A maioria

Este é um textão inútil que não fala de minoria.

O ranço nas diferenças ideológicas é normal. Deveria ser melhor embasado e menos futebolístico. Mas é aceitável.

A insatisfação é sentimento normal e, apesar de parecer negativa, tem um “que” de nobreza. É uma autoestrada que leva à mudança (okay, prometo não seguir com essa linguagem careta de treinamento coaching).

O ódio, infelizmente, é da natureza humana e contraponto legítimo ao amor. É aceitável (embora perigoso), desde que justo e inofensivo.

A burrice igualmente não é uma anormalidade. Na verdade, ela é uma escolha, já que ninguém nasce burro. A preguiça ao acesso da informação, por exemplo, fatalmente forma um cidadão simplório.

O foda é que uma “pessoa normal” pode ser potencialmente feita de ranço, insatisfação, ódio e burrice.

Uma pessoa normal com tais características costuma ter o pensamento convencionado como “pensamento normal”, já que a preguiça intelectual faz com que ela absorva o raciocínio servil do rebanho.

O pensamento normal, por convenção, é o pensamento da maioria. Pensar como a maioria, portanto, parece ser, pela lógica da estatística, o correto.

Por esse viés, como o pensamento normal sugere burrice, a frase “toda unanimidade é burra” (Nelson Rodrigues) adquire propriedade.

A maioria é só uma caralhada de gente. Nada mais que isso. Mas, apesar de paradoxalmente a maioria parecer pouco, ela tem força na democracia. Ela é a própria democracia, na real.

Mas quando viciada pela burrice, somada ao ranço, a insatisfação e o ódio, a maioria faz coisas como tirar uma presidente inocente (e incompetente) e a substitui por um frouxo e um corrupto.

O motivo? Corrupção.

Opa, mas peraí… Então em algo errado aí, né?

Sim. A burrice.

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