Como pedir feedback sem ter medo das críticas
As críticas são as soluções, o problema é como lidar com elas
Como você lida com as críticas sobre seu trabalho? Bem, mal, mais ou menos ou nem lida? E se a gente te disser que nem o designer mais talentoso do mundo está imune a feedbacks negativos, você fica com o sorriso um pouquinho menos amarelo?
Tirando a máscara carrancuda do corporativismo envolvido na prática de pedir e receber feedbacks, podemos dizer que as críticas são como aqueles chás para tratar resfriado: todo mundo recomenda, quase ninguém gosta, mas a maioria concorda que é um santo remédio. Assim como acontecem com as soluções caseiras, as críticas também são incentivadas culturalmente. E quer você queira, quer não, elas vão continuar existindo.
O que nos leva a óbvia conclusão de que: quanto mais natural e positiva for a forma como lidamos com as críticas, melhor será a nossa relação profissional com as outras pessoas e com a gente mesmo. Até porque, no fim das contas, o problema não são as críticas em si, mas a maneira como lidamos com elas.
Em tempo, vale dizer que as críticas ao design são fundamentais para o amadurecimento das soluções que estão sendo criadas e das pessoas que a estão criando. Portanto, a falta de preparo em criticar ou a postura que adotamos na hora de nos posicionar no centro do alvo de comentários pode comprometer a qualidade do trabalho e respingar na experiência do usuário.
Ops! Falei em prejudicar a experiência do usuário e já pisei no seu calo, não foi? Vou reduzir o peso transferido ao pé em cima do seu, mas sem tirá-lo daí, que é para te manter focado no que importa e esquecer dos mimimis.
Diagnóstico

Como não existe um chá que poupe os anos de experiência ouvindo boas e más críticas até aprender a lidar com elas, vamos fazer da forma mais velha e eficaz que conhecemos: conversar sobre o assunto. A gente te apresenta os sintomas, você se autoavalia e, a partir daí, a gente sugere algumas práticas e conselhos para deixar esse calo menos dolorido. Que tal?
As críticas chegam de todos os lados e de todas as formas possíveis. Do suporte com os usuários, do cliente insatisfeito ou parcialmente atendido, dos desenvolvedores, daquele amigo pitaqueiro. Os comentários variam de análises profundas e cheias de motivos aos fatídicos “não gostei”, sem argumentos.
Tudo bem, às vezes acontece de você trabalhar em um aplicativo durante um ano até o cliente decidir que não gosta do amarelo que você usou como base do projeto desde o início (já aconteceu).
Mas, quase sempre, as críticas sobre UX design vêm acompanhadas de um motivo real, que merece ser considerado, ainda que seja um tanto quanto abstrato. Afinal de contas, design não é uma ciência exata, então há que ter paciência para se fazer entender.
Tratamento: pequenas pílulas para usar no dia a dia
Separar questões profissionais de anseios pessoais é a senha que decifra a solução para problemas com a recepção de feedbacks. Algumas críticas podem não melhorar o seu dia, mas também não precisam ser as responsáveis pela sua veia saltada no meio da testa.

Para te ajudar a segurar essa barra, que é saber o que fazer depois de receber uma crítica, preparamos algumas dicas bem pontuais para você usar sempre que for conveniente.
Peça críticas construtivas
Ou: vire a crítica destrutiva a seu favor. Quando alguém disser que não gostou do que você fez, mas não conseguir explicar o que exatamente não o agradou, faça perguntas para dissecar o problema: O que você não gostou? Da disposição do conteúdo? Das cores? As informações poderiam estar dispostas de outra maneira, com um texto mais fluido? Que tal uma abordagem com menos passos?
Aqui na Aerochimps a gente pergunta tanto, que daqui a pouco vão achar que não entendemos nada de design. Mas a gente faz isso porque perguntar funciona, aproxima o cliente e traz mais uma cabeça pensante para encontrar soluções.
Aqui vai uma dica especial para iniciantes: se você quiser conduzir o papo para um linha bem profissional e afastar as opiniões pessoais, evite perguntas emocionais do tipo “o que você acha?” Esse tipo de pergunta pode levar a respostas que trazem mais dúvidas do que conclusões, como “não gosto de amarelo”.
Seja humilde

Pouca coisa é mais apaixonadamente inspiradora para um designer do que ouvir um bom feedback sobre seu trabalho. Mas para receber bem críticas positivas e negativas é preciso saber domar o ego.
Essa tal de humildade a gente só aprende mesmo com o tempo, mas alguns exercícios podem encurtar o caminho até ela. Comece baixando a guarda. Ouça com atenção o que as pessoas têm para falar e saiba que, ainda que elas estejam falando sobre o seu trabalho, elas não estão criticando você. Não é pessoal. E nunca esqueça que você e o time estão trabalhando juntos para encontrar a melhor solução para os seus usuários.
Diante disso, é preciso que fique claro para todos os envolvidos no projeto quem está sendo beneficiado ou prejudicado com o fator motivador daquele comentário. O usuário? Os negócios? O time? Se a partir dessa análise você perceber que ninguém ganha ou perde nada com aquela informação, é possível que a crítica seja apenas uma opinião pessoal. Nesse caso, dê a ela a importância que ela merece, sempre priorizando o desenvolvimento do projeto e a busca por soluções.
Lembre-se de que o bom resultado é alcançado depois de vários ciclos de exploração de design, e que isso é absolutamente normal.
Exponha seus motivos
A gente já falou aqui no Medium sobre a importância de defender as suas ideias, mas vale repetir. Toda vez que você for apresentar uma tarefa, esteja aberto às críticas e aos comentários, mas faça valer seus esforços. Explique como funciona a interação ou a tela que você projetou, dê referências, guie o cliente pelo projeto. De repente, a crítica dele deixe de fazer sentido quando ele entender o assunto mais profundamente.
Afinal, você foi contatado pela sua experiência e competência. Sua opinião tem valor. Mas lembre-se do controle do ego e jamais se esqueça do foco no usuário.
Dicas de leitura
E você, como lida com as críticas? Tem alguma situação que queira compartilhar com a gente? Bora continuar a conversa nos comentários! ;)
Se você gostou da leitura e quer saber mais sobre o assunto, aí vão algumas sugestões:
- Este texto do Design Instruct, em inglês, sobre uma pesquisa com designers que abriram o jogo e contaram como eles lidam com feedbacks e que estratégias usam;
- O artigo didático sobre como lidar, sem enlouquecer, com a pessoa que toma as principais decisões dentro do projeto e;
- Este artigo para te lembrar do quanto o UX Design é uma profissão maravilhosa.