Olá para você que não conheço mais

Ontem vi uma postagem no Facebook de uma pessoa que não escutava falar há muito tempo. Talvez tempo demais. Ela era minha amiga de anos, presenciei muitos momentos da vida dela, alguns bons e outros nem tanto. Por três segundos senti minha mente focar em um único pensamento: quem é você?

Por anos eu sabia todas as suas histórias, medos, segredos e desejos. Estava presente na sua festa de 21 anos, onde cinco pessoas pularam peladas na piscina e ela teve que ir correndo pedir para saírem e colocarem uma roupa. No outro dia demos boas gargalhadas sobre essa história. Esses dias ela fez 27 anos, mas eu não sei de nenhuma história da festa, muito menos se pessoas peladas pularam na piscina, nem mesmo se ela ainda tem uma piscina.


Demorei anos para conhecer várias pessoas que passaram pela minha vida. Amigos do trabalho, pessoas que convivi na faculdade e até mesmo aquelas pessoas que ficaram dois minutos na minha vida, mas que lembro até hoje. Todo esse tempo, esforço e sentimento é ridiculamente grande comparado ao tempo que levei para desconhecer todos eles. Algumas pessoas do meu último trabalho eu via uma vez por semana, então, troquei a presença por mensagens de texto, porém as respostas se tornaram cada vez mais raras. As da faculdade? Essas não precisei esperar nem mesmo uma semana. Todos sumira, se desfizeram e foram embora.


Estou apagando você!

Em nenhum momento quero por culpas e motivos nas pessoas. Nem mesmo em mim. Pessoas são passageiras nas nossas vidas. Talvez algumas fiquem mais tempo do que outras, ou mesmo fiquem para sempre, mas a grande maioria chega, faz uma pequena marca e vai embora. Talvez esse seja o objetivo da vida, o motivo de sermos chamados de “animais sociais”. Sempre que leio textos dizendo que uma pessoa pode enlouquecer se for privada do contato social por muito tempo, fico impressionado da necessidade que temos de outras pessoas. Por esse mesmo motivo não vejo com maus olhos pessoas carentes, dependentes ou com uma necessidade grande de atenção. Naturalmente, nós buscamos outras pessoas, e da mesma forma que temos pessoas que sentem mais frio do que outras, também temos pessoas que sentem mais falta do que outras.

E por mais que o sentimento do “eu conhecia essa pessoa” seja uma leve dor, ou ardência, nós precisamos aprender a lidar com ele. Provavelmente, esse será o sentimento que mais se repetirá em nossas vidas. A vontade de lutar contra esse loop pode nos desgastar tanto, ao ponto de nos fazer cansar do ciclo conhecer -> mergulhar -> sair da piscina -> se secar -> esquecer, mas, o que mais de emocionante teríamos se esse ciclo não existisse?

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