A Pessoa Deprimida
David Foster Wallace
A pessoa deprimida estava em terrível e incessante dor emocional, e a impossibilidade de partilhar ou articular essa dor era em si um componente de dor e um fator contribuinte em seu horror essencial.
Desanimando-se, portanto, de descrever a dor emocional em si, a pessoa deprimida ansiava ao menos poder expressar algo de seu contexto– sua forma e textura, como fosse – recontando circunstâncias relacionadas à sua etiologia. Os pais da pessoa deprimida, por exemplo, que se divorciaram quando ela era criança, usaram-na como peão em seus jogos doentios, como quando a pessoa deprimida precisou de tratamento ortodôntico e cada pai alegou– não sem motivo, a pessoa deprimida sempre dizia, devido às ambiguidades legais do acordo de divórcio – que o outro deveria pagar. Ambos pais estavam bem de vida, e cada um expressou privadamente à pessoa deprimida a disposição em, se fosse o último caso, concordar a pagar, explicando que não era uma questão de dinheiro ou dentição, mas de “princípio”. E a pessoa deprimida sempre tomava cuidado, quando adulta, ao tentar descrever a um amigo solidário a venenosa disputa sobre o custo de seu tratamento ortodôntico e o legado de dor emocional dessa disputa para ela, admitindo que de fato poderia ter parecido a cada pai ser uma questão de “princípio”, apesar do “princípio” infelizmente não levar em conta os sentimentos de sua filha ao receber a mensagem emocional de que marcar pontos insignificantes entre si era mais importante aos seus pais do que sua própria saúde maxilofacial e logo constituía, se considerado de certa perspectiva, uma forma de negligência ou abandono ou até mesmo total abuso, um abuso claramente ligado– aqui ela quase sempre acrescentava que sua terapeuta concordara com essa afirmação – ao insondável e crônico desespero adulto que ela sofria todo dia e sentia-se irremediavelmente presa.
A meia dúzia aproximada de amigos a qual sua terapeuta– que obtivera ambas pós-graduação terminal e graduação em medicina – referia-se como o Sistema de Apoio da pessoa deprimida tendiam a ser ou conhecidas de sua infância ou então garotas com quem dividira quartos em várias etapas de sua carreira escolar, mulheres afetuosas e intactas que agora viviam em todo tipo de cidades diferentes e quem a pessoa deprimida amiúde não colocava olhos em anos e anos, e quem ela ligava tarde da noite, distante, para a partilha e apoio urgente e algumas palavras bem escolhidas para ajudá-la a ter alguma perspectiva realista no desespero diário e se concentrar e repor a força para lutar pela agonia emocional do dia seguinte, e a quem, quando ela telefonava, a pessoa deprimida sempre se desculpava por arrastá-los para baixo ou parecer entediante ou miserável ou desagradável ou afastá-las de suas vidas ativas, vibrantes, amplamente distantes e livres de dor. Ela também era, além disso, sempre extremamente cuidadosa em partilhar com os amigos de seu Sistema de Apoio sua convicção de que seria bobo e patético jogar o que ela jocosamente chamava de “Jogo da Culpa” e culpar sua constante e indescritível dor adulta no traumático divórcio de seus pais ou do cínico uso dela. Seus pais tinham, afinal–como sua terapeuta ajudara a pessoa deprimida a enxergar–feito o melhor que podiam com os recursos emocionais que tinham na época. E ela havia, a pessoa deprimida sempre colocava, rindo sem convicção, conseguido a procedência ortodôntica e pedia que ela (ou seja, a amiga) saísse do telefone.
Os sentimentos de vergonha e inadequação que a pessoa deprimida experimentara ao ligar para os membros de seu Sistema de Apoio de longa distância tarde da noite e incomodá-los com suas tentativas desajeitadas de descrever ao menos a textura contextual de sua agonia emocional era um problema no qual ela e sua terapeuta estavam atualmente fazendo grande progresso em seu tempo juntas. A pessoa deprimidaconfessou que quando qualquer amiga solidária com quem ela compartilhava finalmente confessava que ela (ou seja, a amiga) sentia muito mas não havia nenhuma solução, que ela tinha absolutamente que sair do telefone, e havia verbalmente retirado os dedos necessitados da pessoa deprimida da barra de sua calça e retornado às demandas de sua vida distante, cheia e vibrante, a pessoa deprimida sempre permanecia sentada lá ouvindo o zumbido de abelha do tom de discagem sentindo-se ainda mais isolada e inadequada e não-simpatizada do que já estava antes de ligar.A pessoa deprimida confessou a sua terapeuta que quando buscou à distância um membro do seu Sistema de Apoio ela quase sempre imaginarapoder detectar, nos crescentes longos silêncios e/ou repetições de clichês encorajantes da amiga, o tédio e culpa abstrata que as pessoas sentem quando alguém está se pendurando neles e sendo um infeliz fardo. A pessoa deprimida confessou que ela podia bem imaginar cada “amiga” estremecendo quando o telefone tocava tarde da noite, ou, durante a conversa, olhando impacientemente para o relógio ou direcionando gestos silenciosos e expressões faciais comunicando seu tédio e frustração e encarceramento inerme a todas as outras pessoas na sala com ela, os gestos expressivos se tornando mais desesperados e extremos enquanto a pessoa deprimida continuava e continuava e continuava. O hábito pessoal inconsciente ou tique mais perceptível da terapeuta da pessoa deprimida consistia em colocar a ponta de todos os seus dedos juntos no seu colo e manipulá-los ociosamente enquanto ela ouvia empaticamente, o que fazia suas mãos unidas formarem várias formas anexadas — ou seja, cubo, esfera, cone, cilindro reto — e depois aparentava estudar ou contemplá-los. A pessoa deprimida não gostava desse hábito, apesar de admitir ligeiramente que isso era principalmente porque chamava sua atenção para as mãos e unhas da terapeuta e a fazia compará-las com a sua.
