A Cauda Longa | Chris Anderson | Capítulo 1 e 5.

Chris Anderson nasceu no ano de 1961 nos Estados Unidos. Ele é físico e escritor. Seu livro de maior sucesso é “A Cauda Longa”, lançado em 2006. Ele também é o editor-chefe da revista americana Wired, já tendo trabalhado nas revistas Science, Nature e The Economist. Atualmente, vive em Berkeley, Califórnia.

Chris Anderson.

CAPÍTULO 1

Se a indústria do entretenimento no século XX baseava-se em hits, a do século XXI se concentrará com a mesma intensidade em nichos. (p.14)

Os nichos chegam às centenas, gêneros, dentro de gêneros, dentro de gêneros (imagine toda uma grande loja de CDs inteiramente dedicada às bandas de cabeludos da década de 1980 (hair hands) ou a músicas ambientais rítmicas (ambient dub). Também há bandas estrangeiras, cujos preços as tornavam inacessíveis nas prateleiras de importados, e bandas obscuras ou até etiquetas ainda mais desconhecidas — muitas das quais não têm força suficiente para entrar nas grandes lojas. (p.17)

Assim, ao contrário dos CDs — onde cada porcaria custa talvez pouco mais de 8% do preço de todo o álbum — todo lixo online é deixado de lado, sem fazer mal a ninguém, em algum servidor remoto, ignorado pelo mercado, que avalia as músicas por seus próprios méritos. (p.17)

Temos visto cada vez mais uma indústria que olha para as particularidades de alguns estilos e segmentos do consumo. No caso da música, o espaço alcançado pelos movimentos undergrounds e alguns grupos que não estão no mainstream tem uma receita considerável e movimentam um mercado em crescente ascensão.

Pela primeira vez na história, os hits e os nichos estão em igualdade de condições econômicas, ambos não passam de arquivos em bancos de dados, ambos com iguais custos de carregamento e a mesma rentabilidade. (p.19)

O novo acesso aos nichos revela demanda latente por conteúdo não-comercial. Então, à medida que a demanda se desloca para os nichos, a economia do fornecimento melhora ainda mais, e assim por diante, criando um loop de feedback positivo, que metamorfoseará setores inteiros — e a cultura — nas próximas décadas. (p.20)

Serviços como o Spotify tem agido de forma revolucionária no sentido de popularizar esse conteúdo. Ao colocar junto os hits e as músicas “comuns”, ele acaba criando a possibilidade de criar playlists acessíveis ao público geral com grandes artistas mesclados aos novos.

CAPÍTULO 5

Demos, centro de altos estudos inglês, descreveu a ocorrência como momento decisivo no advento da era “Pro-Am”, época em que profissionais e amadores trabalham lado a lado: “A astronomia era praticada em institutos de pesquisa da ‘grande ciência’. Agora, ela também depende da colaboração Pro-Am. Muitos amadores continuam a trabalhar sozinhos e muitos profissionais ainda se encafuam em suas instituições acadêmicas. Mas surgiram redes de pesquisa global, interligando profissionais e amadores com interesses comuns em estrelas eruptivas, cometas e asteroides.” (p.43)

Como John Lankford, historiador da ciência, afirmou na revista Sky & Telescope, a bíblia dos astrônomos amadores dos EUA, “sempre restará alguma divisão de trabalho entre profissionais e amadores, mas, no futuro, será cada vez mais difícil distinguir os dois grupos”. (p.44)

Alguns campos de estudos, como a astronomia citada no texto, se beneficiam e incentivam o trabalho amador, não assalariado — ou por hobby — como uma forma de ajudar os profissionais da área.

O novo no caso é a maneira como é feito, não o conceito em si. Com efeito, Karl Marx foi, talvez, o primeiro profeta da economia Pro-Am. Como observa o Demos, Marx sustentou em A ideologia alemã, escrito entre 1845 e 1847, que o trabalhe.) forçado, não-espontâneo e assalariado seria superado pela atividade autônoma. Finalmente, esperava ele, chegaria um tempo em que a “produção material criará condições para que todas as pessoas disponham de tempo ocioso para o exercício de outras atividades”. Marx evocava uma sociedade comunista em que “… ninguém tem uma esfera de atividade exclusiva, mas cada uma delas pode ser executada da maneira que mais aprouver a cada um (…) caçar de manhã, pescar de tarde, criar gado à noite, criticar depois do jantar, do mesmo modo como tenho uma mente, sem nunca ter sido caçador, pescador, pastor ou crítico”. (p.44)

A tecnologia, barata e onipresente, consegue resultados muito melhores. Vez por outra, o talento acabava conquistando acesso às ferramentas de produção; agora, é o contrário. (p.45)

Conforme afirmou o escritor Daniel Pink, “em vez de em linhas de autoridade definidas com clareza, a Wikipedia se baseia na descentralização radical e na auto-organização. É fonte aberta em sua forma mais pura. A maioria das enciclopédias começa a fossilizar-se no momento em que se imprimem suas páginas. No entanto, por meio do software Wiki e da colaboração de muita gente, obtém-se algo auto-regenerativo e quase vivo. Esse modelo de produção diferente cria um produto fluido, rápido, renovável e gratuito”. (p.47)

A vantagem dos sistemas probabilísticos é que eles se beneficiam da sabedoria das multidões e, em consequência, podem aumentar de escala, tanto em amplitude quanto em profundidade. No entanto, como essa característica sacrifica a certeza absoluta em microescala, é preciso considerar cada resultado isolado cora ura pouco de dúvida. (p.49)

Contudo, no caso dos produtos probabilísticos, existe apenas um nível de qualidade estatístico, o que significa dizer: algumas coisas serão ótimas, outras serão medíocres e ainda outras serão lixo. Essa é a própria natureza da coisa. O erro de muitos críticos é esperar algo diferente. A Wikipedia é simplesmente um animal diferente da Britannica. É uma comunidade viva, em vez de um trabalho de referência estático. (p.50)

A razão por que o fenômeno assume características de economia e a existência de uma moeda no reino capaz de ser tão motivadora quanto o dinheiro: reputação. Medida pelo grau de atenção atraída pelo produto, a reputação pode ser convertida em outras coisas de valor: trabalho, estabilidade, público e ofertas lucrativas de todos os tipos. (p.52)

Uma prova disso são os youtubers, verdadeiros fenômenos do nosso tempo, transformam sua reputação e likes em estabilidade financeira e lucratividade. Muitos deles produzem vídeos de forma simples e sem uma grande produção, o que não impede de muitos alcançarem o sucesso.

As ferramentas da criatividade agora são baratas e, ao contrário do que imaginávamos, o talento se distribui de maneira mais dispersa. Sob esse aspecto, a Cauda Longa talvez se transforme na área crucial da criatividade, lugar onde as ideias se formam e se desenvolvem, antes de se transformarem em sucessos comerciais. (p.55)

Capa do livro A Cauda Longa.
Like what you read? Give Allan Samsa a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.