De volta ao camelô

Quem joga videogame no Brasil vive hoje uma época de ouro. Lançamentos simultâneos com o resto do mundo, localização e preços, até certo ponto, justos. Mas nem sempre foi assim, e infelizmente a Nintendo está nos forçando a lembrar disso.

Durante os primeiros 20 anos da indústria, jogar videogame no Brasil era sinônimo de mercado informal, preços abusivos, saber uma outra língua, e muita… muita pirataria. A falta de representação dos produtos oficiais no nosso país gerava naturalmente um mercado cinza que crescia mais e mais a medida que mais e mais pessoas estavam jogando. Importar um produto oficial era impraticável, principalmente em épocas pré internet.

Me lembro bem dos videogames “não-oficiais” clones de nintendinho, das fitas piratas de gameboy com “trocentos” jogos, da troca de jogos de PC via disquete, mas acima de tudo do Barba Negra dos videogames… o Playstation. Comprar um jogo original do primeiro console da sony te caracterizava como uma pessoa burra, e eu to falando muito sério, já ouvi isso de amigos.

No entanto, após meados de 2006 a Microsoft, seguida logo depois pela sony, passou a olhar de forma séria para o Brasil. E isso mudou radicalmente a nossa rotina como jogador. Comprar um console nunca foi tão facil, achar lançamentos passou a ser tão tranquilo quanto era lá fora, e a localização de jogos nos fez sentir parte da indústria pela primeira vez.

Mas e a nintendo?

Depois de uma parceria importante com a gradiente nos anos 90 e uma representação oficial tímida nos anos 2000, ela simplesmente virou as costas para o público brasileiro. Hoje vivemos algo parecido com o que citei no início do texto. Videogames destravados à exaustão e jogos caríssimos.

É muito triste nos encontrar às margens da indústria mais uma vez, mas o fato é que gosto da Nintendo, e quero jogar Mario. Então a pergunta que fica é: deixo de ligar para lançamentos e espero uma promoção, compro os jogos lá fora e rezo para não ser taxado, ou entro mais uma vez de cabeça na pirataria? A última me parece mais tentadora.

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Esse é mais um conteúdo do projeto Jogando Conversa Fora que é financiado pela enorme quantidade de tempo dedicado e pela mente criativa de Allan Nosch, eu mesmo, mais conhecido como Tufous. Não se esqueça de avaliar o post, comentar, e compartilhar para os amigos. Conto com vc para divulgar esse projeto que faço com tanto carinho.