É mais fácil perder que achar
Mais fácil ir que ficar
Será?
Meu problema nunca foi sua liberdade
Meu problema nunca foi seu riso frouxo a quaisquer
Meu problema é você perder o caminho de casa
Cê nunca foi boa com mapas
E eu acho tudo só com intuição
Tanto que me achei nas partes altas das suas costas quando te abraçava pra dormir
Você se perde e faz força pra correr
Como se a vida fosse algum tipo de competição de atletismo
E a gente sabe que você corre bem
E eu tenho as pernas curtas e tortas
E os pés pequenos e cansados
Como o peito que arde em choro
Esse é mais um poema que me vem como que psicografado
No meio do ônibus
No meio da rua
No meio de tudo que tenho sentido
Vem você
Correndo
De mim ou pra mim?
Hoje me lembrei do primeiro beijo
De como você parecia descontrolada com esse encontro
E você me olhava como se eu fosse sua deusa
E não me deixou ir
E me tirou do meu caminho
E me levou a uma feira
Ao meio fio
Ao ponto errado
Mas eu achei o caminho de casa
Eu apaguei no carro
E cheguei dizendo em voz alta que delícia era a vida porque você chegou
E a delícia do teu beijo
Que me fazia lavar as roupas mais do que de costume
E você foi me tirando do caminho todo esse tempo
Eu já nem tinha mais caminho
Eu fazia um novo com você
E a gente planejava
Não tanto
A gente só ia
E via
E corria pra ver
E todo aquele deleite de mundo
Era o meu caminho
E nos dias tristes
Teu colo era a mansidão
E o melhor caminho pras minhas lágrimas
Que caminho faço agora, pequena?
Não sei voltar
Não sei ir
Não sei perder tampouco te achar
Nesse caminho corrido que você traçou
Me espera
Meus pés pequenos te alcançam
Se você disser que sim
Meu coração te acompanha
Ainda por todo o mundo
Se você correr
Pra dentro de mim.
24/07/17 (num trajeto de ônibus pra casa com pão quente na sacola)
