Review do Tozinho #2 — Holocausto Canibal (1980)

1980 / Itália / 95 min / Direção: Ruggero Deodato / Roteiro: Gianfranco Clerici / Produção: Franco Di Nunzio, Franco Palaggi / Elenco: Robert Kerman, Francesca Ciardi, Perry Pirkanen, Luca Barbareschi, Gabriel Yorke

Em 1980, Ruggero Deodato revolucionava o cinema. Sabe essa febre de filmes de found footage que vemos hoje em dia a rodo? Que Já tem até exemplo produzido no Brasil? Foi Deodato o percursor. Pois é, antes de A Bruxa de Blair virar um fenômeno cinematográfico e de marketing,Cannibal Holocaust já trazia esse conceito de exibir cenas gravadas como se fossem filmagens reais. E A Bruxa de Blair é filme de escoteiro perto desse daqui.

Cannibal chocou tanto o mundo e de maneira tão transgressora que o diretor acabou sendo preso, dez dias depois do lançamento nos cinemas e todas as fitas foram apreendidas, sob a acusação de que estava sendo exibindo um snuff movie, aqueles filmes, meio lendas urbanas, onde as pessoas são mortas de verdade em cena. Isso por dois motivos: o primeiro é que Deodato proibiu todos os atores do filme de fazer qualquer campanha de promoção do filme. Não apareceram em TV, nada. A segunda é porque as filmagens são extremamente reais, os efeitos visuais são fantásticos, obtidos através da magnífica maquiagem de Massimo Giustini e realmente parece que a galera está sendo trucidada em cena, tamanho o realismo.

Conclusão: Deodato só conseguiu sair do xilindró depois que apresentou os atores vivinhos da silva no tribunal e jurou de pé junto que não matou ninguém. Ninguém humano, para bem dizer. Porque o diretor promove uma verdadeira chacina explícita contra vários animaizinhos da selva: quatis, antas, ratazanas e uma tartaruga gigante de água doce, que é aberta e dissecada em pleno close, na cena mais nojenta já vista no cinema. Sério. Depois Deodato se arrependeu dessa barbaridade, mas também conseguiu escapar de uma multa pesada após alegar que os animais eram servidos de comida para a produção e os índios das tribos que participaram do longa. E só em 1983 ele conseguiu na justiça o direito de exibir o filme novamente. Não preciso nem falar que foi proibido em diversos países. Foram 33 para ser mais preciso.

Um grupo de documentaristas, ao melhor estilo National Geographic, só que mega sensacionalistas, resolve viajar até a floresta Amazônica para encontrar uma tribo de canibais perdida do resto da civilização e fazer seu filme. Eles desaparecem e a Universidade de Nova York e uma rede de televisão financiam uma busca, liderada pelo antropólogo, Prof. Harold Monroe. Ao chegar lá, descobrem que a equipe tinha realmente encontrado essa tribo canibal e que foram o prato principal deles. O Prof. Monroe consegue recuperar as gravações e a todo custo, os executivos do canal querem exibi-las. Até realmente verem seu conteúdo inteiro e descobrirem porque os documentaristas foram devorados.

No tradicional choque de cultura entre homem branco e os nativos, os americanos alopram os índios de todas as formas possíveis e imagináveis. Primeiro eles acabam com o acampamento onde eles vivem, enfiando todos os locais em uma única oca e metendo fogo, gratuitamente, matando vários deles carbonizados. Depois eles transam na frente de vários outros índios pequenos que assistem a cena. Depois fazem um rodízio para estuprar uma nativa. E atiram nos coitados. E os humilham. E por aí vai. “Sobrevivência do mais forte˜, um deles dispara. Mas as coisas não iam ficar baratas. Eles são impiedosamente caçados, e violentamente assassinados. A única mulher do time é a que tem a pior morte. Ela é estuprada por vários selvagens, depois é linchada pelas mulheres da aldeia e depois desmembrada, com seus braços e pernas arrancados, sobrando só o tronco, até ser destroçada e comida ali mesmo pelos canibais. E lembrem-se, não estamos falando aqui de zumbis… E sim de pessoas que comem carne humana. Vai vendo…

E no meio de toda carnificina desmedida, há uma puta crítica social oculta por trás do filme. Que os americanos se acham os donos do mundo, superiores e que tem o completo direito de fazer o que quiserem com outras culturas ou povos que consideram inferiores. Tanto que depois de tanta barbaridade, a primeira reação no final do filme é choque, claro, mas a segunda com certeza é não sentir nem um pingo de dó daqueles infelizes mortos de forma tão bruta.

A trila sonora de Riz Ortolani é um capítulo a parte. O filme começa com um take aéreo da floresta Amazônica e seus rios, enquanto uma doce música lenta e melodiosa, típica dos anos 70, vai sendo tocada ao fundo. Você nem faz ideia do que está por vir. E essa mesma música é usada em várias cenas, inclusive de canibalismo e desmembramento. Vai entender. Isso além de outras músicas com batidas e efeitos sonoros de sintetizadores, toques minimalistas que vão crescendo e tornando-a cada vez mais tensos, e que quando essa música começa a tocar, você pode prever que vai dar merda.

Se você ainda não assistiu essa preciosidade do mau gosto, não pode dizer que é fã de filmes de terror! Quando eu assisti, era um parto pra baixar na Internet. Vamos lembrar que era começo dos anos 2000 e sua única saída era o E-Donkey da vida, e acho que eu deveria ter um Speedy com a conexão de 512kbps (não sei como vivia com essa velocidade na época). Levou semanas para completar o download. Hoje em dia você consegue baixar Cannibal Holocaust fácil, fácil, incluisve por aqui no blog, e já foi até lançado em DVD no Brasil, coisa que não havia também naquela época.

Download: Torrent + legenda : http://www.4shared.com/rar/vHu39tf9ce/CH_online.html

Show your support

Clapping shows how much you appreciated A Igreja de Mussu’s story.