Código com propósito

Apenas amar o que você faz não basta


As campanhas de marketing podem não concordar, mas quer ler algumas verdades? Amor não enche barriga, não garante emprego e não paga as contas. Apenas amar o que você faz não te transforma no melhor profissional do mercado.

Isso não significa que devemos fazer apenas o que dá dinheiro e nos esquecer do que alimenta nossa sensação de prazer. Longe disso! A ideia deste texto é, justamente, despertar a lógica contrária. O que, por outro lado, não nos impede de observar o mercado e perceber que é possível, sim, ser um bom programador sem, necessariamente, morrer de amores pela profissão.

Assim como existem médicos, professores, terapeutas e comerciantes que não podem chamar de amor o que sentem pelo trabalho, mas continuam fazendo o que fazem, porque sim. Porque dá dinheiro, porque o mercado é carente desse tipo de profissional, porque não querem desperdiçar os anos de faculdade e, principalmente, porque sabem fazer aquilo. E só sabem porque, em algum momento, dentro de algum contexto, aprenderam e se aperfeiçoaram. Quer tenha sido pela “necessidade” ou pela vontade genuína.

Vale um chute que tem tudo para desviar da trave e acertar o gol? A diferença entre as pessoas que aprendem por necessidade e as que aprendem por afinidade é o propósito. Os “programadores desde criancinha” decidiram, depois de adultos, trabalhar com tecnologia, muitas vezes, pela possibilidade de se profissionalizarem em uma área que já gostavam e que possuíam certo domínio e conhecimento. E muitos outros, que descobriram a profissão mais cedo ou mais tarde, uniram essa curiosidade sobre o assunto ao desejo de solucionar problemas e ajudar pessoas.

E você, por que programa? Ou, por que quer programar?

O propósito é o elemento X que pode te diferenciar das centenas de milhares de profissionais que programam simplesmente porque aprenderam a fazer isso. O propósito é o que te estimula a levantar cedo todas as manhãs para passar o dia mergulhado em linhas de código ou virar noites tentando entender uma nova linguagem de programação (quem nunca?). É ele que te segura pelos braços e te ajuda a encarar mais um dia de trabalho, mais uma caneca de café, mais um problema a ser resolvido.

Mas, apesar de gostar do que se faz e ter algum propósito com isso serem características importantes para um bom desenvolvedor de software, elas não são as únicas fundamentais.

Partindo do princípio de que você é uma pessoa segura da sua escolha profissional e está em busca de informações para se aperfeiçoar ou é alguém que está atrás dos motivos para seguir ou não a carreira de programador, preparamos algumas dicas que podem te ajudar e te motivar a mergulhar fundo no Fantástico Mundo da Programação. Vem com a gente?


Algumas características essenciais para um desenvolvedor com propósito

Sobre o dia a dia emocionante de um programador. Não se deixe enganar pelas aparências, ele estava se divertindo…

Goste de resolver problemas

Essa é a mais importante das importantes. Se você não tem paciência para isso, volte duas casas e repense sua escolha.

Seja um curioso irremediável

Fuce. Pergunte. Leia, leia muito. Estude. Exercite a curiosidade e não se dê por satisfeito: sempre que você conseguir entender alguma coisa, outras milhões de dúvidas surgirão. Corra atrás das respostas para elas. Não tenha medo de ser “o chato que pergunta tudo”.

Seja uma pessoa corajosa

Pequenos fracassos são normais. Nem todas as soluções darão certo. Vários códigos precisarão serem refeitos. Mas, se você gosta de desafios, nenhum desses problemas serão maiores do que você. Confie nisso.

Você gosta de números? De matemática? E de lógica?

Se a resposta for sim, avance duas casas. Se for não, todo dia é dia de aprender coisas novas e começar a olhar para as matérias que pareciam chatas na época do colégio com outros olhos. Até porque, agora, você saberá que dominar esses conteúdos não será em vão.

