Tchau, Dublin! De volta pra casa…

Ainda lembro quando o casal da agência de intercâmbio que havia me buscado no aeroporto me deixou no quarto do hostel, 24 pessoas no quarto. Eu, completamente sozinho, com 23 colegas de quarto, confidenciei a mim mesmo, baixinho: Que merda que eu to fazendo aqui?
Felizmente o desespero foi curto e equivocado, deu tudo certo: o hostel, a casa depois do hostel, o intercâmbio, as viagens, os roles, trabalho, inglês, enfim, tudo. Errei com um punhado de coisas, claro, afinal foi a primeira vez minha fora do país, fora de casa, a primeira vez andando de avião para se ter uma ideia, mas posso dizer que aprendi muito com esses erros. E com os acertos aprendi também, e mais ainda com as pessoas que convivi, sejam elas Irish, brasileiros ou de qualquer lugar do mundo. De fato, nunca aprendi tanto na minha vida: Sobre línguas, lugares, pessoas e sobre mim mesmo. Jornada de um ano que valeu uns 10 que eu gastaria na minha good old life.
Agora indo embora, olho tudo com os binóculos da nostalgia, já com saudade dos parques com grama verdinha até o céu cinza, dos artistas da Grafton até o tiozinho que dava comida aos pombos no Stephen’s Green, que eu gostava tanto de odiar. Dos flatmates não preciso nem falar. Para mim, que nunca havia morado longe de casa, foi incrível morar com completos desconhecidos que com semanas viraram parte da família, e agora, depois de um ano, voltar pro Brasil é como sair de casa novamente, deixando uma família aqui em Dublin. Compartilhei tantos momentos bons e outros confusos (não sei se foi o rash) com essa galera, que parece que os conheço desde sempre.
No fim, é duro voltar, mas é preciso. Ficarão, com certeza, os momentos dessa aventura na memória, os dias de luta, os de glória, de preguiça, de ressaca e todos os outros. O que não faltam são histórias pra contar. Como um baiano gente fina que conheci disse aqui, mais ou menos: “Esse dinheiro que ganho não é pra comprar roupa, não é pra comprar luxo. É pra comprar momentos.” E esse momento de um ano que comprei aqui em Dublin, meu amigo, não tem preço.

Valeu, Irlanda!!! Até outro dia.