Dica: Arrow, a série do Arqueiro Verde


Stephen Amell é Oliver Queen


Lá em 2000, Bryan Singer arriscou-se ao lançar um filme “live action” sobre os mutantes mais conhecidos da Terra, os X-Men. O risco valeu a pena, pois a franquia X-Men abriu a porta para diversas outras franquias de heróis de histórias em quadrinhos. Em 2001, foi a vez da CW Networks, uma rede de TV dos EUA, se arriscar e relançar uma série de TV sobre o personagem mais famoso e mais querido dos EUA (a meu ver): O Super Homem.

Fato é que o Super Homem tá aí fazendo sucesso há muito mais tempo que X-Men. Ora bolas, o Super Homem é de 1938, tem milhares de histórias publicadas, séries de TV, e filmes (Bryan Singer inclusive largou o terceiro filme de X-Men pra poder dirigir a sua versão de Super Homem nos cinemas, em 2006). Então, já que no início do anos 2000 uma nova febre foi lançada, por que não seguir essa febre com um personagem clássico e amado? Pois muito bem, a CW lançou sua “releitura”, a famosa (e adorada por vários) série Smallville, que contava a infância/adolescência do Super Homem. Particularmente, nunca gostei. Mas porque eu tô falando do Super Homem, se o titulo e o rapaz ao lado são sobre Arrow?

Todos sabem que, em algum momento de Smallville, as coisas começaram a dar muito errado. Foi um milagre a série ter durado tantas temporadas. Quando acabou, foi um alívio. E nunca mais se falou sobre isso, ponto final. Mas, 13 anos depois de X-Men, mais e mais filmes sobre histórias em quadrinhos se tornam cada vez mais rentáveis: X-Men Origins, Wolverine, duas franquias de Spider Man, Watchmen… até mesmo o Ant Boy ganhou filme. A CW então, para não ficar de fora e mostrar que aprendeu com seus erros, resolveu lançar ao mundo uma série de TV sobre o Arqueiro Verde, intitulada de Arrow. A série estreou em outubro de 2012 e, atualmente, está na segunda temporada.

Quando a série estreou, o maior medo de todos era que fosse um “Smallville 2.0″. Atores envolvidos lindos, atrizes que mais parecem bonecas de tão lindas e perfeitas que são, locações de deixar o queixo caído e efeitos especiais melhores do que há 10 anos atrás. Para ser bem sincera, eu duvido muito da qualidade de algo quando vejo que o elenco é composto por atores e atrizes “bonitos” demais. Smallville era assim, The OC era assim, Gossip Girl também — e nunca gostei de nenhuma delas. Me julguem.

Comecei a assistir Arrow ano passado, pela TV (aqui no Brasil é a Warner que passa), gravava alguns episódios na minha SKY, baixava os que eu não conseguia encontrar e assim fui vendo a série. Felizmente, a série caiu nas graças de todos: consegue ter uma certa fidelidade à história dos quadrinhos, os atores convencem, a história não é uma bagunça e o roteiro está ali sendo feito com calma e paciência. Tudo está se encaixando: os redatores e produtores não estão lidando com uma empresa que fica “enfiando goela abaixo” coisas que não deveriam acontecer e a série até mesmo abriu portas para outras séries de personagens de HQs (depois do 8º e 9º episódios, quem não ficou doido pra ver uma série do Flash?). Definitivamente, a dona CW aprendeu com o atual mercado dos super-heróis.

Durante a primeira temporada da série, conhecemos Oliver Queen, sua família, Diggle e Felicity, além de conhecermos o vilão da temporada e outros personagens importantes. A história de Oliver (que sofreu um naufrágio e foi parar numa ilha “do mal” por 5 anos) é mostrada como pedaços de um quebra cabeça — que só mais adiante começa a fazer sentido. A princípio, isso é só para fazer o telespectador entender o que Oliver passou na ilha, provavelmente feito dessa forma para não deixar dúvidas no ar caso a série não fosse renovada. Seja como for, quem acompanhou a primeira e está acompanhando essa segunda temporada, já sabe (ou ao menos percebeu) que, na verdade, a ilha serviu de palco para MUITA coisa (e aí é torcer para que os roteiristas continuem com o trabalho lindo que estão fazendo e não ferrem tudo). Aos poucos, estamos percebendo que a família Queen possui muitos segredos e que nenhum deles deveria vir à tona, mas que graças à ironia do destino (e a um Queen teimoso que só), vários estão surgindo e isso vai guiando as consequências para o fim desastroso que aconteceu na grande season finale. no spoilers, please!

