sido “treinada” daquela forma. Comecei a trabalhar como professora particular de piano e comecei a perceber que as expectativas dos alunos declinavam vertiginosamente quando intensificavam as aulas. Na minha ignorância, achava que os alunos é que estavam errados por não conseguir acompanhar uma metodologia tão respeitável e eficaz. Comecei olhar para os lados e comecei a perguntar para os alunos sobre o que eles ouviam, quais eram as suas preferências musicais e a partir daí comecei a trazer essas músicas para aulas de piano.

Muito dessas músicas trazidas por eles, são díficieis ou pouco compatíveis com o nível de adiantamento do aluno e para tal, desenvolvi uma espécie de partitura alternativa, utilizando números e símbolos que representassem notas musicais. Minha primeira partitura alternativa foi a música “Bad Romance” da Lady Gaga, excelente para trabalhar anacruse, abertura de mão e outras coisas. O ato de conectar os interesses dos alunos com o ensino é essencial para qualquer tarefa didática. Ter um propósito, um objetivo é fio condutor para a construção de qualquer tipo de conhecimento, seja aprender a dirigir um automóvel, tocar um instrumento, aprender um fórmula matemática ou uma receita para o almoço.

Depois do meu grande insight comecei a criar várias dessas partituras, tanto alternativas como convencionais e a minha relação com o ensino mudou bastante. Primeiro porque consegui me desapegar desses dogmas da academia que o aluno de piano tem que tocar música de concerto para ser um bom pianista. Tem que tocar escala, arpejo e toda aquela lista de conteúdos que os concervatórios de música se debatem em defender. Onde está a música? Não é possível trabalhar esses aspectos musicais em outros repertórios?

Infelizmente, a tradição européia é forte no ensino de piano, em parte porque a academia preconiza isso. A formação desses docentes é focada neste repertório e muitas vezes eles não tem acesso ao que acontence no mundo lá fora. A notícia boa é que cursos de música popular e currículos diferenciados estão sendo criados, o que nos conduz a novas fomações com outras perspectivas. Enquanto isso, vamos aqui pensando em como diminuir essas barreiras e fazer com que as pessoas persistam seus esforços em estudar seu instrumento e que nós professores aproximemos os alunos ao universo da música, sem que percam seus encantamentos.

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