Porta retrato vazio

Diogo Brandão
Aug 31, 2018 · 2 min read

Em cima da cômoda, no hack da sala e em qualquer lugar da casa que eu ouse entrar. Lá estará um porta retrato, cheio de lembranças mas agora meio vazio de significado.

Os detalhes ficaram maiores e por meio da dúvida vou alimentando minha desordem, irracional para alguns, inconsciente para muitos e para mim dói profundo. O âmago das lembranças que ficaram, me remetem à um passado não tão distante e ainda muito lembrado.

Revisitar memórias é como voltar a lugares reais mas que agora se tornaram fictícios, pois mesmo que o retrato esteja materializando o fato, não cabe mais olhá-lo e querer voltar à tudo aquilo.

Quem vive de intensidade, pode tentar disfarçar de todo jeito mas não esconde que no peito, a saudade lembra, o nome e sobrenome por inteiro. Talvez agora, o vazio te preencha enquanto te devora, das páginas viradas traz só as lembranças boas.

Por aqui ainda ficamos, mesmo que a vida esteja desmontada, vamos encontrar todas as peças e remontar esse quebra-cabeça, antes que dê enxaqueca — uma forma culta de dizer que dói a cuca. E quem sabe o coração entenda e obedeça.

E como se não bastasse a saudade sendo covarde, ainda há aqueles que me perguntam: “Fulano, e os planos para o futuro!?” e eu respondo ríspido: “O que sobrou agora, depois que ela acabou comigo?”


Se gostou do que leu bata muitas palmas para que outras pessoas também possam ler e deixe seu comentário que vou adorar responder.

Tem mais dois textos bons para serem lidos:

Balde de tinta fria

Poeta das memórias indeléveis

Diogo Brandão

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Por amor as causas perdidas. Autor do Caderno de Assuntos

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