Domingo de manhã, ele com uma dor de cabeça inexplicável. Mas, sinceramente, havia meses, deveria ter superado. Psicológico. Psicológico tão fraco que criava dores de cabeça fantasmas.

Ouviu gritos de sua mãe e de sua irmã, exclamando raiva e incômodo. Ativou sua máquina de pensar e, em dez minutos, metralhava ideias e pensamentos desgostosos. Atingia a si mesmo com um fuzil várias e várias vezes em seu consciente, observava os pedaços de carne voando e seu sangue escorrendo e sorria. Sua mãe retribuiu o sorriso, perguntou se havia acordado de bom humor. Decerto! Cada tiro atiçava sua dor.

Olhou pela janela e o sol causou ânsias graves. Não gostaria de ser um ser fotossintetizante, a luz o cegava. Preferia o escuro de suas pálpebras cerradas enquanto pensava. E lá a dor de cabeça.

Pensava, e pensava. Almoço na mesa, filho, vem comer com a gente, pelo amor de Deus. Você só come merda. Entendo por que anda doente, agora. Não come nada decente. Parece que não liga pra própria saúde. Bom, quem se ferra é só você. Quando tinha onze anos devorava meu almoço. E bate a porta novamente, estressada com sua indiferença.

E riu novamente: gostaria de ser suficientemente forte para aguentar alguns dias sem comer. A dor seria tão intensa, completamente entorpecente, um combustível inexplicável àquela nas têmporas. Porém, havia certa entorpecência no ato de comer… Uma fuga momentânea, embebida nos sabores indescritíveis que poderiam ser propiciados. Porém, era combustível à vida. Comida-sol.

Dormira o dia todo? Como é possível alguém ter tanto sono? Caralho, que puta dor de cabeça. Gostaria que alguém puxasse uma furadeira e a penetrasse em seu crânio. Todo aquele sangue coagulado fluiria e a dor passaria. Toda! Toda a dor.

Mas logo batiam em sua porta novamente, era incessante. Estavam completamente ensandecidos com aquela rotina. É sai da cama, sai dessa cama, vá estudar, se importe com algo. Como se importar com algo? Como fugir de si mesmo? Não dói fugir, mas parece impossível sob aquelas circunstâncias, sem entorpecentes químicos, sem solidão. Doer, dói sempre. Mas quando estava dormindo…

Naquela noite entraram em seu quarto enquanto dormia e fincaram a famigerada adaga em seu peito, e observou o sangue escarlate fluir. Que tesão! Continua! Continua! E se contorcia do prazer advindo daquela dor. Por favor, enfia de novo. O fez gozar.

Acordou, então, sujo de sêmen velho e nada entorpecido. Na verdade, choque de realidade. E aquela puta dor de cabeça! Precisava de uma cartela de aspirina.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.