Tenha uma boa base de programação

Não seja monotemático e tome cuidado com a ideia tentadora de ser expert em determinada linguagem. Saber um pouco de “tudo” é melhor do que ser limitado.

Seja disciplinado

Os três maiores segredos para ser bom em qualquer coisa? Disciplina, disciplina e disciplina. Não se dê desculpas para evitar encarar um problema difícil de resolver. Não tente pular etapas. Seja paciente e persistente, sempre.

Ninguém nasce sabendo

Pode não parecer, mas nem o Martin Fowler nasceu sabendo. Por que, então, a gente haveria de nascer, não é mesmo?

Tudo, absolutamente tudo, é possível de se desenvolver. Para isso é preciso uma boa dose de persistência e muito autoconhecimento. Você não será bom em tudo, mas não ter todas as respostas não te impede de ser um excelente programador.

Conheça suas limitações, descubra o que você gosta e o que não gosta e em que áreas você precisa injetar mais esforço para conseguir evoluir. Esse exercício é constante e anda junto com os três segredos para o sucesso (disciplina, disciplina e disciplina).

O diploma não é a coisa mais importante que você precisa ter na hora de pleitear um cargo de desenvolvedor. Para aprender alguma coisa e se aprofundar em uma área de conhecimento específica, não é preciso fazer um curso regular. As faculdades e os cursos técnicos são mais uma forma de organizar o aprendizado necessário para começar do que uma regra irrefutável.

Aliás, outra sugestão de amigo: viva fora da caixa. Não se sucumba à cagação de regra generalizada. Aprenda a filtrar o que é importante para você e descarte as carapuças que foram feitas para outras cabeças.

E saiba que não são poucos os exemplos de excelentes programadores que não possuem ensino superior. Portanto, se você é do tipo autoditada, follow your heart.

E se você acha que precisa de um curso superior para ter o embasamento necessário e começar a atuar na área de TI, siga a mesma dica e vá em frente.

Mantenha-se atualizado

A curva de crescimento do mercado de desenvolvimento de software ainda não alcançou o topo. O mercado continua em busca de mão de obra — e quanto mais qualificada ela for, melhor. Estamos na era da internet das coisas e a necessidade de programar tudo o que existe é crescente. Telefones, relógios, lâmpadas, acessórios, geladeiras. O mundo atual é o ambiente perfeito para evoluirmos.

É um grande clichê, mas como clichês existem por algum motivo, vale dizer: saber inglês é essencial para este mercado. Então, se você ainda não conhece o idioma universal dos desenvolvedores de software, procure aprender. Afinal, os principais e os mais completos conteúdos que surgem sobre o assunto são em inglês.

Pratique sempre, de preferência em um ambiente real

Trabalhar em pet projects que tenham uma finalidade real é bom para que você mire em um objetivo concreto. Participar da comunidade open source (hello, GitHub), lendo e escrevendo código faz com que você ajude a comunidade e a comunidade te ajude.

Seu código está cheio de gambiarras? Torná-lo público dá margem para que as pessoas te ajudem a se livrar delas. Não sinta vergonha do seu código. Tenha em mente que não existe código perfeito e que todo mundo está sempre aprendendo.

Ah, e por último, mas não menos importante: não se foque nos haters. Eles sempre estarão por aí. Ignorá-los é a melhor forma de lidar com eles.


Dicas de leitura

Opa! Ainda não cansou de ler e quer saber mais sobre o assunto? Que bom, porque selecionamos alguns textos especialmente para você:

  • Nossa mini-série “Por que DEV”, que aborda as dores e as delícias do mercado de desenvolvimento de software pela ótica de quem vive isso todos os dias;
  • O texto sobre os motivos para ensinar programação na escola e;
  • Este artigo emocionante, do Davi Ferreira, divulgado pelo Medium Brasil, com conselhos de um velho programador antissocial e ranzinza.

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