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De forma rápida e fugaz passamos sobre ela, a vida, questionando sobre a semântica de todos os seres e sobre nossos próprios signos. Diferenciamos-nos das pedras, terras e coisas inanimadas por dois principais fatores: transformamos a matéria espontaneamente e somos capazes de gerar nossos semelhantes sob condições específicas, em suma, estamos vivos.

E mesmo com todas nossas opiniões e conhecimentos, necessitamos de um significado, um “algo a mais” sobre a nossa vida, assim como um cego procura um interruptor que lhe dará a luz que nunca será capaz de ver. Pois mesmo que houvesse um significado maior e universal à vida, pelo fato de estarmos dentro dela, não seríamos capazes de entendê-lo por completo, por não haver qualquer referencial externo.

Grandes mentes já transcorreram este tema, e racionalmente falando, há mais significado em não haver um sentido universal da vida, do que em um suposto significado.

Wittgenstein argumentou sobre esta pergunta nos fornecendo uma opção apaziguadora mas, que perturba nossas mentes. Por meio de seus estudos, a palavra “sentido” possui três principais interpretações, e todas as três necessitam de referenciais “externos” ao tema. Sentido (direcional), significado e objetivo; sendo que os três necessitam de dois referenciais, e na vida possuímos somente um, o interno. Logo, aos vivos que nunca morreram, a pergunta não faz sentido, apesar de ser estruturado como pergunta, não possui resposta válida.

Já para Camus, o sentido há de ser atribuído por nós, pois os que vivem e apenas estes, são os interessados pelo sentido da vida, e na ausência de outros para atribuí-lo, para nosso próprio bem, o façamos nós mesmos.

Criamos a necessidade de um sentido para nossas vidas para termos um motivo para aguentar todas as tristezas e melancolias, alegar que a felicidade é nosso objetivo e nos mantermos, principalmente, vivos. Se apenas o homem, como racional que se torna após milhares de anos de seleção natural, é o único que possui a vontade e a necessidade de atribuir um signo a sua existência, que atribua por sí próprio. Concordo com Camus neste ponto, pois apenas aqueles que desejam conhecimento poderão provê-lo à outros, realizando uma eterna troca de conceitos e seus conhecimentos sobre estes. Porém, destaco a necessidade de que haja uma busca individual deste sentido.

Se houvesse um sentido universal à nossas vidas, que por todos os que são capacitados a pensar, aceitassem, não mais haveria qualquer necessidade de raciocinarmos em geral. Ao ponto que, se sabemos o porquê de estarmos naquela situação, seu desfecho se apresentaria óbvio e imutável, tal qual uma gaiola, e não haveria uma razão para tentarmos fugir, por meio do raciocínio que nos influiria em decisões, de algo que estará sempre conosco. A busca do sentido da vida nos dá a oportunidade da reflexão, a oportunidade de melhorarmos nossas vidas.

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