Usando a linguagem a favor da experiência do usuário 

Dez dicas para melhorar a comunicação textual do seu projeto de UX


Sempre defendemos que o design é muito mais do que produtos visualmente atraentes. O UX design, então, tende ao infinito de possibilidades. Você, que nos acompanha nas mídias sociais e aqui no Medium, já até decorou essa máxima, não é mesmo?

Mas por que sempre batemos na mesma tecla? Das milhares de respostas possíveis — algumas já até publicadas em outros artigos deste espaço — daremos atenção a uma em especial: o uso da linguagem nos projetos de UX.

Uma boa comunicação para uma excelente experiência do usuário

Você já parou para pensar sobre a importância da comunicação para os projetos de UX? Normalmente, o aspecto gráfico ganha mais atenção do que a escolha das palavras em uma interface. Ao priorizar os recursos gráficos e a funcionalidade do produto desenvolvido, é comum deixar a comunicação por último e preencher os espaços destinados a textos sem direcionar a devida (e merecida) atenção.

Mas a realidade é que, bem antes de existir o termo UX Designer e suas derivações, e até mesmo em tempos quando “internet” era uma palavra desconhecida do dicionário, a linguagem já se destinava a entender, definir e explicar a vida, o universo e tudo mais. E é também por isso que ela não deve ser deixada de lado quando abordamos a criação de interfaces.

Isso não quer dizer que, para fazer uma boa interface, é preciso ser mestre em linguística. Porém, é importante lembrar que palavras mal escolhidas podem arruinar com a experiência do usuário. Em contrapartida, microtextos bem utilizados podem fazer toda a diferença.

Mas e esse tal de microtexto, o que é? Microtexto — ou microcopy, em inglês — é como ficou conhecida a arte de transmitir uma mensagem em espaços limitados de texto, de forma clara e concisa. Pode ser qualquer texto de interface, como o label de um botão, uma mensagem de erro ou sucesso e tantas outras.

Que tal usar o Facebook como exemplo?

Repare como a ação inicial do botão “curtir” é somente textual. Quando o usuário clica, o feedback é transmitido também em texto (“Curtir” vira “Descutir”). Opa! Olha aí, somente palavras, mais uma vez, para desfazer a ação.

Em um artigo didático sobre o assunto, Fabrício Teixeira resume bem a função do microtexto quando diz que, além de explicar uma ação (“cadastrar”), ele pode ser usado para orientar o usuário na realização de uma tarefa (“sua senha deve conter no mínimo 6 caracteres”) ou dar feedback sobre uma ação que ele realizou (“sua conta foi criada com sucesso”).

Como escolher as melhores palavras para levar o usuário ao caminho certo?

Para a pergunta que não quer calar, selecionamos alguns drops com dicas valiosas, resumidas e adaptadas de um texto publicado no Tableless em 2013, ainda muito atual.

Links e botões

Ao nomear botões e links, o ideal é combinar verbos e substantivos para descrever a tarefa com duas ou três palavras. Expressões como “assista o video”, “crie sua conta”, “leia mais” e “enviar mensagem” informam e sinalizam claramente a ação a ser realizada.

Meu ou seu?

E agora, qual é a forma correta: meu software ou seu software? Minha conta ou sua conta? Nesse ponto, é tudo relativo.

Se o que você deseja é colocar o usuário no centro das atenções, como uma espécie de interlocutor que conversa diretamente com o visitante, as expressões “seu software”, “sua conta”, “seu perfil”, “seu cadastro”, entre outras, são opções mais interessantes, principalmente para plataformas sociais.

A frase “o que está acontecendo agora?” foi uma das grandes responsáveis pelo sucesso do Twitter. Seguindo a mesma linha, o Facebook, ao incorporar interações semelhantes, como “o que você tem feito?” e “no que você está pensando?”, humanizou a interface. Assim, o próprio Facebook se comporta como um dos seus amigos, daqueles super interessados nas novidades da sua vida. Práticas como essa têm o objetivo de despertar a simpatia dos usuários e incentivá-los a postar na plataforma.

Não nos esquecemos dos formulários

Para não dizer que não falamos das flores, uma dica para anotar no seu app de notas e nunca mais esquecer: botões como “cancelar”, “limpar dados” e “apagar” só têm uma função, a de atrapalhar o usuário.

Imagina se, acidentalmente, ele clica na opção errada e perde todos os dados preenchidos? Assim, é melhor diferenciá-los, dando menos destaque à opção “cancelar” — se todos os itens forem botões, a opção cancelar pode aparecer em formato de link, por exemplo.

Pensando bem: o que é um OK?

Herdado de antigas interfaces gráficas, o botão “ok” é como uma roupa velha que não serve mais. Atualmente, existem mais opções, que vão além de confirmar ou cancelar uma ação. Portanto, essas duas letrinhas não se aplicam ao nosso tempo. Substituí-las por um botão informativo e bem contextualizado diminui o tempo necessário para a tomada de decisão e garante ao usuário saber exatamente o que vai acontecer no passo seguinte. Então, sai o “ok” e entram “salvar”, “enviar”, “buscar”, “excluir”, etc.

Emoção? Sim, por favor, mas com moderação

Além do aspecto funcional, o uso de microtextos pode ser analisado sob o ponto de vista emocional. Pois, além de ajudar o usuário a entender o que está acontecendo no sistema ou interface, o microtexto estimula a percepção que ele tem daquele produto ou marca.

A ação escolhida pelo Facebook foi “curtir” por algum motivo. É o verbo que mais combina com a personalidade da rede social. Imagina se fosse qualquer outra palavra como “amar”, “achar legal” ou “adorar”. Que impressão a marca transmitiria?

Outra forma de utilizar a emoção a favor do microtexto é inserir, de forma cuidadosa e em doses homeopáticas, palavras imperativas como “agora”, “hoje” e “tempo limitado”. Elas criam um senso de urgência que pode influenciar no momento de uma decisão. Usar essas palavras com moderação pode evitar um sentimento de pressão por parte do usuário e uma imagem de desespero para o seu produto.

Linguagem técnica é para técnico

A palavra “submeter” é familiar para desenvolvedores web, mas não significa que o seu usuário seja familiarizado com os jargões da internet. Evitar esse tipo de expressão ajuda a deixar o seu produto mais amigável.

Simpatia é quase amor

Mensagens padrão de erro não são suficientes para comunicar ao usuário comum que a página procurada não foi encontrada. É necessário explicar isso com palavras. Uma boa prática é abordar o erro de forma gentil, informativa e até bem humorada. Afinal, se o usuário não encontrou o que procurava, provavelmente está um pouco irritado com a situação e pode desistir da navegação na primeira oportunidade. Explique que a culpa não foi dele e ofereça alternativas.

Conheça o seu público e encontre o tom certo

Para escolher uma variante linguística adequada, é preciso conhecer o seu público alvo. Textos cheios de gírias podem confundir pessoas mais velhas, assim como textos acadêmicos podem entediar pessoas mais novas. A dica é: evite utilizar adjetivos que possam se aplicar a qualquer um e tente encontrar o que faz o seu produto ou serviço único.

Conclusão

A linguagem é um elemento fundamental da experiência do usuário e, apesar de às vezes negligenciada por times de UX, não deve passar despercebida. Acompanhar o desenvolvimento dos textos que serão exibidos na interface é importante não só para garantir uma boa usabilidade, mas também para certificar que texto e imagem trabalhem juntos para transmitir uma mensagem alinhada com o conceito da marca.

Email me when Aerochimps publishes or recommends stories