Onde estão os leitores?

Os eventos literários nos carregam para o mundo mágico dos livros. Essa é uma afirmação dos tempos antigos, hoje os organizadores focam no lazer para atrair consumidores. Está garantido o divertimento para as crianças, a novidade dos youtubers, os lounges para encontrar os amigos, os belos livros arte para decoração, as entrevistas com celebridades, os livros de receitas dos chefs da televisão, os belíssimos desenhos para colorir.

O mercado mudou e as editoras e os livreiros, que ainda não pediram falência, tentam sobreviver nessa roda gigante comercial. Nunca tivemos tantas publicações, mas os novos escritores produzem livros zumbis que vagam solitários pelas prateleiras. Os que vendem são os escritores celebridade ou os que contam histórias de sucesso ou impactantes, geralmente baseadas na própria vida. Ainda assim, o cliente pensa duas vezes antes de levar o livro, será mais um para ler quando sair de férias ou ficar de cama. É mais rápido assistir as séries e filmes do que ler seis ou sete livros do autor da série e tentar formar imagens e sentidos a partir da escrita.

E ainda temos o tempo gasto na troca de mensagens pelo celular, na coleta de informações no Google, nas respostas as postagens dos amigos e da família virtual do Facebook, ouvir músicas e ver vídeos no Youtube. E ultimamente também apareceu o Pokemon Go, um bichinho virtual que interage no tempo e local em que você se encontra.

Que delícia responder quando estamos a fim no Whatsapp sem correr o risco do olho no olho e postar no Facebook a foto escolhida com a pose e roupa especial para a data. Tudo irreal e perfeito, em linguagem jovem, basta o toque leve do dedo na tela e a informação ou o entretenimento está ao gosto do cliente.

Esta Bienal do livro estará repleta de ilhas montadas com tecnologia para carregar baterias de tablets e celulares e de prateleiras de livros dos antigos e dos novos. Estão sendo esperados os clientes para comprar tecnologia, procurar os consagrados, pegar autógrafo de celebridades.

Entretanto, ninguém comentou se algum leitor, comum, simples, adulto ou criança, vai aparecer.