(Reprodução/ TV Globo)

Supermax pode não ser o que o público gostaria, mas é o que a TV precisa

Mesmo com problemas de execução, novo seriado da rede Globo mostra potencial ao sair da caixa

Ainda que Supermax seja transmitido em TV aberta, a nova atração da Globo foi feita para a Internet. Isso por que a narrativa requer uma coisa que só quem a assiste em formato “maratona” terá: paciência. A história demora para engrenar, deixando evidente o vício novelesco da emissora e a falta de experiencia dos produtores, que mantém a parte “reality” do seriado por tempo demais na tela. Porém quando a trama engrena o que se vê é um thriller psicológico de boa qualidade, que se sustenta pelo caráter experimental da obra.

Antes de estrear em formato convencional na última terça-feira (20), Supermax já havia sido disponibilizada quase que na íntegra no último dia 16 — 11 episódios, exceto a season finale — no serviço por assinatura Globo Play. E como fica evidente logo no primeiro episódio, qualquer semelhança com o Big Brother Brasil não é mera coincidência. Seja pela participação especial de Pedro Bial ou pelo enredo batido de 12 pessoas confinadas que realizam provas para comer e estabelecer uma liderança. Troca-se apenas a casa no PROJAC por um presídio fictício no Acre. A emissora carioca não arriscou totalmente, preferindo partir de um terreno seguro para aos poucos ir introduzindo um novo tipo de narrativa nos padrões de ficção internacionais, mais aos moldes do que os fãs de seriados e assinantes da Netflix estão habituados.

É visível a influência de obras como “Lost”, “The Walking Dead”, “The 100” e “Jogos Vorazes”. Mas o êxito dos criadores está criar e introduzir de forma convincente uma mitologia própria, sem repetir estereótipos já batidos da cultura pop. Com nuances de terror psicológico e religioso, a trama criada por José Alvarenga e Fernando Bonassi prende e entretêm de forma surpreendente, gerando curiosidade pelo o que cada novo episódio irá apresentar.

A qualidade visual também é um ponto forte de Supermax. A fotografia, uma mescla de imagens de câmeras de segurança e ângulos sombrios a lá “American Horror Story”, convence e ajuda a criar o clima de tensão presente em cada momento da trama. Os efeitos especiais impressionam pela qualidade e pelo uso pontual desse recurso por parte dos roteiristas.

Mas nem tudo são flores na obra de Alvarenga. O ponto negativo da série fica por conta das atuações canastronas de alguns personagens, com destaque para os dois nomes mais conhecidos do elenco: Mariana Ximenes e Cléo Pires. Ambas as atrizes demonstram claras limitações quando atuam fora do padrão atual da TV aberta e não conseguem em nenhum momento entregar uma atuação profunda e convincente. Não é nenhuma surpresa que os melhores momentos das veteranas, são vistos em situações nas quais estão impossibilitadas de falar ou de elaborar um monólogo coerente.

Mesmo longe de ser o terror sombrio e escancarado dos trailers, Supermax é uma grata surpresa na TV brasileira. Ao assistí-la tente esquecer as referências da TV americana e a veja como ela é: Uma experiência de ficção internacional no Brasil e para o público nacional. E dentro desse contexto ela cumpre a sua função, com os erros e acertos inerentes a um projeto experimental. Se virão outras histórias ou se a TV aberta voltará para a zona de conforto da canastrice novelesca só o tempo dirá, mas por enquanto Supermax é o oxigênio que a TV brasileira precisa.

Like what you read? Give Alison Oliveira a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.