A o que se refere

E aí, galera, tudo bem? Hoje, vamos conversar um pouco sobre referências. Mas, relaxem, não estou falando daquele assunto chato da ABNT, e sim, as referências que recebemos das obras que consumimos. Vamos abrir umas questões sobre o tema, gerar dúvidas e polêmicas. No final, eu estarei esperando que respostas surjam nos comentários.

Tudo que consumimos hoje em dia possui alguma referência direta ou indireta. Mesmo aquele autor, que diz que criou tudo da própria mente, e não leu uma linha em meio a pesquisas antes de criar sua obra, sem perceber faz referência. Às vezes, a referência não está no enredo em si, mas em algo que um personagem da história gosta, veste, fala ou etc. Isso se deve muito ao fato de que, mesmo sem fazer pesquisas específicas para uma obra, o autor já gosta previamente de outras coisas, ou já leu sobre determinados temas, mesmo que não goste. Apenas, por curiosidade.

E, é a partir disto que deveríamos nos perguntar: até que ponto nós estamos buscando essas referências? Não estou sugerindo aqui que ninguém se torne um caçador de eastereggs. Mas, que quando um personagem, daquela obra que você gosta, cita um autor, um músico ou algum outro produto cultural (não elevem isso para tipo de produto, pois lhe colocaria sob o sério risco de serem constantemente vítimas do marketing empresarial) você procure conhecer aquilo — caso não conheça. Normalmente, quando uma obra chega a ser citada em outra, de alguma maneira, é porque ela é muito boa.

Como exemplo para isso temos as duas séries: Chuck e Supernatural. Em sua primeira temporada, Chuck tem várias referências a jogos, filmes e mais um bocado de coisas da cultura nerd, não poderia ser diferente, já que na série Chuck é retratado como um. Um dos casos onde a série faz referência a algo é quando, para desarmar um míssil, Chuck precisa zerar um antigo jogo árcade, que lembra, em muitos aspectos, o clássico “asteróides” e para poder chegar ao final do jogo ele precisa jogar de acordo com o ritmo da musica Tom Sawyer da banda Rush. O enredo do episódio utiliza de tal forma a música que é quase um hiperlink audiovisual para quem não conhece a musica e/ou o trabalho da banda Rush a ouvi-la. A própria musica Tom Sawyer possui o mesmo efeito, a partir do momento que o nome da musica já é uma citação direta ao personagem principal dos livros de Mark Twain.

Entenderam um pouco como funciona? Uma série faz referência a uma música, se você não der atenção ao fato e não pesquisar sobre ela, a sua vida seguirá normalmente e pode até ser que depois você venha a ouvir aquela mesma música e se interessar por ela. Mas, se ao invés de, naquele momento, só focar todas as suas atenções na série e for buscar sobre a música você irá descobrir sobre uma das maiores bandas da história do rock ‘n roll mundial, e a partir da música você pode chegar a ler os livros de um dos principais escritores da literatura americana. Aí que está a importância de irmos buscar as referências, pois elas enriquecem nosso conhecimento, de tal forma que seria quase impossível descobrir tantas coisas boas sozinho, ainda mais que algumas delas já são muito antigas. Além de que, se sempre estivermos em busca das referências, sempre estaremos consumindo algo novo, ou seja, isso facilitará o seu trabalho naquela hora de buscar o que ler, ouvir ou assistir.

No caso de Supernatural, e suas mais de dez temporadas, referências não faltam. Desde um dos protagonistas falando coisas como “eu sou o batman” até um episódio onde pode-se ouvir repetidas vezes o refrão de Heat of the Moment da banda Asia. E nossa, buscar todas as referências de dez temporadas é um trabalho pra aqueles que possuem muito tempo livre, mas saiba que será satisfatório. A cena onde o personagem Dean, um dos protagonistas, finge tocar The Eye of the Tyger, pode ser vista apenas como uma referência para a música que é um clássico, mas pra aqueles que procurarem um pouco mais, será fácil descobrirem que a musica é quase um hino do personagem Rocky Balboa, da franquia de filmes Rocky. E, pronto, graças a alguns segundos vendo um personagem da série fingir tocar bateria, você tem a chance de ouvir uma ótima musica e ver uma saga com seis filmes do personagem que provavelmente é o lutador de boxe mais famoso do cinema.

Bem, eu acho que nesse texto eu mostrei motivos suficientes pra vocês sempre ficarem atentos as referências que vocês veem em qualquer obra da cultura pop, seja ela qual for. Então, agora vão lá… Leiam, assistam, ouçam, joguem e vivam experiências incríveis. Aproveite pra começar procurando pelas referências a obras citadas nesse texto e que por algum motivo você não conhece, acredite tudo aqui citado é da mais alta qualidade. Vão, busquem suas referências e consumam cultura sem moderação. E, isso é tudo, pessoal.