Review do Tozinho #8 — É Treta

Seleção Brasileira de 1994

Carlos Alberto Parreira assumiu a Seleção Brasileira pela segunda vez em 1991 no pior momento possível: após uma atuação fraca do time de Lazaroni na Copa do Mundo da Itália (1990) e o fracasso de Paulo Roberto Falcão. A missão do treinador era formar uma base para a Copa do Mundo de 1994 e, claro, classificar a Seleção Brasileira para o mundial.

A primeira atitude de Parreira foi encontrar um líder para o time. Dunga, o jovem que se tornou símbolo da geração derrotada dos anos 80, foi o escolhido. O volante tinha duas características essenciais para os times de Parreira: liderança e passe preciso. Sendo assim, logo assumiu a braçadeira de capitão e não perdeu mais o lugar.

Com Dunga como xerife do meio de campo, Parreira iniciou a base do grupo com referência nos jogadores que passaram pelas mãos de Lazaroni, como Branco e Taffarel. O resto do time foi formado com jovens que mesclavam o bom momento da idade com o reconhecimento nos clubes, como Zinho, Jorginho e Marcio Santos. O que todos tinham em comum? O bom passe.

A Seleção Brasileira de Parreira era uma seleção de toque de bola. Tanto que alguns jogadores ficaram marcados por essa característica. É o caso do Zinho, até hoje lembrado como enceradeira. Era Zinho o responsável por fazer o jogo girar. O polivalente Mazinho, sempre com o excelente apoio de Jorginho na direita, era o outro homem que fazia a bola chegar redonda ao ataque. Ganhou o lugar de Raí durante a Copa do Mundo principalmente pelo poder defensivo e velocidade na saída em contra ataque.

Esse time formado por Parreira, com o acréscimo da fase e entrosamento da dupla Bebeto e Romário, tinha entre as suas principais virtudes a paciência. A bola rodava o campo durante boa parte do jogo, deixando a partida até mesmo sonolenta. Mas sempre com segurança. O único jogo da Copa do Mundo de 1994 que o Brasil correu riscos foi o das quarta-de-final contra a Holanda. No outros, sempre estivemos mais próximos da vitória que de uma eliminação.

Parreira utilizou em 1994 um formato clássico de 4–4–2. A diferença esteve em três pontos chaves:

  • as peças qualificadas e bem escolhidas,
  • o preparo físico que fez o Brasil sufocar a Itália na prorrogação da final
  • o esquema paciente de jogo.

Não houve arte ou show. Mas sobrou disciplina tática e calma para saber a hora de atacar.

E como atacar.