Chega de instrução: Vamos nos educar!

Pixabay

É um equívoco ter um Ministério da Educação quando as escolas não educam.

O erro das atuais sociedades, pelo menos as que conheço ou acho que conheço bem Angola e Brasil, é confundir educação com a Instrução. Isso gerou um problema complexo, onde os chamados e taxados como educados não são educados, mas sim instruídos, altamente escolarizados.

Mas se a escola não educa, o que é que se aprende lá?

Bem, o que se aprende na escola é instrução. Educação não tem nada a ver com instrução, a pessoa pode não saber ler, nem escrever, mas ainda ser educada, pois o fato dela ser leiga, não instruída, não a torna ignorante. Para ser educado não precisa ser instruído, mas para ser instruído deveria ser necessário ser educado, mas infelizmente também não é necessário.

Prova disso, é que existem aos pontapés vários chamados doutores, mestres e graduados, alguns com diversos diplomas de vários diferentes cursos, mas não tem nada além da instrução. Zero de humanidade, falta de empatia, formados na ganância e intolerância, donos da verdade e detentores do saber, por já saberem tudo, verdadeiros tudólogos, com os seus elevados conhecimentos de cultura geral e muito mais… Mas sem nenhuma civilidade e muita ética de rótulos e nenhuma ética de conteúdo.

O que me faz afirmar o seguinte:

Mas apenas depois de terminar a faculdade, que percebi que não era educado e sim instruído, homem transformado em máquina lógica, que o que acreditava ser educação era instrução e todo o meu processo de aprendizado, na verdade era processo de robotização, de reprodução de padrões predefinidos, aniquilação da minha empatia, em uma palavra “instrução”. Pior, percebi que estava extremamente escolarizado, que era hora de me desescolarizar e passar a me educar.

Era o momento de buscar o conhecimento que não está preso a rótulos sociais e nem a títulos acadêmicos, do conhecimento que talvez não fizesse ciência, mas que era a base da sabedoria.

Aquele que não se encaixa no sistema mercantil, por ser profundo, nem nas políticas rasas governamentais, por dificuldades de mensuração e desconstrução do poder.

E nesta busca estou, até então.

Mas não sou apenas eu e sim a sociedade. Então meu amigo, te convido a parar de se instruir a começar a se educar.

Pois educação não é coisa que governos querem proporcionar para o povo, pois ela desconstrói o poder.

Não é coisa que as escolas querem promover, pois ela derruba instituições fracas.

Não é coisa que a religião quer, pois ela desmistifica dogmas.

Então cada um de nós é responsável pela sua educação. E aos pais, peço para não terceirizar a educação dos teus filhos, pois responsabilidade não se terceiriza.

Instrução nos condiciona a ser o que estudamos e isso leva, sem dúvida nenhuma, à alienação. A se focar excessivamente no fazer, é uma alienação que vai além da vida acadêmica ou profissional, leva a acomodação e a falta de interesse por outros assuntos que rotulamos como irrelevantes ou os consideramos inferiores para entender.

Devemos estar atentos o tempo todo para não cair nesse marasmo de ser o produto de instrução sem educação e estarmos abertos às novas formas, modos e estilos de vida o tempo todo. Caso contrário, perderemos o sentido da vida e veremos uma vida que não vale a pena cheia de nada e vazio.

Para completar este pensamento recomendo a leitura deste deste texto:

Os perigos de ser o que se estuda!

Gostou? Clica no coração, se não diga por que, comente e compartilhe que não cobro nada “risos”.

Álvaro C. Adriano

Obrigado!