~O movimento é sensual~

A primeira vez que A Grande Odalisca (1814) foi exposta no Salão de Paris, a maioria das críticas tinha a ver com o comprimento das costas. Específicos, diziam que ela tinha 3 vértebras a mais. Outros implicaram com a posição meio impossível da perna esquerda. se você que saber, tudo uns malas esses críticos.

Jean-Auguste-Dominique Ingres sabia da coluna superalongada e sabia da posição esquisita da perna. A estratégia dele pintando mulheres dessa maneira era sensualizar, atrair o olhar, enfatizar sensações tácteis. S U C E S S O. Ele dava mais importância à suavização dos contornos para idealizar a forma, desrespeitando a anatomia real. Tipo como os gregos faziam na arte clássica. E tipo como a gente faz com photoshop.

Veja ali que ele era um excelente pintor de tecidos, mas o que vale mesmo é a soma do trabalho dos tecidos com a pele nua. A textura mais elaborada de um serve para ressaltar a maciez do outro. Da mesma maneira que o brilho do cetim das cortinas deixa a pele mais aveludada. Tipo, acho que um aviso de "Don't touch, it's art" é mandatório ao lado dos quadros do Ingres porque dá, sim, vontade de tocar.

Assim como no quadro da odalisca, em A Banhista de Valpiçon (1808), a anatomia feminina é modificada pra dar perfeição e sensualidade. Para esse caso, alguns dizem que a estranheza está na falta de ossos da moça. E, também, tem aquela perna direita ali, que sai do nada.

Que seja. Você só notou a perna que sai do nada porque eu falei.

Dificilmente outro nu tem o efeito de cor que Ingres conseguiu atingir nas costas da banhista. É douradinha, ensolarada e quentinha, não é mel, não é âmbar, pois insetos jamais grudariam nela.

Orientalismo também estava em alta nesses dias. O exótico chamava muito a atenção dos artistas. Elementos como incenso, turbantes, odaliscas, haréns são recorrentes. Sobre o turbante listrado da banhista, tem também que em 1798, Napoleão invadiu o Egito, catalizando a moda dos turbantes em vários países da Europa, em especial na França, claro.

MORAL DA HISTÓRIA

O que hoje nós escrachamos e chamamos de Photoshop Fail vai virar movimento artístico daqui uns anos.

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