A Igreja em Missão: A Dimensão da Obra

“O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo; o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes, e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos” (Mateus 13.31–32).

Por que a palavra cristão não evoca imagens de pessoas virando o mundo de cabeça para baixo? Essa é uma pergunta ao mesmo tempo cativante e atormentadora feita por Walsh e Middleton, que escrevendo sobre cosmovisão cristã, observam que conquanto a visão de mundo bíblica seja completa e suficiente para toda área da existência humana, não é vivida nem vigorosamente propagada por aqueles que dizem ser cristãos.

Na parábola da semente de mostarda temos uma imagem interessante: algo minúsculo que se torna gigantesco, e que por causa disso passa a chamar atenção das aves para servir de seu abrigo. Lembremos que essa é uma das parábolas conhecidas com Parábolas do Reino, e como tal ela profetiza uma realidade que um dia será plenamente cumprida (já está sendo cumprida). Em uma visão escatológica sadia, entendemos que o Reino de Deus é sua igreja aqui na terra. Essa parábola está falando de um tempo em que o Reino de Deus, que começou minúsculo (com apenas um Homem e doze seguidores), um dia tornar-se-á gigantesco a ponto de pessoas de localizações distantes (as aves) virem buscar seu abrigo, sua proteção, seu consolo, sua esperança e sua comunhão. Esse grão é aquela pedra de quem Daniel fala no segundo capítulo de sua profecia, uma pedra que fere a estátua e se torna em grande montanha. É também aquele filete de água que sai de debaixo do limiar do templo e é transformado, na visão do profeta, em um grande rio puríssimo (Ezequiel 47) que se torna habitação de uma quantidade excessiva de peixes.

Esses textos apontam para um e o mesmo fato, a saber, embora o cristianismo tenha começado timidamente, há um poder inerente nele que fará com que os povos sejam atraídos progressivamente para Cristo e assim o Reino de Deus — a Igreja — será majoritário sobre a terra. Ou seja, um dia povos, tribos e nações virão e dobrarão seus joelhos diante do Cordeiro de Deus. Por efeito dessa verdade, uma pergunta surge em nossos corações: Estamos vivendo essa época? Naturalmente a resposta é: plenamente não! O Reino está sendo propagado! Portanto, ainda há demanda na obra de “fazer discípulos de todas as nações”, e muita! Precisamos compreender que há muitos povos não-alcançados. Muitos que ainda dobram seus joelhos para deuses feitos por mãos humanas. Ainda há impérios do mal que guerreiam com muita força contra o Reino, a Igreja de Deus. Inúmeras nações cujo deus não é o Senhor.

A obra que falta para que essa realidade da parábola seja cumprida é imensa. E por que estamos tão inertes? Por que temos uma tendência de sempre apontarmos para outros como os vocacionados para a obra missionária? Por que não nos consideramos fazendo parte dessa obra? John Piper diz que se somos igreja somos envolvidos com missões, pois ou somos enviados, ou somos “enviadores”. Você percebe que não há saída? Você está envolvido na obra missionária. Se você é cristão, você é parte dessa obra.

Isso posto podemos estar certos que se reconhecermos a demanda da obra e desempenharmos o papel para o qual fomos chamados, dirão de nós como disseram de Jasom e alguns irmãos nos tempos da igreja primitiva: “Estes que tem transtornado o mundo chegaram também aqui” (Atos 17.6). E então, qual será sua escolha: continuará sendo peso nulo para a propagação do Evangelho, ou tornar-se-á alguém que transtornará o mundo com a mensagem das Boas-Novas? Dois caminhos, duas atitudes, uma opção! Que tal transtornar o mundo?!