Meu amigo, o cateter!

Eii pessoal! Segunda-feira passada, dia 11/04/2016, foi o dia de conhecer meu mais novo amigo do peito, o Cateter! Sim, ele será meu companheiro nos próximos meses de quimioterapia e promete me ajudar bastante, poupando as minhas veinhas!

Mas, Ana, por que você precisou colocar este troço? Não seria melhor ficar sem ele?

A resposta é simples. Com o passar do tempo, as veias periféricas, ou seja, aquelas localizadas nas mãos, braços e pescoço, poderão ser danificadas pela frequente inserção de agulhas para a infusão de medicamentos, sem falar que a própria quimio já as deixam mais “secas”, difíceis de “pegar”. Eu definitivamente não queria passar por isso. Se existe uma coisa que poderia me deixar pra baixo no meu tratamento, seria esse sofrimento.

Então lá fui eu para o Hospital Erasto Gaertner aqui em Curitiba, um centro de referência no tratamento do câncer no Brasil, e faz isso com humanismo. Uma atmosfera de amor incrível naquele lugar. Todas as pessoas que me atenderam ( recepcionista, enfermeiras, anestesista, a médica, as senhorinhas voluntárias) foram tão carinhosas. Acho que as pessoas já chegam tão debilitadas física e emocionalmente no Erasto, que quem está lá dentro se esforça muito para trabalhar bem e feliz, e transmitir essa felicidade ao próximo. Foi isso que eu senti.

Bom, voltando. Ficamos internados das 09:30 até as 11:45, quando finalmente me chamaram para a pequena cirurgia. Despedi do Love, muito abraço e muito cheiro, aquela cena clássica de ir embora com a maca e ele ficar acenando ❤❤❤ Já no centro cirúrgico, muitas mulheres na sala de cirurgia, entre a médica, enfermeiras, assistentes e anestesista. Uau, uma equipe inteirinha de mulheres me deixou feliz e orgulhosa.

Como sempre a tensão para fazer o acesso venoso, e eu pensava internamente: essa vai ser a última vez. A Dra Clarice, médica querida e carinhosa, fez um carinho na minha cabeça e eu dormi. Acordei “5 minutos depois” na sala de recuperação, me sentindo super bem, sem dor, sem qualquer desconforto.

Ué, mas acabou? Foram cinco minutos? Fala mais sobre esse tal de cateter aí!

O cateter utilizado para quimioterapia é também conhecido como cateter totalmente implantável ou port-a-cath. É um dispositivo que fica embaixo da pele (não fica nada para fora, um trem pendurado, nada disso!), e é ligado a uma artéria. Tem o formato de uma moedinha e servirá como um “entrada usb” para me conectar às próximas quimios.

O implante é realizado através de um procedimento realizado no bloco cirúrgico, sob anestesia local e anestesia venosa (sedação). Usualmente é feita uma incisão na pele, de 2 a 3cm de extensão, bem perto da alça do sutiã.

Vantagens

  • Durabilidade (até 2000 punções).
    • Menor taxa de infecção.
    • Evita punções frequentes.
    • Conforto e mobilidade.
    • Dispensa uso de curativos.
    • Maior eficácia do tratamento, uma vez que não ocorrem episódios frequentes de flebites, trombose venosa e necrose por extravasamento da droga.

Todo o procedimento até eu acordar durou cerca de 2 horas, mas eu adoro essa sensação de dormir 5 minutos e acordar com tudo pronto! Me levaram para o quarto e eu encontrei o maridinho lá já com lanchinho, quer coisa melhor? Mais reconfortante?

Baquiadinha da cirurgia? Não, do jejum de 10 horas mesmo…

Eu estou feliz de ter a oportunidade de implantar o cateter. Ele será meu companheiro inseparável por um bom tempo, e promete me ajudar muito no meu tratamento, facilitando as aplicações da poção mágica, e preservando meus lindos bracinhos. Vou cuidar de vc com amor, meu cateter! ❤