A nossa experiência com Lean UX

O que é, como usamos e por que Lean UX pode ser bom para seu time


Alô, UX designers! Alô, desenvolvedores! O futuro ainda não chegou, mas o presente está aqui, te chamando pelo nome, mais do que pronto para te surpreender. É hora de derrubar as paredes das baias imaginárias que separam as duas expertises e entender, de uma vez por todas, que desenvolvimento e design devem andar juntos e, se possível, de mãos dadas. Os projetos agradecem.

A solução para isso já existe há algum tempo e é chamada de Lean UX. Para quem conhece Agile UX ou estudou as metodologias ágeis aplicadas ao desenvolvimento de software, o conceito não é uma grande novidade.

Mas, para quem não manja nada disso, ou conhece mais ou menos, ou ainda para quem já domina o assunto, mas sempre acha que tem algo a aprender, este texto será um espaço para trocarmos ideia sobre a metodologia. Oferecidos que somos, emprestamos parte da nossa rotina de cobaia, para que você tenha um exemplo próximo de como o Lean UX pode ser aplicado.

O UX da questão

Em linhas gerais, Lean UX é uma forma de trazer de volta a essência do nosso trabalho ao foco original, de onde ele nunca deveria ter saído: a experiência real do usuário.

E como é que ele faz isso? Dando menos ênfase aos entregáveis, às grandes conclusões “empacotadas” e à lógica “linha de produção”, que, ao que parece, ainda é predominante nas agências e departamentos de marketing.

A regra básica dos processos do Lean UX é: menos atenção aos entregáveis e mais foco na experiência projetada.

A quantidade de entregáveis (Sitemap, Fluxograma, Wireframes) independe. O principal objetivo prático é disponibilizar, o quanto antes, para o usuário uma versão minimamente viável do produto em desenvolvimento, para que ele seja testado, validado e corrigido. Com isso, os feedbacks chegam com muito mais rapidez e o produto é melhorado a cada ciclo.

Porém, o maior objetivo conceitual do Lean UX, que será priorizado neste texto, é juntar designers e desenvolvedores. Afinal, os designers precisam e querem estar mais próximos do código. A tendência multitarefa do “UX Designer que sabe programar” não nasceu por acaso, da mesma forma que não é por caso que os profissionais de maior destaque são os cabeças do UX, que não só entendem de programação mas, quando precisam, também “sujam” a mão no código.

Entender minimamente o trabalho que complementa o seu facilita a comunicação entre os times. E para o Lean UX, comunicação é o pilar que sustenta tudo. Talvez por isso, as startups largam na frente das empresas tradicionais, implementando este tipo de metodologia.

Primeiro porque a comunicação flui melhor em times menores. E, segundo, porque mudar culturas consolidadas e estimuladas por anos não é tarefa fácil. Mas também não é impossível — nada que o combo conhecimento + experiência + paciência não resolva. Amém?

Lean UX: modo de usar

O Lean UX é uma metodologia colaborativa. Ou seja, todos as pessoas do time são envolvidas no planejamento das funcionalidades de um software. E, assim como já falamos bem ali em cima, o resultado dessa combinação é um maior entrosamento entre os profissionais e mais agilidade em todas as camadas do processo.

Estudando para escrever este texto, descobrimos que esse tal entrosamento é um dos grandes gargalos profissionais das ~pessoas de UX~. Mas a nossa prática aqui na Aerochimps nos trouxe experiência contrária.

Nós aderimos ao Lean UX antes mesmo de saber o que isso significa. As metodologias ágeis fazem parte dos nossos processos desde o princípio e a UX sempre esteve inclusa nisso.

Nossa experiência com o modelo cascata foi mínima e, também por isso, para nós Lean UX é uma prática tão natural quanto ligar o computador para projetar uma interface, que nos proporciona maior participação de todos nas decisões importantes do projeto. Que nos permite sugerir, palpitar, participar e colaborar com outras áreas, e receber esse engajamento de volta, dos outros membros da equipe.

Os detalhes dependem das especificidades de cada projeto, mas, geralmente, adotamos o design como uma etapa do sprint. Uma tarefa passa primeiro pelo design, depois pelo front, depois pelo back, e aí sim vai para homologação.

A efetividade da nossa comunicação ajuda muito nesse processo. O Slack e o Taiga são duas ferramentas que usamos bastante e que permitem que todo mundo saiba o que está acontecendo o tempo todo. Ter esse canal ativo é fundamental para fazer o negócio funcionar (para saber mais sobre comunicação ágil, leia aqui).

Lean UX: dicas para fazer direitinho

A nossa dica para quem quer começar a usar o Lean UX é pensar na UX como parte do desenvolvimento. Conhecemos duas formas de fazer isso:

  • A primeira é adicionar no projeto o Sprint 0, para que o design saia na frente e produza suas tarefas antes do desenvolvimento;
  • E a segunda é, simplesmente, adicionar uma etapa de design ao sprint.

A escolha do melhor formato depende da velocidade e da sinergia entre as pessoas. Mas o mais importante continua sendo fazer com que as duas equipes trabalhem juntas e façam parte do mesmo time.

Outra coisa que merece atenção especial é o aproveitamento dos feedbacks, que surgem internamente e contribuem para a evolução do time e do projeto, mas que também podem vir de análises de métricas importantes.

Ao invés da realização de pesquisas de pré elaboração do protótipo, o Lean UX aconselha análises de métricas contínuas, recolhidas de métodos como teste A/B, entrevista com clientes e testes de usabilidade.

Imagem retirada do livro “Lean UX”, de Jeff Gothelf

O primeiro quadro mostra a solução ideal, que é chegar ao objetivo final de primeira, sem falhas de percurso. A gente sabe que a realidade passa bem longe disso, como mostra o segundo quadro.

Mas é o terceiro quadrante que salta ao nossos olhos. Ele nos mostra que, com a aplicação da técnica, os feedbacks do time, do cliente e do usuário não só fazem parte do processo, como contribuem ativamente para que o projeto alcance o resultado desejado.

Outras dicas para fazer ainda mais bonitinho

  • Com o objetivo final em mente, busque abordar o problema que precisa ser resolvido com toda a equipe;
  • Compartilhe suas ideias e ferramentas de design com todo mundo;
  • Crie o Mínimo Produto Viável (MVP) para validar as ideias do time;
  • Clientes participativos somam ideias e evitam retrabalhos. Confie nisso e incorpore as opiniões deles em todos os ciclos do projeto;
  • Para que que o time seja ainda mais produtivo, combine o Lean UX com outros metodologias ágeis (a gente usa o Scrum);
  • Provavelmente, serão necessárias algumas mudanças de estrutura e organização para incorporar o Lean UX. Tenha calma, estude bastante e entenda essas mudanças antes de sair afoito para aplicar a metodologia.

Dicas de leitura

Opa! Ainda tem fôlego para mais leitura? Maravilha, porque temos sugestões ótimas para você:

  • Este texto, em inglês, super completo, explicativo e abrangente sobre o passado, o presente e o futuro do wireframing e da prototipação. Aborda bem o conceito de Lean UX e dá dicas valiosas;
  • Nosso texto sobre por que designers precisam saber código. Leitura para te ajudar a estreitar ainda mais o relacionamento com o dev querido e;
  • Este artigo completinho sobre como os princípios ágeis tratam a questão da comunicação.

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