“Eu nunca imaginei que você pudesse ter algum interesse por mim… a não ser como uma curiosidade divertidamente rabugenta e excêntrica.”

Faça Os Leitores Se Importarem

Enredos que não vão a lugar nenhum ou personagens que não inspiram nenhum interesse são fatais para as suas histórias. Se nada de interessante acontece em um livro, os leitores são mais inclinados a largá-lo. Se os personagens não instigam os leitores — suas mentes, emoções ou curiosidade — a mesma coisa acontece — leitores deixam os livros de lado sem chegar até o fim.

O objetivo dos escritores, então, é instigar os leitores e fazer isso o mais cedo possível.

Não estamos mais no tempo em que um livro pode passar de 50 a 75 páginas ou mais antes da história engrenar de verdade. De fato, algumas histórias e gêneros permitem uma abertura mais sossegada. Mas ao menos que você esteja os pagando para ler ou eles estejam lendo um livro maçante como uma forma de exercício, os leitores de hoje simplesmente não vão te dar 50 páginas para os encantar. Eles tem muitas outras formas de passar o tempo e se você não pegar a atenção deles nas primeiras páginas, eles irão embora. E levarão uma péssima impressão da sua habilidade de escrever, que será revivida sempre que verem o seu nome na capa de um livro.

Você geralmente tem uma chance para envolver os leitores e, uma vez que não consiga, é provável que não tenha outra. Não com a mesma história.

Meu conselho para você hoje é simples: faça o leitor se importar. E faça isso cedo na história. E em depois com frequência na história.

E, enquanto fizer isso, use diferentes técnicas e personagens para garantir que os leitores tenham algo interessante para ler enquanto seguem eles capítulo por capítulo até a conclusão da história.

Para cada história, cada cena, cada evento — faça os leitores se importarem.

Você nunca quer o leitor dizendo: “E daí? Qual o propósito dessa cena [ou evento]?”

Mesmo quando leitores não entendem o propósito de cada parte da ação ou cada frase de diálogo, você ainda os quer prestando atenção e interessados. Você os quer envolvidos. E isso acontece quando o enredo e os personagens são envolventes.

Você quer os leitores atentos, se importando com o que acontece com os personagens ou o que acontece em seguida. Você quer os leitores sentando reto e prestando atenção, ansioso para não perder uma palavra ou situação sequer.

Escreva de forma que os leitores prestem atenção. Faça os se importar sobre o que está acontecendo e o que pode acontecer. Faça eles anteciparem e temerem as possibilidades que você teceu tão sorrateiramente em seu texto.

Páginas de abertura

Nas suas páginas iniciais, a menos que você esteja escrevendo uma série, tudo é novo para o leitor. Existem dezenas de maneiras de interessar os leitores que vem até o seu livro querendo ser enfeitiçados pelo seu mundo ficcional. Você pode:

  • Apresentar um personagem inesquecível
  • Estabelecer um mundo intrigante
  • Compor um tom ou humor irresistível
  • Jogar os leitores em um conflito estimulante

Leitores são predispostos a gostar do seu livro: eles ficaram intrigados pela capa, orelha ou descrição de um amigo; eles sabem o gênero e tem expectativas de que seu livro irá respeitar às especificidades do gênero que eles tanto amam; eles leram as primeiras páginas e ficaram vidrados; ou então já conhecem alguns de seus outros livros. Qualquer que seja a razão, a maioria dos leitores quer amar sua história, quer se perder no seu mundo imaginário com seus personagens imaginários e seus dramas tão reais.

Não precisa-se de muito pra ganhar o leitor nas primeiras páginas. Mas precisa-se de algo.

Faça o leitor se importar com um personagem ou com o mundo da história de imediato. Depois, procure por jeitos de continuar fazendo ele se importar durante a história.

Primeiro Terço do Livro

Uma vez que o leitor esteja vidrado no começo da história — realmente vidrado — você pode se aproveitar por um tempo do interesse que provocou nas primeiras páginas. Mas em algum momento você tem que dar ao leitor algo novo para se pensar.

O gancho original da história não é o bastante pra fazer um leitor passar por 400 páginas de enredo.

Assim que terminar a introdução do enredo, personagem e local, você tem que manter o interesse do leitor. Escritores fazem isso tipicamente com a introdução de novos personagens, desafios para os protagonistas e ações ou eventos que balancem tanto personagens como leitores.

