Mito ilustrado com Baz Luhrmann

Zeus era um cara muito carente.

Vamos chamar de carente.

Ele tinha um filho com cada uma de suas muitas companhias e depois colocava todo mundo pra morar junto no Olimpo. Tipo uma grande família feliz super moderna.

Só que nem.

O esquema foi muito produtivo no sentido de criar cenário pra todos os mitos que a gente conhece hoje. Tivemos combustível pra milhares de joguinhos de revenge e outras baixarias que só uma rivalidade de esposa versus amante pode encorajar (ou bastardo e herdeiros e tal).

É por isso que, de certa forma, podemos culpar Zeus por quase todo karma ruim da época. Na história de hoje, por exemplo, veja bem, se em primeiro lugar ele não tivesse tido um caso com a Latona, a Juno, que era a esposa, não teria enviado uma cobra gigante chamada Píton comer a Latona ~that’s what she said~.

O famoso deus Apolo é filho do caso que Zeus teve com Latona. Ficou conhecido como deus Sol, e também da música, da arte e da medicina (como essas três coisas se misturam fora de um episódio de Grey’s Anatomy, milagre dos deuses).

Imagino Apolo um cara bombado, com queixo largo e cabelo cacheado sujo. Uma blusa meio justa, uma lira a tira colo, uma flecha girando habilmente nos dedos. Ah, e um sucesso nacional ruim cantarolado com voz grossa. Um cara irritante de se ver passar na frente.

Certo dia, Apolo passeava pelos bosques todo cheio de si porque tinha derrotado a tal da grande serpente Píton que perseguia sua mãe, quando vê seu sobrinho Cupido e resolve tirar onda com o piazinho.

Cara. Ninguém zoa o Cupido.

Apolo foi tagarelando que o Cupido devia deixar armas como arco e flecha para os adultos, que ele era bem melhor que o menino, que ele nunca errava e que ele tinha matado a Píton.

Cupido revirou os olhos e sacou da aldrava duas flechas: uma de ouro para causar paixão, outra de chumbo para causar repulsa. Bem na mira, a flecha de ouro acertou Apolo e a de chumbo foi parar na ninfa Dafne, filha do deus-rio, que estava se banhando nas redondezas.

É daí que vem o mito do amor não correspondido:

Um deus, que até então tudo podia, agora se importava apenas com Dafne. Dafne pra cá, Dafne pra lá. Dafne, Dafne, Dafne, dá-me. Ela, por sua vez, corria pra longe do Apolo toda vez que ele aparecia.

Chegou o dia em que ele finalmente a alcançou. Desesperada e enojada, ela pediu ao pai deus-rio que a salvasse para sempre das mãos de Apolo. O pai atendeu a parte do “para sempre” de um jeito bem literal… Transformou a pobrezinha em árvore de loureiro.

Apolo beijou o tronco da árvore e a partir daí passou a utilizar sempre uma coroa de folhas de louro para honrar a amada — é daí que vem a tradição da coroa de loureiro em premiações olímpicas.

Moral da história:

- Não desmoralize crianças armadas.

- Seu pai NUNCA é a melhor opção quando você precisa de ajuda pra se livrar de um boy.