Tutorial para artistas falidos — Gustave Courbet

Eu poderia resumir isso aqui com três palavras: vai fazer pornô. Mas, não.

De um lado tinha o Salão de Paris e do outro tinha Gustave Courbet (1819–77). Um ditava as regras, e outro quebrava. Enquanto o Salão dizia que boa arte era isso:

Ou isso:

Courbet dizia, “Non, messieur”.

Ele não via a relevância de pintar temas mitológicos, heróicos ou religiosos. Inclusive, é dele a frase famosa “Me mostre um anjo que eu o pintarei.” Ele insistiu em pintar apenas coisas reais, mundanas, fossem essas coisas trabalhadores de classe média ou funerais de gente comum. Se eu fosse discutir de verdade a questão, diria que a pira do Courbet era ser socialista, mas não é esse o objetivo aqui.

Nos Quebradores de Pedra temos um trabalhador novo demais, um velho demais, a tarefa pesada e monótona. Não há poses elegantes, linhas fluidas, cores vivas, window approach, ilusionismo, volume.

Courbet era obstinado. Quando duas de suas obras foram rejeitadas pelo Salão, ele juntou todas elas (inclusive as que tinham sido aceitas) e organizou a primeira exposição individual ever de um artista, o Pavilhão do Realismo.

Liderando o movimento realista ele escreveu seu nome nos livros de história da arte, muito bem, mas não era fácil conseguir dinheiro sendo avant-garde desse jeito. Ele queria viver de arte, mas não queria trair seus princípios. Então, bem, o que poderia dar dinheiro mesmo se retratado com (muito intenso) realismo? Voilá:

Glossário e Comentários:

- Imagem 1: Juramento dos Horárcios, de Jacques-Louis David, Neoclássico.

- Imagem 2: A Jangada da Medusa, Gericault, Romântico.

- Imagem 3: Os Quebradores de Pedra, Gustave Courbet. Tudo o que temos são cópias e fotos, pois o quadro foi destruído na Segunda Guerra Mundial. ~facepalm~

- Imagem 4: A Origem do Mundo, Gustave Courbet. — Um sortudo encontrou a parte de cima do quadro, a parte que tem a cabeça da mulher. Ele pagou £1,200 pelo recorte e depois provou que ela fazia parte do quadro da, da… vulv, Origem do Mundo. Hoje esse “anexo” vale mais de £35 milhões.

Reza a lenda que Courbet cortou a cabeça do quadro fora pra evitar escândalo para a sua modelo, Joanna Hiffernan, que muitos acreditam ser a mulher e musa de outro pintor, James McNeil Whistler.