A pessoa deprimida compartilhou que ela podia lembrar, tudo muito claramente, como, no seu terceiro internato, ela certa vez viu sua colega de quarto falar com um garoto em seu quarto no telefone enquanto ela (ou seja, a colega de quarto) fazia caras e gestos de repulsão reprimida e enfastiamento com a chamada, essa colega de quarto popular, atraente, e segura de si finalmente dirigindo-se a pessoa deprimida mimetizando alguém batendo em uma porta até que a pessoa deprimida entendeu que ela deveria abrir a porta do quarto e entrar novamente e bater nela ruidosamente servindo de desculpa para a colega de quarto terminar a chamada. A pessoa deprimida compartilhara esta memória traumática com membros de seu Sistema de Apoio e tentara articular o quão incomensuravelmente horrível ela imaginou ter de ser aquele patético garoto desconhecido no telefone e como agora, como um legado dessa experiência, ela temera, mais do que quase tudo, o pensamento de um dia ter de recorrer silenciosamente a alguém próximo para ajudar-lhe a inventar uma desculpa para sair do telefone. A mulher deprimida implorava cada amigo solidário para avisá-la no exato momento em que ela (ou seja, a amiga) estava ficando entediada ou frustrada ou repelidaou sentisse que ela (ou seja, a amiga) tinha outras coisas mais urgentes ou interessantes para comparecer, para pelo amor de Deus ser totalmente sincera e franca e não gastar um minuto a mais no telefone do que ela se sentisse absolutamente confortável em gastar. A pessoa deprimida sabia perfeitamente bem, é claro, ela garantiu à terapeuta,¹ como tal pedido poderia ser totalmente entendido não como um convite para sair do telefone à vontade mas na verdade um apelo manipulador, carente, para não sair — nunca sair — do telefone.
Os pais da pessoa deprimida eventualmente diviram o custo da sua ortodontia; um mediador profissional foi requisitado a fim de estruturar esse compromisso e, ulteriormente, negociar os prazos dos pagamentos divididos do internato da pessoa deprimida e os acampamentos de verão do Estilo De Vida de Alimentação Saudável e as lições de oboé e seguro de carro e colisão, assim como a cirurgia cosmética necessária para corrigir uma má-formação da coluna anterior e da cartilagem alar do nariz da pessoa deprimida que deram-nao que parecia ser um nariz de pug excruciantemente nítido e tinham-na, junto com o retentor ortodôntico externo que ela tinha de usar vinte e duas horas por dia, feito olhar para si mesma nos espelhos dos quartos dos internatos mais do que qualquer pessoa poderia aguentar. Também, no ano em que seu pai casou novamente, ele, ou num gesto de raro carinho descompromissado ou um coup de grâceque a mãe da pessoa deprimida dissera ser designado para completar seus próprios sentimentos de humilhação e superfluidade, tinha pago tudo das aulas de equitação, calças e botas escandalosamente caras que a pessoa deprimida precisava a fim de ganhar admissão na Escola de Equitação do penúltimo internato, cujo alguns membros eram as únicas garotas dessa escola que a pessoa deprimida sentia, ela confessara ao seu pai no telefone em lágrimas, tarde de uma noite verdadeiramente horrível, que mesmo remotamente a aceitavam e a quem perto delas a pessoa deprimida não se sentia totalmente tão nariz-de-porco e cara-de-aparelho e inferior que tinha sido uma representação diária de enorme coragem pessoal e determinação só de sair do seu quarto e ir tomar a janta no refeitório.
