Antecipação
fiz de joelhos
o que saciaria
a fome que vem
de nossa primeira conversa.
você me procurou
não em retribuição
mas em sede
de me desidratar.
eu segurei tuas mãos
já que não podia
te segurar inteira
e
quando roubei tua voz
eu finalmente achei a minha
abafada na marca
que deixei
no teu ombro.
você me pediu descanso
e eu te pedi que não pensasse
no meu corpo ou no seu,
mas sim em quantas vezes
você já tinha imaginado
aquela cena na sua cabeça
no seu quarto
no seu banheiro
no seu chão gelado
nas suas costas suadas
e na sua boca desesperada
por mim.
nesses lugares eu contei
uma infinidade de maneiras
de te fazer gostar de mim
onde eu vi surgir
uma constelação
de sinais de nascimento
como uma trilha, um mapa que eu segui com a boca
procurando não chegar no tesouro
mas em dar voltas, sem querer largar da tua pele.
e quando for de manhã
você vai entender
que não faz sentido
acordar e não beijar dez vezes
(antes de abrirmos os olhos)
e ter o outro na boca
(antes mesmo de sair da cama)
e bagunçar por inteiros os lençois
até que eles finamente aceitem
que eu e você não vamos sair daqui
tão cedo.
enquanto a fome não doer
e a sede não maltratar
e o tédio não ficar imenso
peço que não paremos
porque se você tem vontade
nada mais justo que a gente continue.