Nesse ponto em um trabalho de ficção longo, você pode enviar personagens, enredo e leitores para uma nova direção, explodindo as expectativas dos leitores e os lembrando de que essa é uma nova história que não vai exatamente aonde eles esperam que vá, não importa o quanto encaixe nas convenções do gênero.

Mesmo que você nem sempre consiga variar sua história até chegar ao final — você tem que seguir as plot lines e personalidades dos personagens que você estabeleceu durante o livro — você pode dar uma chacoalhada no primeiro terço da história. Uma história previsível não instiga o leitor do mesmo jeito que uma história pouco familiar faz. Uma história previsível pode ser lida com um olho enquanto o outro faz coisas diferentes. Uma história fresca, uma que o leitor não consegue prever, mantém o seu foco. E o seu interesse. É isso que você quer do leitor — sua atenção convicta e seu interesse.

Use o primeiro terço da sua história para:

  • Apresentar personagens, seus objetivos e motivações — isso inclui as do antagonista
  • Preparar obstáculos e desafios para os personagens principais
  • Revelar algumas de suas forças e fraquezas
  • Escrever eventos de ação que levem a história adiante
  • Aprofundar os traços do seu mundo fictício
  • Fazer personagens e leitores sentirem uma amplitude de emoções
  • Mostrar o que está em jogo
  • Dar aos personagens razões para eles se arriscarem não importa o que esteja em jogo
  • Apresentar um mistério ou um dilema que não possa ser resolvido numa cena só
  • Induza a antecipação do leitor

Garanta que todas as cenas tenham um propósito. Na verdade, dê múltiplos propósitos para as cenas. Use camadas para acrescentar diferentes elementos a ela, para que cumpra diversas funções. Todas as cenas devem avançar o enredo, revelar mais de um personagem, estabelecer ou mudar o tom ou humor ou aumentar o nível de conflito. Se ela alcança vários desses propósitos ao mesmo tempo, você escreveu uma cena forte e coesa.

Cenas com elementos relacionados afiam o nó da história, tornando-o mais difícil de se desfazer. Procure por maneiras de combinar intencionalmente os elementos da cena para que ela sirva a mais de uma necessidade.

Meio do livro

Por tanta coisa acontecer nos capítulos do meio — e por tantos eventos e diálogos incluirem explicações e backstory (e até flashbacks) — o meio do livro pode ficar enrolado, prendendo não só os personagens em cenas ou lugares por várias páginas quando deveriam entrar e sair em minutos, mas prendendo e frustrando também os leitores.

Não pense que os capítulos do meio do seu livro são restritos a personagens estabelecidos e seus problemas. Você sempre pode introduzir novos personagens ou revelar traços desconhecidos de personagens existentes nesses capítulos, especialmente os mais próximos do começo.

Você pode acrescentar ou remover personagens no meio do livro — e ambas as opções são bons métodos de chacoalhá-los. E quando personagens estão perturbados, seus leitores também estarão. Quando emoções estiverem envolvidas, seus leitores se importarão.

Para capítulos do meio, pense em mudança. Não permita que o status quo permaneça inalterado por muito tempo. Você pode ficar em um ritmo de escrita onde cada cena tenha a mesma duração, que dê a cada sentença o mesmo padrão ou estrutura, mas a uniformidade embala o sono do leitor.

Quebre padrões e ritmos.

Dê aos leitores uma variedade de cenas e capítulos de diferentes durações. Faça com que diferentes personagens abram ou encerrem capítulos. Mude o lugar. Mate um personagem. Revele um segredo. Mude algo. Mude vários algos.

Introduza algo diferente para recapturar a atenção do leitor. Torne imperativo que ele preste atenção.

Acelere ou diminua o ritmo. Quebre algo. Introduza uma traição.

Block the protagonist’s progress; frustrate the antagonist so he tries even harder to ruin the protagonist. Have friends of both protagonist and antagonist desert them. Embarrass characters so they must go to great lengths to save face.

Bloqueie o progresso do protagonista; frustre o antagonista para que ele tente ainda mais arruinar o protagonista. Faça com que os aliados de ambos os lados os desertem. Envergonhe personagens de forma que eles façam de tudo para recuperar a sua moral.

Aumente os riscos para que apenas alguns personagens se mantenham em curso.