O mediador profissional que os advogados de seus pais escolheram ajudar a estruturar seus compromissos fora um altamente respeitado especialista em resolução de conflitos chamado Walter D. (“Walt”) Ghent Jr. A pessoa deprimida nunca tinha posto os olhos em Walter D. (“Walt”) Ghent Jr., apesar de já ter sido mostrado a ela seu cartão de negócios — completo com seu convite em parênteses para formalidade — e seu nome havia sido invocado amargamente na sua audição em incontáveis ocasiões, junto com o fato de que ele cobrara a extraordinária quantia de $130 por horas mais despesas. Apesar de esmagadores sentimentos de relutância por parte da pessoa deprimida, a terapeuta tinha fortemente apoiado-a a correr o risco de compartilhar com os membros de seu Sistema de Apoio uma importante realização emocional que ela (ou seja, a pessoa deprimida) havia conseguido durante um Final de Semana de Retiro Terapêutico Empírico Focado-na-Criança-Interior em que a terapeuta havia apoiado-a a correr o risco de se envolver e se dar de cabeça aberta para tal experiência. Na Sala do Pequeno Grupo de Terapia-Dramática do Fim de Semana de Retiro T.E.F.-C.-I, outros membros de seu pequeno grupo tinham simulado os pais da pessoa deprimida e dos amantes dos pais e advogados e uma míriade de outras dolorosas figuras emocionais da sua infância, e tinham lentamente envolvido a pessoa deprimida num círculo, movendo-se tão firmemente próximos que ela não podia escapar, e tinham (ou seja, o pequeno grupo tinha) dramaticamente recitado frases especialmente preparadas para evocar e reacordar o trauma, o que tinha imediatamente evocado na pessoa deprimida uma onda de agonizantes memórias emotivas e resultara na emersão da Criança Interior da pessoa deprimida e um acesso de raiva catártico no qual ela tinha golpeado repetidamente uma pilha de almofadas de veludo com um taco de espuma de poliestirenoe gritado obscenidades e revivido feridas há muito tempo fechadas e sentimentos reprimidos, dos quais o mais importante sendo uma profunda raiva vestigial sobre o fato de que Walter D. (“Walt”) Ghent Jr. tivera sido capaz de cobrar seus pais $130 por hora mais despesas para simular o papel de mediador e absorvedor de bosta enquanto ela tinha que executar essencialmente os mesmos serviços coprófagos diariamente de graça, por nada, serviços dos quais eram não apenas grandemente injustos e inapropriados para uma criança se sentir exigida a executar mas os quais seus pais tinham dados as costas e tentado fazer ela, a própria pessoa deprimida, quando criança, sentir-se culpada pela despesa extraordinária do Walter D. Ghent Jr., como se a despesa e o aborrecimento fossem sua culpa e realizadas somente em seu pequeno ede nariz-de-porco e gorduroso e mimado favor ao invés de ser apenas pela completa maldita inabilidade doentia de seus malditos pais em comunicar diretamente e compartilhar honestamente e lidar com seus próprios problemas doentios entre si. Esse exercício permitira a pessoa deprimida a entrar em contato com alguns problemas de ressentimento de seu âmago, dissera o auxiliador do pequeno grupo no Final de Semana de Retiro Terapêutico Empírico Focado-na-Criança-Interior, e poderia ter representado um verdadeira mudança na jornada da pessoa deprimida para a melhora, se a gritaria pública e o espancamento de travesseiros de veludo não tivesse deixado a pessoa deprimida tão emocionalmente despedaçada e drenada e traumatizada e envergonhada que ela sentiu que não tinha outra opção a não ser voar de volta para casa naquela noite e perder o resto do Fim de Semana.
O eventual compromisso que ela e sua terapeuta elaboraram juntos mais tarde foi de que a pessoa deprimida iria compartilhar as despedaçantes realizações emocionais do Fim de Semanade Retiro T.E.F.-C.-I. com apenas dois ou três dos mais confiáveis e menos críticos membros de seu Sistema de Apoio, e que ela poderia revelar a eles sua relutância em compartilhar essas realizações e informá-los de que ela sabia o quão patético e mísero elas (ou seja, as realizações) poderiam soar. Ao validar este compromisso, a terapeuta, que nessa época tinha menos do que um ano de vida, disse que ela sentia poder apoiar o uso da palavra “vulnerável” mais francamente do que poderia apoiar o uso da palavra “patético”, palavra essa (ou seja, “patético”) que para a terapeuta parecia toxicamente auto-aversiva e até mesmo manipuladora, uma tentativa de proteger a si mesmo contra a possibilidade de um julgamento negativo ao deixar claro que você mesma já está se julgando mais negativamente do que qualquer um poderia.A terapeuta — que durante os meses frios do ano, quando a abundante invasão de vento em sua casa (que também era escritório) mantinha a casa fria, usava uma luva de camurça que formava uma espécie de fundo cor-de-pele horrível e purulento para os formatos envoltos que suas mãos formavam em seu colo — disse que se sentia razoavelmente confortável na validade de sua conexão terapêutica para salientar que um transtorno crônico de comportamento em si poderia constituir um mecanismo de defesa emocionalmente manipulador: ou seja, enquanto a pessoa deprimida tinha o desconforto afetivo da depressão para lhe preocupar, ela poderia evitar sentir as profundas e vastas memórias de sua infância que ela parecia determinada a manter reprimida a todo custo.²
