O Castelo das Mulheres

REAL PATERNIDADE x PATERNIDADE REAL

Tudo começou quando um pai francês foi capturado na Espanha. Em troca da própria liberdade ele combinou de entregar seus dois filhos aos seus captores.

Horrível, eu sei. Só que esse pai era rei, e esses dois filhos eram príncipes. Então, ok. Quando você é realeza você não pode esperar que o seu pai te ame. Inevitalvelmente ele vai arranjar seu casamento ou te usar como barganha em algum momento da vida.

Quando esses dois irmãozinhos foram se despedir da corte e partir para o cativeiro, Henri, na época com 7 anos, se encantou pela mulher que se despediu dele com um beijo carinhoso na testa. Essa mulher se chamava Diane de Poitiers.

MUSA

Henri e seu irmão mais velho passaram 4 anos no cativeiro.

Não sei dizer no que o irmão mais velho ficou pensando esse tempo todo, até porque ele não interessa aqui, mas o Henri ficou pensando na linda Diane.

Um dia eles voltaram pra casa e pra comemorar o retorno dos dois irmãos foi organizada uma justa. Conforme a tradição, os dois irmãos deveriam cavalgar diante da corte e parar na frente da dama a quem ofereceriam seus favores. Henri, pequeno mas posudo, foi contra o protocolo que dizia que ele devia escolher sua madrasta e parou na frente da Diane. Em meio a risinhos de toda a corte, Diane quase morreu com tanta fofura e aceitou a gentileza do menino. Assim, ele participou da justa usando as cores dela amarradas na armadura.

Antes de continuar com a história, tem uma coisa que a gente precisa esclarecer: a Diane era genial. Além de ser a moça mais linda da corte, ela era riquíssima, elegantíssima, cavalgava que era uma beleza, falava várias línguas, entendia de filosofia, política, diplomacia, sabia conversar com qualquer pessoa e era uma exímia caçadora (sim, tipo a deusa grega de mesmo nome. Inclusive, o símbolo da Diane era a Lua, igual o símbolo da deusa). Esse conjunto todo fez dela uma das pessoas mais influentes da nobreza e sua companhia requisitada por — quase — todos.

ALMAS GÊMEAS

Com essa coisa toda de passar 4 anos em cativeiro e tudo o mais, Henri estava chucrinho, meio atrasado nos estudos, nas etiquetas, e tal. O rei encarregou a melhor dama da corte, Diane, de colocar o menino nos trilhos.

A partir daí, tutora e pupilo desenvolveram uma parceria sem igual e depois se apaixonaram. Foi, dizem, um encontro de almas: a parafuseta na rebimboca, a panela e a tampa, a pólvora na nitroglicerina, o sal no milho.

*Se você está se apegando ao detalhe da diferença de idade de 20 anos, pelo bem história que eu estou contanto, desapegue.

O REI E A AMANTE

O pai morreu. O irmão mais velho morreu. Henri herdou o trono e de repente Diane era conselheira, amiga e amante do rei.

Governantes tem muitos luxos, sabe, mas não tem o luxo de casar com quem se apaixonam. Assim, quando chegou a hora Diane aconselhou seu amor a se casar com Catarina de Médici, da Itália, por várias questões de diplomacia.

Moça inteligente também a Catarina, porém, baranga.

HD FOREVER

O Henri nunca amou a Catarina, e ela, coitada, se apaixonou por ele no dia do casamento, o dia que eles se conheceram.

A rainha não tinha nenhuma chance de tirar Diane musa experiente do pedestal onde Henri a colocava. A ligação entre Henri e Diane era tão grande que era comum ela assinar documentos por ele. Teve um dia que o Papa mandou um presente para a Catarina… e outro de mesmo valor para a Diane. Henri passou a utilizar o monograma HD em tudo quanto é parede, documento oficial, lajota, libré. Ele encomendava obras de arte em homenagem a amante — pinturas, esculturas, afrescos, entalhes! Ele até deu um castelo pra ela! E não qualquer castelo, mas o castelo de Chenonceau que a Catarina queria!!!

A Catarina sempre foi amarga com a situação, mas não tinha muito o que fazer a respeito. Na época era comum governantes terem amantes, já que raramente se casavam com alguém que se quer se interessavam. As amantes eram um pouco discriminadas, mas esse não foi o caso da Diane, de tão legal que ela era.

Ó, no museu do Louvre, que na época era residência real, tem um entalhe com o monograma HD. E tem lá também a estátua da Deusa Diana que o Henri deu pra ela.

A RAINHA DO CIANURETO

Talvez como escape de toda essa situação, a Catarina meio que desenvolveu uma psicopatia. Ela era expert em venenos, matou ou mandou matar vários pobres coitados que cruzaram seu caminho.

Contudo, por incrível que pareça, ela não matou a Diane. Acho que porque de um jeito bem perturbador a Diane meio que ajudou o casamento.

~Momento constrangedor~

O Henri não queria ir pra cama com a Catarina. Depois de 11 anos de casamento e sem gerar filhos, a Diana estimulou o amante a dormir com a esposa. Dizem que ele ia pra cama com a Diane, aí trocava para a cama da Catarina só pra terminar o serviço e aí voltava pra cama da Diane pra passar o resto da noite nos braços dela. Nesse esquema ele e a Catarina tiveram 10 filhos.

A Diane estava sempre presente. Cuidava dos filhos da Catarina, e até da própria Catarina nos partos e numa situação em que a Catarina teve febre escarlatina.

E, à noite, a Catarina espiava a Diane e o Henri fazendo sexo através de um buraco no carpete.

Sério.

PROFECIA

Como toda boa história, essa tem elementos fantásticos também.

Nostradamus era homem de confiança da Catarina e uma de suas profecias foi a morte do Henri. Na verdade, ele previu uma morte sangrenta, e na mesma ocasião o Henri iria participar de um torneiro daqueles em que dois cavaleiros galopam um na direção do outro usando elmos e com lanças na mão com o objetivo de derrubar o oponente do cavalo. Tanto Catarina como Diane ficaram apreensivas e tentaram fazer com que o rei não participasse do torneio. Ele insistiu e pimba. Morreu aos 40 anos, com uma lança atravessada no olho.

EPÍLOGO

A Catarina virou rainha regente.

Sem mais nenhum motivo pra mimar a Diane, colocou ela pra fora de Chenonceau e adicionou serifas nos D’s de todos os monogramas HD, pra que eles ficassem mais parecidos com C’s.

A Diane se retirou para uma das suas propriedades e morreu com 67 anos. Exames recentes em amostras de seu cabelo indicaram uma porcentagem de ouro 250x maior do que o normal. Ou seja, ela morreu intoxicada de riqueza.

Brincadeira.

Um dos hábitos de beleza da Diane era tomar um copo de água com uma gota de ouro todo dia e foi isso que matou ela.

**Fim**

E essa sou eu reinando em Chenonceau. ❤