Mulheres negras e a famigerada fama de barraqueiras raivosas:

Antes de me tornar empoderada, “amigos” principalmente, já me taxavam de uma pessoa “difícil” de lidar, com o tempo fui mudando, afinal, ninguém nasce desconstruído e empoderado. Me permitir a desconstrução e me empoderar, foi uma das melhores coisas que fiz e ainda acho que não sou completamente desconstruída e empoderada… Isso é uma constante. Logo, fui me tornando cada vez mais difícil de lidar… (Aguentem essa marimba).
Fui me afastando mesmo (não só por isso) de amigos que de fato, não são obrigados a lidar com pessoas difíceis e muito menos eu, sou obrigada a aceitar pessoas tóxicas e não mais fui aceitando atos, racistas, sim, RACISTAS e machistas, sim, MACHISTAS.
Por mais que alguém que não teve a intenção de ser ou soar como um… Mas, o racismo nem sempre é explícito tal como um recente caso de um vídeo que mostra uma mulher que se diz não racista e chama uma negra de “mulata” dizendo que deveria ter nascido branca. Racismo está também nas entrelinhas, nos mínimos atos, brincadeiras e discursos. De maneira inclusive inconsciente por ser enraizado na sociedade. O problema é que quando apontamos ou reagimos a tudo isso, na maioria das vezes para que a pessoa pare, observe as reclamações e reflita, somos sempre taxada de “treteiras”, “barraqueiras”, “radicais” ou no pior dos casos “vitimistas”, já me acusaram inclusive de “ataques gratuitos” a um racista -engraçado que a pessoa que é racista e nós negros é que atacamos gratuitamente?-, já me chamaram de “afronazi”, tenho uma amiga que adora me chamar de radical e treteira.
Ora, somos sempre ridicularizados, viramos motivo de chacota e somos diariamente discriminados e como reagimos a tudo isso, afinal, toda ação tem uma reação, passamos a ser raivosos.
Não, apenas não estamos mais suportando opressão caladas.
Não, não temos que ser dócil com racistas. Eles nunca foram dóceis ao cometer racismo.