Meses mais tardes, quando a terapeuta da pessoa deprimida morreu de repente — como resultado do que tivera sido determinada como uma “acidental” combinação tóxica de cafeína e moderador de apetite mas que, dado o extensivo histórico médico, apenas alguém em grande negação poderia deixar de perceber o que deveria ter sido, em algum nível, intencional — sem deixar nenhum tipo de bilhete ou fita ou encorajadoras últimas palavras para algum dos pacientes que acabaram se conectando emocionalmente com a terapeuta e estabelecendo algum grau de intimidade,mesmo que isso significasse tornarem-se vulneráveis a possibilidade de traumas de abandonamento e perda adulta; a pessoa deprimida achara esta nova perda tão esmagante, o desespero tão insuportável, que fora forçada a se aproximar desvairada e repetidamente de seu Sistema de Apoio, ligando para três ou até quatro diferentes amigas solidárias em uma noite, às vezes ligando para as mesmas amigas duas vezes em uma noite, às vezes muito tarde, e às vezes, até, a pessoa deprimida previa temerosa, acordando-os ou talvez interrompendo-os no meio de uma saudável e rejubilante intimidade sexual com seu parceiro. Em outras palavras, pura sobrevivência emocional compelira a pessoa deprimida a por de lado seus sentimentos inatos de vergonha em ser um fardo patético e se apoiar com toda a sua força na empatia e carinho do seu Sistema de Apoio, apesar do fato de esse, ironicamente, ser um dos dois problemas sobre os quais ela resistira vigorosamente ao conselho do terapeuta.
A morte da terapeuta não poderia ter ocorrida em pior hora, justo quando a pessoa deprimida começava a processar e trabalhar no âmago de seus conflitos de vergonha e ressentimentos a respeito do processo terapêutico em si, compartilhou a pessoa deprimida com o Sistema de Apoio. Por exemplo, a pessoa deprimida compartilhara com a terapeuta o fato de que parecera irônico e degradante, dada a preocupação disfuncional de seus pais com dinheiro e tudo que aquela preocupação custara a ela, ela agora estar em uma posição onde tinha de pagar a uma terapeuta profissional $90 a hora para ouvir pacientemente e responder empaticamente. Parecia degredadante ter de comprar paciência e simpatia, confessara a pessoa deprimida à terapeuta, e era um eco agonizante da dor de sua infância que ela ansiava por esquecer. A terapeuta, após ouvir bastante atenta e pacientemente ao que a pessoa deprimida depois admitiu ao seu Sistema de Apoio poder ser facilmente interpretado como muita reclamação ingrata, e após uma longa pausa em que ambas olharam para a gaiola oval formada naquele momento pelas mãos unidas da terapeuta,³ respondera que, embora ela às vezes possa discordar com a essência do que a pessoa deprimida dizia, ela não obstante apoiava de todo o coração a pessoa deprimida a compartilhar quaisquer sentimentos o relacionamento terapêutico trouxera para que elas pudessem progredir juntas em explorar contextos e ambientes seguros e apropriados para a sua expressão.^4
A recordação e partilha das reações positivas daterapeuta trouxeram ainda mais o sentimento insuportável de perda e abandono, bem como ondas de ressentimento e auto-comiseração que ela sabia bem demais serem repelentes ao extremo, garantiu ao Sistema de Apoio, do qual os membros eram procurados quase que constantemente, às vezes mesmo durante o dia, do local de trabalho dela, engolindo seu orgulho e ligando seus números de trabalho e os pedindo para dar um tempo em suas vibrantes e estimulantes carreiras próprias para ouvi-la com amparo e compartilhar e ajudar a pessoa deprimida a achar um jeito de processar o pesar e a perda e achar algum modo de sobreviver. Suas desculpas para enfadar as amigas durante horas diurnas em seus locais de trabalho eram elaboradas, agressivas, e quase constantes, pois eram suas expressões de gratidão ao seu Sistema de Apoio por apenas Estar Lá para ela, afinal ela descobria novamente, com esmagadora clareza ao acordar do indescritível abandono da terapeuta, o quão agonizantemente pequeno era o número de pessoas com quem ela poderia ter a esperança de se comunicar e forjar íntimos relacionamentos mutuamente zelosos para se apoiar. O ambiente de trabalho da pessoa deprimida, por exemplo, era totalmente disfuncional e tóxico, tornando grotesca a ideia de tentar se unir de qualquer modo mutuamente solidário com seus colegas de trabalho. E suas tentativas de sairde seu isolamentoe desenvolver relacionamentos atenciosos através de grupos da igreja ou aulas de nutrição ou mioterapia ou grupos de instrumentos de sopro se provaram tão excruciantes, ela partilhara, que fora reduzida a implorar à terapeuta para desconsiderar sua gentil sugestão de que a pessoa deprimida tentasse ao máximo fazer aquilo. E quanto à ideia de cingir-se e aventurar-se mais uma vez no mercado de carne emocionalmente egoísta e desenfreado que é sair com alguém… a essa hipótese, a pessoa deprimida geralmente ria secamente no auto-falante dos fones do telefone que ela usava no limite do seu cubículo e se perguntava-se se era sequer necessário entrar no porquê seusproblemas de confiança e sua depressão intratável davam a essa ideia um ar de pura ilusão e negação, na melhor das hipóteses.