Use os capítulos do meio para:

  • Revelar a verdadeira natureza de seus personagens principais
  • Leve personagens até e além do caminho sem volta
  • Mostre elementos do seu mundo ficcional que ajude ou prejudique os personagens
  • Construa o enredo para que os eventos sejam convenientes, inevitáveis e casualmente relacionados
  • Mostre os personagens como vulneráveis
  • Crie antecipação para o clímax ou confronto

Os eventos e a pegada do começo do meio serão diferentes do final do meio — quanto mais perto uma história chega do clímax, mais veloz ela deve ficar. Velocidade é um termo relativo, é claro, e algumas histórias não vão apressar até o final como outras vão, mas todas as histórias devem dar ao leitor a sensação de movimento, de estar indo a um lugar onde algo explosivo irá acontecer, eventos irão colidir e respostas serão reveladas.

Se os leitores não sabem que algo vai acontecer, que o mundo do personagem principal não corre o risco de se desfazer, então você não está dando a eles muitos motivos para continuar sua história.

Seduza-os com a promessa de algo climático, com a possibilidade de devastação e uma leve possibilidade de sucesso incontestável. Mas faça o desenlace parecer incerto; é claro que você quer que o final pareça inevitável quando chegar, mas você não quer que seja previsível. Inclua razões nos capítulos do meio para o porquê de ser improvável que seu protagonista consiga — seus amigos o abandonaram; ele teme sua própria força e teme suas fraquezas; ele nunca ganhou algo de um determinado oponente; o que ele está tentando conseguir nunca foi feito.

Aqueles Capítulos Finais

Assim que tiver o leitor antecipando o final, você tem que cumprir o que prometeu. E mais.

Os capítulos que levam diretamente ao clímax devem ser irrefreáveis. Devem sempre seguir em frente, com todos os elementos e partes distintas se unindo em sequências lógicas que se encaixam em tudo que veio antes e satisfaçam o leitor.

O ritmo definitivamente deve começar a andar. Se o ritmo da sua história não aumenta por volta dos dois terços, volte e refaça suas cenas a partir desse ponto.

Aumente o nível de antecipação do leitor. Faça ele se perguntar como você vai resolver os menores e maiores problemas da história. Coloque os personagens nos lugares para que possam fazer suas partes.

Nos capítulos finais, você tem que entregar o clímax e ele tem que encaixar tudo que você incluiu até aquele ponto. Para os capítulos do fim:

  • Cresça até o clímax
  • Escreva e inclua de fato uma cena climática
  • Faça o protagonista o responsável pelo final da história — essa não é a hora de introduzir novos personagens ou por personagens secundários para salvar o dia
  • Garanta que o clímax aconteça realmente — não existem sumários no clímax
  • Solucione conflitos principais — amarre pontas soltas
  • Inclua uma resolução — mostre ou conte o que acontecerá ao protagonista depois do confronto final com o antagonista (ou com seu problema)
  • Mostre o que custou para o protagonista seguir com suas convicções
  • Pare a história sem arrastar a resolução por páginas

Algumas dessas sugestões obviamente irão se encaixar em mais de uma seção do livro. A questão é: você quer os leitores envolvidos. E você tem que conscientemente dar a eles material envolvente em cada estágio da história. Você pode perder leitores em cada etapa, mas se você estiver consciente disso, da necessidade de encantá-los por todo o livro, é mais provável que você inclua os elementos da história que segure a atenção deles.

Se você faz os leitores se importarem sobre seus personagens principais e seus problemas, além de tornar cada cena relevante e cada pequeno diálogo intencional, é ainda mais provável que os leitores o seguirão até a última página. E se você satisfizer o leitor que passou a aventura inteira com você e seus personagens com um final que amarre todos os nós que você apresentou, então você provavelmente ganhou um leitor para o seu próximo livro.

Dê uma razão para os leitores se importarem. Não dê a eles qualquer razão pra perguntar “e daí?” em relação a um evento, seção, diálogo ou decisão de personagem da história. Dê aos personagens histórias que os desafiem e que prendam o interesse do leitor.

Torne suas histórias empolgantes tanto para aqueles que vivem nelas como para aqueles que leem as aventuras que você cria.

Escreva histórias que capturem e segurem seus leitores.

Original: http://theeditorsblog.net/2014/03/17/make-readers-care/

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