Paixão é Libertadores, Amor é Champions League

Uma das coisas que eu mais gosto no futebol, é o fato de que pode ser usado como uma analogia a tudo na vida. Tudo mesmo. Da alegria a tristeza, da tragédia ao banal. E com o relacionamento entre duas pessoas não é diferente. Arrisco-me a dizer que o explica melhor que a literatura.

Assim como a vida a dois, o futebol tem seus extremos, dois lados de uma mesma moeda. Que embora sejam parecidos, quem o vive e o acompanha sabe reconhecer a diferença. Seja a Libertadores da América e a Champions League, ou o Amor e a Paixão.

Um é emoção, violência, passionalidade. Outro é experiência, técnica, sentimento. O primeiro transforma meninos em homens, o segundo os separa. Não é a toa que o slogan de uma é “Pasión”, enquanto a outra prega “Respect”.

Segundo Ceconello, “Liberadores é loucura, psicopatia e caos”. Pergunto a você caro leitor, que predicados definem melhor a paixão senão esses? O que são os apaixonados senão loucos, irracionais e inconsequentes?

No mundo menos caótico das analogias, a paixão é a fumaça, a tensão, o gandula que some e atrasa a partida. É o canto de los hinchas que empurra o predestinado e amedronta os fracos de espírito.

É uma vitória a qualquer custo, a sangue, suor e lágrimas. Você não a merecia, mas festejou como uma velha amiga. A briga ao final da partida é inevitável. Paixão também é feita de cenas lamentáveis.

Já o amor não é nada caótico. É planejado, estudado. Requer técnica, conhecimento e respeito. Não se vence uma Champions League a qualquer custo, é terreno para os melhores, para quem sabe o que faz. É onde lendas se constroem e as farsas chegam ao fim.

E Quem nunca perdeu um amor por não saber cuidá-lo?

Um grande time, assim como um grande amor, se constrói com o tempo. Com dedicação, com filosofia. Na competição respeita-se o adversário, pois ele o conhece melhor que você mesmo. No amor se reconhece as próprias falhas e se entende as de seu parceiro. É um jogo coletivo.

Em ambas, vence quem se entrega. Seja dando o melhor de si, seja fazendo o que nunca se imaginou. Perde quem se reprime, quem se acovarda.