Já nesta fase do processo de luto, a agonia emocional da pessoa deprimida havia sobrecarregado tão completamente seus mecanismos vestigiais de defesa que, quando um membro do Sistema de Apoio finalmente dizia estar terrivelmente desolado mas teria realmente que sair do telefone, o instinto primitivo agora levava a pessoa deprimida a engolir todos os últimos destroços de seu orgulho e implorar descaradamente por dois ou mesmo um minuto a mais da atenção e do tempo da amiga, e — se o “amigo solidário” se mantivesse firme e encerrasse a conversa — passar qualquer tempoouvindo estolidamente ao toque de discagem ou roendo a cutícula despedaçada de seu dedo indicador ou roçando a palma de sua mão selvagemente em sua testa ou sentindo nada além de puro desespero enquanto ela ligava apressadamente para o próximo número de dez dígitos em sua Lista Telefônica do Sistema de Apoio, que a esta altura havia sido fotocopiada diversas vezes e colocado na agenda da pessoa deprimida, no arquivo CELULAR.VIP de seu computador, caderno de notas, cadeado no Centro de Nutrição e Mioterapia, e em um bolso especial dentro da contracapa de couro de seu Diário de Sentimentos que a pessoa deprimida — por sugestão de sua finada terapeuta^5 — carregava com ela todas as vezes.
Era nesse mesmo ponto, movida pelo desespero em abandonar todas as defesas e partilhar todos seus sentimentos mais intensos com o que era possivelmente o mais confiável e indispensável membro de seu Sistema de Apoio, que a pessoa deprimida dissera sentir ter achado, de certo modo, finalmente, a motivação para arriscar seguir a penúltima sugestão da terapeuta superdosada que ela (ou seja, a pessoa deprimida) havia veementemente resistido trabalhar ao curso de seu esforços juntos. A pessoa deprimida propusera então tomar um risco emocional sem precedentes e começar a pedir a certas pessoas importantes em sua vida para lhe contar se haviam sentido secretamente contentamento, escárnio, julgamento ou repulsão por ela, e estava escolhendo começar esse vulnerável processo interrogativo com um membro particulamente carinhoso e seguro de seu Sistema de Apoio com quem ela partilhava através de seu celular nesse exato momento.^6 Ela resolvera, a pessoa deprimida partilhara, perguntar essas potencialmente traumatizantes perguntas sem preâmbulo ou desculpa ou autocrítica interpolada. Ela deseajra ouvir, sem rodeios, a opinião honesta de sua mais valorosa amiga, tanto as partes potencialmente negativas e críticas e traumáticas e ofensivas como as positivas e afirmativas e solidárias e carinhosas. A pessoa deprimida insistia que estava séria quanto a isso: o julgamento honesto dela por um confidente objetivo porém profundamente carinhoso parecia, naquele momento, como uma questão literalmente de vida ou morte.
