Quais as Diferenças de Joesley Batista Para Um Político?

As únicas diferenças que Joesley Batista possui de um político corrupto, são: ele não estar dentro de uma organização que possui o monopólio do crime e ser um empresário corporativista.

Joesley utilizou a organização estatal — ou melhor e mais especificamente: seus queridos companheiros políticos, como seu grande amigo Michel Temer — para fazer sua empresa crescer de forma ilícita. O empresário ajudou políticos a ganhar poder e dinheiro, financiando campanhas e contribuindo para eleição e a reeleição deles e mantendo e dando, consequentemente é indiretamente, cargos públicos para eles, auxiliando financeiramente um (milhão ou mais) ali, dois acolá, distribuindo dinheiro como se fosse bala em Dia de São Cosme e Damião para as crianças de Brasília, e fortalecendo os laços destes acordos que serviam apenas como trocas de favores: eu te ajudo com a campanha aqui e você prejudica aquela outra empresa para mim; você facilita os empréstimos do BNDES para mim e eu pago alguns partidos para eles te apoiarem e você ganhar notoriedade e poder lá dentro (de Brasília); você barra essas investigações da Lava-Jato que vão me prejudicar e eu dou uma mesada para o seu parceiro que está preso, fazendo ele ficar calado e feliz.

O objetivo de Joesley — diferentemente de um empreendedor honesto (que ironicamente é punido por sua honestidade) — era utilizar o estado para tomar conta de todo o mercado, impedir que outros concorrentes entrassem nele, era o de expandir seus negócios, enriquecer e ganhar poder de forma desonesta. Já o objetivo dos políticos que criavam alianças, algumas até de risco, com Joesley, era e ainda é utilizar o estado para benefício próprio, ter o controle de tudo e de todos — inclusive de Joesley e outros empresários que tinham e têm as mesmas ambições que o atual protagonista corporativo brasileiro —, além, claro, de enriquecer, permanecer no poder e não ser preso.

Nestes esquemas de favores fraudulentos, dinheiro seu, meu e de todos — retirados via força — foram parar nos bolsos de todos os envolvidos. Em nenhum momento eles se preocuparam com você e em sua segurança, saúde, educação e família; eles apenas querem que você trabalhe a vida toda — e cinco meses ao ano — para manter os benefícios das divindades de terno e gravata e seus comparsas; a prioridade não é — e nunca será — você.

A maneira pela qual muitos vêm tratando Joesley, tanto a Procuradoria Geral da República e a mídia, deixando um pouco de fora dos holofotes suas perversidades morais e inconstitucionais, alisando sua cabeça e o tratando como um querido empresário vítima dos políticos malvados, me intriga.

Como coloquei no primeiro parágrafo do texto, a diferença de alguém como Joesley Batista, um bandido corporativista, e um político, homem público e bandido por natureza, é só o fato de um atuar dentro da organização que mantém o monopólio do crime e tudo pode e tudo faz e o outro utilizar esta mesma organização para ganhar poder. Portanto, não deixe-se enganar, se fosse capaz, este empresário estaria agindo igualmente ao mais corrupto dos políticos, idêntico ao chefe, subchefes, supervisores e todos os agentes da ocrim tupiniquim.