JORNALISMO

A Deep Web, famosa pelos seus mistérios e segredos, pode ser também uma caixa de surpresas no universo da comunicação e da informação. Embora ainda seja associada pela busca de conteúdo ilícito dentro da internet, essa “parte obscura” da internet é responsável por acolher o desespero daqueles que necessitam de um local em que possam se expressar livremente, sem o medo de represálias políticas ou governamentais.

A privacidade concedida pela rede através do anonimato torna possível que o jornalismo exista e se manifeste dentro de localidades em que a censura se faz presente. O especialista no estudo da Deep Web, Natanael Ribeiro, relata que “entre as atividades legais que não são encontradas na surface, podemos citar qualquer atividade não ilegal que necessite anonimato. Em sua maioria, tratam-se de veículos de jornalismo oriundos de países cuja mídia é censurada, a internet possui acesso restrito, ou há perseguição a grupos específicos”.

A organização não governamental “Repórteres sem Fronteiras”, divulgou em 2017 um ranking mundial com o nível de liberdade de imprensa em cada país e, entre os últimos colocados China, Síria e Coréia do Norte se destacaram negativamente. Nesses casos a Deep Web é o caminho para burlar a censura e fugir da repressão. Ela possibilita que repórteres situados nesses territórios utilizem os seus fóruns e espaços destinados ao compartilhamento de informações e façam a cobertura jornalística na ausência de autonomia da mídia.

“Como o TOR garante a impossibilidade de localização de quem cria um conteúdo na rede, não há como governos descobrirem quem está por trás de um veículo que, na Internet comum, seria rapidamente identificado. Além disso, não é possível impedir que determinado site seja acessado — ao contrário da Internet comum, na qual o governo envia uma notificação para as operadoras de internet e tem poder para cobrar multas caso o site não seja bloqueado”, concluiu Natanael.