Pois estava temerosa, confessara a pessoa deprimida à amigaconfiável e convalescente, profundamente temerosa pelo que sentiu estar descobrindo sobre si mesma após a morte súbita da terapeuta que por quase quatro anos havia sido seu recurso mais valoroso e suporte mais confiável e–sem querer ofender qualquer membro de seu Sistema de Apoio–sua melhor amiga no mundo. Pois descobrira, a pessoa deprimida confessara, que quando ela tirava seu Tempo de Sossego diário, durante o processo de luto, e ficava quieta e centrada e olhava fundo para dentro de si, ela não podia sentir ou identificar quaisquer sentimentos pela terapeuta como uma pessoa, uma pessoa que havia falecido, uma pessoa que apenas alguém em negação estupefata e real poderia falhar em ver que provavelmente havia tirado a própria vida, logo, uma pessoa que, a pessoa deprimida postulara, sofria possivelmente de níveis de dor emocional e isolamento e desespero que eram comparáveis ou até excediam aos da pessoa deprimida. E, portanto, apesar da pessoa deprimida ter tido sentiumentos agonizantes em demasia desde o suicídio da terapeuta, estes sentimentos aparentavam ser todos e apenas por ela, ou seja, por sua perda, seu abandono, seu luto, seu trauma e dor e sobrevivência afetiva primária. E esse conjunto assustador de realizações, em vez de despertar nela sentimentos de compaixão, empatia, ou luto escapista para a terapeuta–e aqui a pessoa deprimida esperou pacientemente para um episódio de desabafo com uma amiga confiável e especialmente acessível passar para que ela pudesse tomar o risco emocional de partilhar isso com ela–estas realizações aparentavam ter meramente despertado na pessoa deprimida ainda mais sentimentos sobre si mesma. Nesse ponto, partilhando, a pessoa deprimida parava para gritar a torto e a direito com sua amiga distante, gravemente doente, frequentemente mesquinha, mas ainda carinhosa e íntima que não havia ódio próprio e tóxico ou manipulativo nessa confissão, apenas profundo medo: a pessoa deprimida estava temerosa por si mesma, pelo que era “ela”–ou seja, seu “espírito” ou “alma”, sua capacidade para empatia humana e compaixão básicas–contou ela à amiga solidária com neuroblastoma. Ela perguntava sinceramente, a pessoa deprimida dissera, honestamente, desesperadamente: que tipo de pessoa poderia sentir nada–“nada.” Ela enfatizava–por ninguém além de si mesma? Ela chorou no fone e disse que estava que estava implorando descaradamente agora por sua mais valiosa e confidente amiga no mundo para partilhar com ela (ou seja, a amiga com a malignidade virulenta em sua medula adrenal) seu avaliação brutalmente cândida, sem esconder nada, sem dizer nada tranquilizante ou solidário ou ilibatório que ela não acreditaria ser verdade. Ela confiava nela, garantiu-a. Ela tinha decidido, ela partilhara, que sua própria vida, tão cheia de agonia e desespero e indescritível solidão que fosse, dependia, neste ponto em sua jornada em rumo à cura, em convidar–mesmo, se necessário, implorando descaradamente–opinião honesta, mesmo que essa opinião seja traumática ou dolorosa. A pessoa deprimida logo insistiu que a amiga proseguisse, não se contesse, falar tudo: Quais termos poderiam ser usados para descrever e aferir a um parasita e vácuo emotional sem fundo, solipsista e auto-consumido que ela agora aparentava ser? Como poderia ela decidir e descrever–até para si mesma, encarando a si–o que tudo que ela aprendera dizia sobre ela?
¹ Os contornos multiformes que os dedos unidos da terapeuta assumiam quase sempre lembravam jaulas geometricamente diversas, uma associação que a pessoa deprimida não havia compartilhado com a terapeuta porque seu simbolismo parecia tão claro e simplista para perder seu valoroso tempo juntas. As unhas da terapeuta eram longas e bem cuidadas, enquanto que as da pessoa deprimida eram tão compulsivamente roídas que a carne às vezes arrojava-se e começava a sangrar espontaneamente.
² A terapeuta da pessoa deprimida era sempre extremamente cuidadosa em evitar aparentar sugerir que ela (ou seja, a pessoa deprimida) havia em qualquer condição escolhido ou escolhido se agarrar sua depressão endógena. Defesas contra a intimidade, a terapeuta dizia, eram quase sempre mecanismos de sobrevivência vestigiais ou reprimidos: eles tinham, em um período, sido ambientalmente adequados e servido como defesa para uma outrora psique infantil desamparado contra traumas insuportáveis, mas em quase todos os casos esses mecanismos se tornaram inapropriadamente impressos e sobreviveram a seus propósitos, e agora “na maioridade,” ironicamente, causou muito mais trauma e dor do que evitou.
³ A terapeuta–que era substancialmente mais velha do que a pessoa deprimida porém mais nova do que a mãe da pessao deprimida, e lembrava que essa mãe em quase nenhum aspecto–por vezes irritava a pessoa deprimida com seu hábito de tempo em tempo olhar de soslaio rapidamente para o largo relógio de bronze com desenho de raios solares na parede atrás da poltrona na qual a pessoa deprimida sentava costumeiramente, olhando tão rápida e quase furtivamente ao relógio que o que incomodava a pessoa deprimida mais e mais ao longo do tempo não era o ato em si mas o aparente esforço da terapeuta em esconder ou disfaçar. Uma das mais importantes descobertas da terapeuta, a pessoa deprimida contara aos membros de Sistema de Apoio, viera quando ela havia finalmente conseguido partilhar que preferia que a terapeuta simplesmente olhasse abertamente para o relógio de bronze com formato de sol em vez de aparentemente acreditar–ou pelo menos se comportando, da perspectiva reconhecidamente hipersensível da pessoa deprimida, como se acreditasse–que a pessoa deprimida hipersensível poderia ser enganada pela desonestidade da terapeuta dissimulando uma observação do tempo em algo designado para parecer como um movimento de rotina da cabeça ou dos olhos. E que enquanto eles estavam naquele assunto, a pessoa deprimida tivera de confessar que às vezes ela se sentia humilhada e enraivecida quando a face da terapeuta assumia sua expressão habitual de paciência infinita, uma expressão que a pessoa deprimiad dissera saber muito bem ser destinada a comunicar atenção e apoio incondicional mas que às vezes parecia à pessoa deprimida como distanciamente emocional, como a cortesia profissional que ela estava pagando em vez da compaixão e empatia intensamente pessoais que ela por vezes sentia ter passado a vida toda esperando. Estava, em certas vezes, ressentida, ela compartilhara, em não ser nada além do objeto da cortesia profissional da terapeuta ou de seus supostos “amigos” na caridade do “Sistema de Apoio” e culpa abstrata.
