Você tem medo do quê?

E é com essa pergunta que inicio meu texto de estréia.

- Não sei. Eu simplesmente paralizo. — é o que tenho respondido ultimamente.

O medo em nossas vidas pode tomar diversas formas. Algumas mais evidentes e alarmantes que de tão alto que gritam fazem com que a pessoa busque ajuda. Ou outras formas mais sutis, discretas, que aos mais distraídos passaria despercebido e silencioso e exatamente por isso, é um medo manifestado de uma forma muito mais nociva.

Outro dia em sala de aula, no meu curso de especialização, nos foi perguntado sobre nossos maiores medos. Cada um falou do seu e as respostas foram as mais diversas, passando por medo de altura, medo de viajar sozinho, medo de perder as pessoas que ama, medo de fracassar, medo de morrer, entre outras. Não lembro exatamente minha resposta mas foi uma dessas “mentirinhas” também.

Até que uma pessoa entre nós, teve a ousadia de colocar em palavras o que até então para mim era “impronunciável”: “Eu tenho medo de escrever!”

Cataploft! Morri!

Ali estava, em questões de segundos, meu fantasma escancarado. Com nome, cor, cheiro, textura, ânsia de vômito, falta de ar e tudo o que eu tinha direito. Tudo isso somado a uma certa vergonha pela “mentirinha” que eu tinha contato minutos antes, acreditando estar sendo totalmente verdadeira com aquela família formada ali.

Como ela teve coragem de fazer isso comigo? Justo ela? Minha mestra. Uma das pessoas desse mundo que mais admiro? Não é possível que ela sinta esse medo. Não é possível que uma mente brilhante como a dela, num coração gigante como o dela, com tanto para compartilhar e nos ensinar, fique aprisionada nesse medo. Não pode. Está tudo errado.

Quero gritar, lutar e matar esse fantasma que a assombra. Tirá-la desse lugar sufocante. Mas não consigo. Não sei como ajudar. Esse medo também é meu e diante dele também me sinto pequenina dentro dos meus 1,79m. Há anos quero começar a escrever e não consigo. Eu simplesmente paralizo.

E foi assim que percebi algo muito novo e grandioso acontecendo comigo. Naqueles minutos que acompanharam sua fala, uma Luz se acendeu dentro de mim. Eu então decidi que venceria essa batalha. Que se eu não tivesse forças para fazer isso por mim, eu faria por ela. Ou será que fazer por ela seria para mim? Somos todos espelhos uns dos outros, não é mesmo!?

Mas aquele fantasma que antes não tinha nome, nem tamanho, nem cor, nem textura, agora era palpável, visível, acessível e por maior que fosse, não poderia ser invencível. Definitivamente eu percebi que esse fantasma enorme era pequeno diante dos meus desejos.

Desejo imenso de nos salvar (a mim e a ela) dessa prisão. Desejo imenso de me expressar por meio da escrita. Desejo imenso de deixar fluir minha criatividade e compartilhar. Desejo imenso de viver por inteiro. Desejo imenso de ser LIVRE!

E hoje cá estou, quase 6 meses depois, finalmente escrevendo (e publicando) meu primeiro texto. Lógico que já escrevi muito por aí. Já escrevi texto dos outros, já escrevi textos de marketing, escrevo e-mails todos os dias. Mas agora meu desejo e necessidades são outros.

Quero compartilhar por aqui o que penso e sinto sobre a vida. As dores e as delícias de ser quem eu sou. Provocar e ser provocada para juntos expandirmos nossa consciência. E era dessa intimidade toda — com os desconhecidos do World Wide Web - que aquele fantasma me amedrontava.

Mas não amedronta mais. E sabem de uma coisa? Acho que já estou pegando gosto. Topam me acompanhar nessa jornada?

Que tal você tentar dar nome e forma aos seus medos?

Abaixo deixo um texto para inspirar a todos nós.

E deixo aqui minha eterna gratidão à ela. Minha Mestra! Muito obrigada por ter tido a ousadia de compartilhar seu medo conosco. Sua coragem me libertou de minha prisão sufocante. Eu desejo, com todo o meu amor, que a minha liberdade, liberte você!

“Nosso medo mais profundo não é que sejamos insuficientes.

Nosso medo mais profundo é que sejamos poderosos além da medida.

É nossa luz, e não nossa sombra

Que mais nos assusta.

Nós nos perguntamos

Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso e fabuloso?

Na verdade, quem você é para não ser?

Você é um filho de Deus.

Se fingir pequeno

Não serve ao mundo.

Não há nada de luminoso em se diminuir

para que os outros não se sintam inseguros ao seu redor.

Todos nascemos para brilhar,

Como as crianças fazem.

Nós nascemos para manifestar

A glória de Deus que há dentro de nós.

Não é em apenas alguns de nós;

É em todos nós.

E conforme deixamos nossa própria luz brilhar,

inconscientemente, damos permissão aos outros para fazer o mesmo.

Conforme nos libertamos de nosso medo,

nossa presença automaticamente liberta os demais.”

Marianne Williamson