Com o fim da primeira temporada da série feito e reações positivas sobre a série, a CW começou a trabalhar na segunda temporada. Dessa vez, uma pequena mudança foi feita, necessária para não causar estranhamento com o público que não conhece a história do Arqueiro Verde dentro das HQs (tipo eu). Logo no primeiro episódio da segunda temporada, descobrimos que Diggle e Felicity estão em um avião, indo buscar Oliver — que decidiu que 5 anos numa ilha dos infernos era pouco. “Mimimis” à parte, o trio volta à Starling City e, além dos problemas de Oliver como o Arqueiro, Queen ainda tem que lidar com as consequências dos atos de sua mãe na temporada anterior e com uma “papa todos” que quer comprar a empresa da família Queen.

A atual temporada está no 8º episódio, que foi esperado por muitos pois iria mostrar o futuro The Flash (o 8º e 9º episódios iriam servir de episódio piloto da série do Flash, mas a CW resolveu começar “do zero” e apenas apresentar o personagem em Arrow). Até então, já fomos à Rússia (onde vimos novamente um dos vilões mais legais); conhecemos a tão esperada Canário Negro (que era justamente quem eu imaginei); vimos duas alianças serem formadas, uma delas desfeita; descobrimos que o bonzinho não é quem ele diz ser; vimos que, na verdade, a família Queen é melhor que qualquer novela mexicana e reality show americanos juntos (DRAMA, DRAMA, DRAMA!!!); descobrimos um pouco mais sobre uma organização pra lá de legal (eu acho legal, me julguem); e, para acabar a lista de “spoilers”, descobrimos que junto do vilão da temporada, veio uma “arma” que ninguém gostaria que existisse (a não ser, é claro, todos os países). O próximo episódio sai no dia 11 de dezembro.

Personagens da primeira temporada

O sucesso de Arrow se deve aos mesmos fatores de sucesso dos filmes atuais, além da trama possuir problemas sociais retratados (mas não exatamente debatidos, como a imensa maioria dos filmes/séries de hoje em dia). É possível se divertir (até mesmo rir) com determinadas situações e personagens; podemos ver a dualidade do bem e mal (que é explorada exaustivamente há décadas já); há drama o suficiente para você se chocar com algo e ficar querendo mais; não há o abuso de efeitos especiais (embora haja o abuso de dinheiro gasto para realizar as gravações e obter os objetos usados); e o roteiro não trata o telespectador de uma forma desrespeito — como já falei, está sendo feito com calma e paciência. Além disso, também é possível encontrar referências aos atuais problemas sociais no mundo (lembrando que o mundo de Arrow não existe, logo, é fácil se apropriar de coisas por lá e distorcê-las), e é ainda mais possível encontrar referências à teorias da conspiração (ora bolas, a trama e season finale da 1ª temporada são inteiramente baseadas na criação do Novo Mundo!), mas hoje em dia é exatamente isso que vende na indústria do entretenimento.

Como já comentei, semana que vem (dia 11/12) sai o 9º episódio de Arrow. Até então está confirmada uma série solo pro Flash e há boatos sobre o interesse em incluir o Arqueiro Verde em algum filme. Estou torcendo para que a qualidade de Arrow se mantenha e seja repetida na serie do Flash. E você? Gosta de super heróis? Assiste alguma série baseada nesse universo? Está acompanhando Arrow? Deixe nos comentários ou, se preferir, me mande um e-mail (alice@emergenciadesaida.com) com suas sugestões/opiniões! :D



Originally published at emergenciadesaida.wordpress.com on December 7, 2013.