^4 Ou mesmo que, por exemplo, para ser totalmente sincero, era humilahnte e até insultante saber que hoje (ou seja, o dia da sessão seminal durante a qual a pessoa deprimida se abrira e se arriscara a partilhar todos esses problemas e emoções sobre a relação com a terapeuta), no momento em que acabara seu horário juntas e se ergueram de suas respectivas poltronas e se abraçaram sem jeito e disseram seus adeus até a próxima consulta, que naquele momento toda a atenção aparente e intensamente focada e interesse na pessoa deprimida seriam então retirados e transferidos com facilidade para o próximo mimado egoísta e chorão de dentes protuberantes e nariz de porco e gordurosa comedora de bosta patética que esperava para aparecer e se pendurar pateticamente na barra da saia da terapeuta, tão desesperada por uma pessoa pessoalmente interessada que pagaria quase tanto por mês pela temporária ilusão de um (ou seja, um amigo de verdade) que o maldito aluguel. Isso, por mais que a pessoa deprimida soubesse bem, ela dissera, segurando uma mão de unhas roídas para evitar interrupções, que o distanciamento da terapeuta profissional não era na verdade nem um pouco incompatível com o verdadeiro cuidado, e que significava que a pessoa deprimida poderia pela primeira vez ser totalmente aberta e honesta sem ter que temer que a terapeuta levaria algo pro lado pessoal ou a julgaria ou de alguma forma ressentisse ou rejeitasse a pessoa deprimida; que, ironicamente, de certo modo, a terapeuta era na verdade a amiga absolutamente ideal para a pessoa deprimida; ou seja, era, afinal, uma pessoa que ouviria e cuidaria verdadeiramente e atenciosamente e daria apoio emocional e simpatia e ainda não esperaria absolutamente nada de volta em termos de simpatia ou apoio emocional ou qualquer consideração humana que fosse. A pessoa deprimida sabia perfeitamente bem que era, na verdade, os 90 dólares por hora que faziam o simulacro de amizade do relacionamento terapêutico tão idealmente honesto e parcial. E, no entanto, ela achou se sentiu humilhada ao se ver gastando 1080 dólares ao mês para perseguir o que era em muitos aspectos apenas um amigo de fantasia que preenchia suas (ou seja, a pessoa deprimida) fantasias infantis em alcançar suas necessidades emocionais por um Outro sem ter de empatizar com ele ou mesmo considerar as necessidades humanas válidas do Outro, uma empatia e consideração que a pessoa deprimida depois confessara chorosa que por vezes se desesperava de até mesmo ter nela para poder doar. A pessoa deprimida inserira aqui que ela secretamente se preocupava constantemente de que era sua própria inabilidade em sair de sua necessidade auto-centrada e realmente se dar emotionalmente que fizeram seus esforços em relacionamentos íntimos e mutualmente zelados com homens um fracasso tão traumático e agonizante. E que seus ressentimentos sobre o custo da terapia eram na verdade menos sobre a despesa em si — que ela admitira livremente poder pagar — do que sobre a ideia de pagar por uma relacionamento parcialmente artificial, a pessoa deprimida ria, então, ocamente para indicar que ouvira ou reconhecera o eco inconsciente de seus frios e emocionalmente indisponíveis pais sovinas na estipulação de que o que era condenávelera a ideia ou “princípio” de uma despesa. O que realmente parecia que às vezes se o custo terapêutico por hora eram uma espécie de compensação ou “dinheiro de proteção,” comprando a pessoa deprimida uma isenção do escaldante auto-contentamento interno e da mortificação em telefonar amigos antigos e distantes que ela sequer colocara os malditos olhos em anos e não tinha alegação legítima na amizade e telefoná-los sem convite à noite e invadir suas vidas funcionais e alegre e ignorantemente divertidas, senão um pouco vazias e inconscientes, e apelando descaradamente às suas compaixões e se apoiando descaradamente neles e tentando articular a essência de sua incessante dor emocional quando essa mesma dor e desespero e solidão deixavam-na, a pessoa deprimida sabia, envolvida demais em si para algum dia Estar Lá de verdade em retorno aos seus amigos solidários a contactarem e se apoiarem nela em retorno, ou seja, a pessoa deprimida era pateticamente faminta e gananciosa de tudo que apenas um completo idiota não esperaria que os membros de seu suposto “Sistema de Apoio” detectassem tudo facilmente, e se sentissem repelidos, e ficassem no telefone apenas pela mais abstrata caridade humana, enquanto isso rolando seus olhos e fazendo expressões e olhando para o relógio e desejando desesperadamente que a ligação acabasse