Os perigos de ser o que se estuda!

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Tudo começou lá no início dos anos de 1900, parece muito tempo atrás, mas não é. Começou há apenas pouco mais de 100 anos. Com Frederick Taylor e Henry Fayol que alteraram o modelo produtivo até então em vigor. E a com a chamada Revolução Industrial o processo de ter uma profissão passou a ser o processo de ser.

Ditados como “somos o que fazemos repetidas vezes”, passaram a fazer mais sentido e a ser a essência da vida entendida como moderna.

Tudo para conseguir mais produtividade e consequentemente vantagem competitiva.

Vida que demanda cada vez mais de especialização de um conhecimento ou o que podemos resumir em especialização acadêmica e consequentemente especialização de profissão.

Até aqui normal. O perigo está em se transformar no que se estudou. Em vez de se estudar para ter conhecimento e consequentemente uma profissão para fins econômicos, estuda-se para se ser “a profissão” literalmente. E todos os princípios que regem e norteiam a vida são baseados em nossa profissão ou com base no que fazemos.

Se transformar no que se estudou tem muitos perigos. Abaixo enumero alguns que, a meu ver, são extremamente ruins e que agora estão cada vez mais sofisticados e a definir nossos EU’s líquidos, que se formam em bases de vapor.

1. Reduzir a vida naquilo que se estudou

Ao se transformar naquilo que estudamos seja o que for, do considerado mais nobre como medicina, engenharias, física e tantas outras profissões com status de nobre as menos nobres ou as menos remunerados como as de educação e tantas outras, reduzimos a vida em infinitas possibilidades, visto que a ciência apesar de ser um conjunto completo e complexo de conhecimento (saber científico), é apenas uma pequena parte de um conjunto ainda maior (saber universal), também chamado de vida.

Que vai muito além do meu humilde entendimento.

2. Acreditar que precisa de diploma para vencer

Durante muito tempo da minha vida acreditei que precisava de diploma para vencer. E a mais ou menos 4 anos consegui o tão desejado diploma e não me sinto vencedor.

Vejo muitas pessoas que fazem de tudo para ter um diploma porque acreditam que assim venceram. Isso é uma mentira social e um fator limitador de vida muito perigoso. Acredito que diploma é meta de quem não tem e arrependimento ou mera necessidade de quem tem.

Conhecimento não está ligado ao papel “diploma”. E mais, a experiência prática, o ato de fazer, ensina de modo que fica difícil esquecer e, portanto, com maior eficiência, que o modelo de simulação acadêmica que aprendemos nas escolas.

3. Viver sobre as expectativas dos outros

Lembro-me bem dos vocabulários que permeiam os discursos dos meus professores: “o que o mercado busca, o que a empresa valoriza, profissões de maiores rendas, aptidões de um líder, como ser notado, marketing pessoal” e por aí vai a lista que leva apenas a viver de acordo com as expectativas dos outros. Uma lista grande e complexa que vai se tornado cada vez mais sofisticada.

E nos fazem acreditar que se não cumprirmos a essas expectativas, estaremos longe do sucesso ou de uma vida nobre.

4. Achar que porque estudou se tornou melhor e agora é importante

A escola enche seus produtos (nós alunos) de autoestima, com dizeres do tipo: “agora somos a solução dos problemas, somos quadros intelectuais, a massa pensante”. Como tudo gira em torno do cifrão $, os dizeres ganham também um viés econômico do tipo: “terão os maiores salários e serão a classe média ou mesmo alta”. Representadas pelas letras A, B ou C, que ironicamente é C de Controlado.

Assim nos sentimos importantes. Coitado de nós. Esquecemos, como diz o Mc Marechal, que o poder não tem a ver com sensação, eles estudam nossas emoções e podem prever nossas reações.

Limitando assim nossas vidas, transformando-nos em medíocres.

5. Quantificar a felicidade

Ao nos tornar em nossas profissões acabamos seguindo o critério de felicidade da ciência e do acadêmico, que se resume em “mais estudo, mais felicidade”. Assim entramos em um poço sem fundo.

Já que a felicidade não é alguma coisa quantificável. Se for, alguém me diga a unidade de medida da felicidade, que eu não sei.

6. Valorizar apenas pessoas que estudaram

Como somos o que estudamos e o que estudamos é nossa profissão, somos produtividade, números, ou seja, pequenas representações que somadas viram PIB.

Valorizamos apenas pessoas que estudaram. Tanto mais que a unidade internacionalmente aceita de inteligência é o QI “quociente de inteligência”. Sua divulgação é mais popular entre os estudados, como forma de demonstração de superioridade.

O pior é que só ouvimos com atenção pessoas que demonstram seus rótulos acadêmicos, de preferências de universidade de renomes. Doutores, Mestres, Pós-Alguma Coisa. Pois nesta lógica eles fazem nos acreditar que sabem o caminho para o futuro e até mesmo o sentido da vida.

Em uma sociedade que tanto valoriza os rótulos acadêmicos, profissionais e religiosos, o mais irônico é que quem mais nos ensina são pessoas que às vezes nunca entraram em uma universidade ou mesmo nem escolarizadas são.

7. Viver em uma caixa

Estudamos para viver uma vida mais holística com uma visão completa, mas o que acabamos buscando é uma vida dentro da caixa de padrão definido. Presos ao corporativismo de nossas profissões.

Como valorizar a nossa profissão sobre todas as coisas, inclusive sobre o ser humano.

8. Achar que tudo tem uma solução acadêmica ou científica

A ciência (o estudo) nos oferece muitos caminhos, muitas opções, mas não todas as opções. Aprendemos que tudo pode ou deve ser estudado, logo tudo tem uma explicação.

Ao acreditarmos que tudo tem uma solução acadêmica ou científica, não só reduzimos a vida a ciência exata, como também nos tiramos à humanidade. Pois, não somos apenas o que dizem por aí, seres lógicos, somos também bichos de instintos selvagens e emoções fortes, coisas que também nos fazem humanos.

9. Tentar se robotizar

Como achamos que tudo tem uma solução lógico-matemática, acabamos nos robotizando, ficamos presos na cronologia dos tempos e movimentos. É assim com parte da nossa alimentação “fast food”, com nossos trabalhos das 08 às 18h, com direito a dois dias para viver.

10. Reconhecer que a escassez é natural

Como a ciência foi criada para minimizar a escassez, ela aceita que a vida é baseada em escassez. E como acreditamos que somos o que estudamos, nos transformamos em seres acostumados a escassez. Quando na verdade a vida não tem a ver a com escassez. Apenas o acúmulo de riqueza ganancioso gera escassez .

Naturalizamos vários problemas sociais. Estudamos sobre a fome, a pobreza, a economia mundial, a educação etc. Mas no dia a dia, o diploma está pendurado na parede, mas muitas vezes somos indiferentes a todas essas questões.

Ao nos transformar no que estudamos também nos tornamos parte do problema e deixamos de enxergar a solução.


Somos condicionados a ser o que estudamos e isso leva, sem dúvida nenhuma, à alienação do indivíduo. A se focar excessivamente no fazer, é uma alienação que vai além da vida profissional, leva a acomodação e a falta de interesse por outros assuntos que rotulamos como irrelevantes ou os consideramos inferiores para entender. Devemos estar atentos o tempo todo para não cair nesse marasmo de ser o que se estuda e estarmos abertos às novas formas, modos e estilos de vida o tempo todo. Caso contrario perderemos o sentido da vida, E veremos uma vida que não vale a pena cheia de nada e vazio.

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Álvaro C. Adriano

Obrigado!

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