O simples sente o mundo.

Sobre o simples

Eu tenho um apreço por pequenas imperfeições. Aquele fio de cabelo que fica em pé e insiste em estar diferente dos tantos outros que acolhem a gravidade. As olheiras. O corpo marcado por lençóis depois de uma tarde dormida só pelo acaso de estar na cama num momento propício, mas inesperado. O olhar descuidado e a atenção em coisas que não são vistas por mais ninguém ao redor.

Sobre o sentir:

É um penar doído, ferido, calado, espremido, cinza. É um grito que não sai, um silêncio que não cala e todo paradoxo difícil de se entender. É também uma alegria indecifrável, uma vontade de sorrir que não tem espaço, uma vontade de amar maior que o próprio amor.

Sobre o mundo:

Gosto de virar tudo ao contrário porque é disso que eu sobrevivo; de ignorar importâncias desimportantes e amar os momentos ditos insignificantes. A busca pelo equilíbrio que só é um constante embaralhamento entre ser o que não está ou estar o que não se é.