ou que a pessoa deprimida fosse ligar para outra pessoa ou que a pessoa deprimida nunca tivesse nascido e sequer existisse “se verdade fosse dita,” se a terapeuta realmente quisesse “completa e honesta partilha” que ela continuamente “alegava querer,” a pessoa deprimida chorosamente confessora depois ao seu Sistema de Apoio ter sibilado ridiculamente para a terapeuta, seu rosto (ou seja, o rosto da pessoa deprimida) se contorcera no que ela imaginara ter sido uma repulsiva mistura de raiva e auto-comiseração. Se a terapeuta realmentequeria a verdade, a pessoa deprimida havia finalmente partilhado de uma posição fetal e debruçada debaixo do relógio cor-de-sol, soluçando incontrolavelmente, a pessoa deprimida realmente sentiu que o que era realmente injusto era que ela não podia, mesmo com a terapeuta confiável e admitidamente cheia de compaixão, comunicar a agonia terrível e contínua de sua depressão em si, agonia essa que era uma ralidade principal e primordial de cada minuto acordada — ou seja, sem poder partilhar como se sentia, como realmente se sentia a pessoa deprimida sendo literalmente incapacitada de partilhar, como por exemplo se sua própria vida dependesse de descrever mas só lhe fosse permitido descrever sombras no chão… A pessoa deprimida ria, então, secamente e pedia desculpas à terapeuta por usar tal analogia cheia de floreios dramáticos. Ela partilhou tudo isso depois, com seu Sistema de Apoio, após a morte da terapeuta de cafeinísmo homeopático, incluindo sua (ou seja, da pessoa deprimida) reminescência de que a demonstração de atenção da terapeuta durante esta sessão seminal porém torpe e humilhante havia sido tão intensa e profissionalmente descompromissada que ela havia piscado com muito menos frequência do que qualquer ouvinte que a pessoa deprimida havia se aberto cara-a-cara. Os dois atuais membros mais especiais e confiáveis de seu Sistema de Apoio responderam, quase verbatim, que isso soara como se a terapeuta fosse muito especial e a pessoa deprimida obviamente sentia muita falta dela; e um amigo distante, fisicamente combalido, particulamente confiável e valioso, a quem a pessoa deprimida se apoiava mais profundamente do que em qualquer outro amigo durante o processo de luto, segeriu que o jeito mais amável e apropriado para honrar tanto a memória da terapeuta como o luto sobre sua perda poderia ser a pessoa deprimida tentar se tornar tão especial e carinhosa consigo mesma como a falecida terapeuta havia sido.
^5 Como parte natural do processo de perda, detalhes sensíveis e memorias afetivas inundaram a psique agonizada da pessoa deprimida em momentos aleatórios e imprevisíveis, pressionando-a e clamando por expressão e processamento. A calça de camurça, por exemplo, pois a terapeuta parecia quase afeiçoada como um fetiche ao seu vestuário Nativo Americano e durante o clima frio a vestira, aparentemente, quase diariamente, era sempre imaculadamente limpo e sempre apresentava um fundo imaculadamente cru e úmido com cor-de-pele para as armações varioformes que as mãos inconscientes da terapeuta compunham. Nunca foi tão claro como ou por qual processo a autêntica calça de camurça da terapeuta conseguia se manter tão perfeitamente limpa — a não ser, a pessoa deprimida confessara imaginar, que a terapeuta vestisse apenas para seus compromissos particulares. O escritório fresco da terapeuta também continha, na parede oposta ao relógio de bronze e atrás da poltrona da terapeuta, uma belíssima mesa de computador de molibdênio, da qual uma prateleira estava alinhada, em ambos os lados da cafeteira Braun de luxo, com pequenas fotografias do marido e irmãs e filhos da terapeuta; e a pessoa deprimida com frequência cedia a novos choros de luto e auto-escoriação no fone de ouvido do telefone de sua estação de trabalho ao confessar ao Sistema de Apoio que ela nunca sequer perguntara à terapeuta o nome de seus íntimos entes queridos.
^6 A mais valiosa e solidária amiga em seu telefone era uma aluna de um dos internatos da pessoa deprimida, uma generosa mãe cuidadosa de dois filhos em Bloomfield Hills, Michigan, que recentemente havia concluído seu segundo curso de quimioterapia de um neuroblastoma virulento, que muito reduzira o número de atividades e responsabilidades em sua vida cheia, vibrante e não-deprimida, e quem, portanto, estava não só quase sempre em casa como também usufruia de tempo e disponibilidade ilimitada e livre de conflitospara partilhar no telefone, pelo qual a pessoa deprimida agora tinha o cuidado de escrever uma oração de gratidão diária em seu diário de Sentimentos.