Free | Chris Anderson | Capítulo 1

Prólogo

Aqui reside o paradoxo do Grátis: as pessoas estão ganhando muito dinheiro sem cobrar nada. Não nada por tudo, mas nada pelo suficiente para criarmos uma economia tão grande quanto a de um país de tamanho razoável a um preço em torno de $0,00. (p.3)

O abundante mercado da cauda longa foi possibilitado pelo ilimitado “espaço de prateleira” da Internet, que é o primeiro sistema de distribuição da história tão apropriado para os nichos quanto para as massas, tanto para o obscuro quanto para a tendência dominante. O resultado foi o nascimento de uma nova cultura radicalmente diversificada e uma ameaça às instituições da cultura existente, da mídia de tendência dominante às gravadoras. (p.3)

É inegável a revolução, sobretudo na distribuição de conteúdo cultural, que a internet promoveu. O fato de geradores de conteúdo poderem disponibilizar num vasto espaço suas obras e sem algumas várias limitações, como no exemplo das gravadoras e seus contratos, acaba por criar uma cultura com dinâmica diferente da que até então era conhecida.

O Grátis que surgiu na última década é diferente do Grátis que veio antes, mas o como e o porquê raramente são explorados. Além disso, o Grátis de hoje está cheio de contradições flagrantes: é possível ganhar dinheiro dando coisas de graça. O almoço grátis não é uma mera abstração. Algumas vezes, você recebe mais do que paga. (p.4)

As pessoas que compreenderem o novo Grátis dominarão os mercados de amanhã e abalarão os mercados de hoje — na verdade, elas já estão fazendo
isso. Este livro é sobre elas e sobre o que elas estão nos ensinando. É sobre o
passado e o futuro de um preço radical. (p.5)

Capítulo 1

Assim nasceu uma das ferramentas de marketing mais poderosas do século
XX: dar uma coisa para criar demanda por outra. Woodward sabia que grátis” é uma palavra com grande capacidade de alterar a psicologia do consumidor, criar novos mercados, abalar mercados antigos e tornar qualquer produto mais atrativo. Ele também percebeu que “grátis” não significava “lucro zero”. Grátis só significava que a trajetória do produto à receita era indireta, algo que viria a ser consagrado no manual de estratégia do varejo como o conceito do preço “isca”. (p.10)

Ver o produto como algo que não precisa necessariamente passar pelos mesmos processos de venda, é o mote do grátis. Oferecer algo, criando uma nova demanda é uma estratégia que provou sua eficiência.

Alguns bilhões de lâminas mais tarde, esse modelo de negócios passou a
fundamentar setores inteiros: dê o telefone celular, venda o plano mensal;
faça o console de videogames ser barato e venda jogos caros; instale sem custo máquinas de café sofisticadas em escritórios para vender caros sachês de café. (p.11)

Surgindo com esses experimentos no início do século XX, o Grátis abasteceu uma revolução do consumidor que definiu os 100 anos subsequentes. A ascensão da indústria publicitária e a chegada do supermercado fizeram da psicologia do consumidor uma ciência e do Grátis, a ferramenta preferida. O rádio e a televisão aberta ou “free to air” (o termo utilizado para sinais enviados pelo ar e que qualquer um pode receber gratuitamente) uniram uma nação e criaram um mercado de massa. “Grátis” era o brado de convocação do marqueteiro moderno, e o consumidor nunca deixava de responder. (p.12)

Agora, no início do século XXI, estamos inventando uma nova forma de Grátis que definirá a próxima era tão profundamente quanto a anterior. A nova forma de Grátis não é uma isca, um truque para transferir dinheiro de um bolso para outro. Ele é impulsionado por uma extraordinária nova capacidade de reduzir os custos dos bens e serviços a quase zero. (p.12)

Uma qualidade singular da era digital é que, uma vez que algo se transforma em um produto digital, inevitavelmente passa a ser grátis — em termos de custo, com certeza, e muitas vezes em termos de preço. (p.12)

A economia dos átomos é inflacionária, enquanto a economia dos bits é deflacionária. (p.12)

O século XX representou, em grande parte, uma economia dos átomos.
O século XXI será igualmente uma economia dos bits. Qualquer item grátis
na economia dos átomos deve ser pago por algum outro item, e é por isso
que o Grátis tradicional cheira tanto a uma isca — você está pagando, de uma forma ou de outra. Mas o Grátis na economia dos bits pode ser realmente grátis, excluindo totalmente o dinheiro da equação. As pessoas têm motivos para suspeitar do Grátis na economia dos átomos e para confiar no Grátis na economia dos bits. Intuitivamente, elas percebem a diferença entre as duas economias e entendem por que o Grátis funciona tão bem on-line. (p.12)

Hoje em dia, os modelos de negócios mais interessantes estão descobrindo
maneiras de ganhar dinheiro em função do Grátis. Mais cedo ou mais tarde,
toda empresa precisará descobrir formas de utilizar o Grátis ou competir com o Grátis, de uma forma ou de outra. (p.14)

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