A ilha

ABRIL de 2003

A Terra era uma ilha remota, e os homens a deixavam como pássaros migrando. A migração aumentava, e uma maior que a outra. Deixavam para trás homens fracos, com pouca escolaridade, doentes mentais e físicos, que não tinham dinheiro para comprar seu lugar, pessoas que não fariam falta. Eles não iriam para Marte, porque não tinham sido criados para saírem da Terra. Não atingiriam Marte de forma alguma. Enquanto isso a bomba mais poderosa da história, capaz de destruir o planeta inteiro, era apresentada ao presidente norte americano. Queriam acabar com a guerra e descobriram como. Logo embarcaram para morar em Marte. Deixaram Terra, mas encorajaram os outros a ficar.

Foram os últimos homens a sair.

Mas haviam os últimos homens que ficaram.

Todos pensavam que estes seriam os últimos americanos a sair e não os últimos homens. Existiam outros países, outros sotaques, outras ideias que não saíram da Terra. Mas só os americanos saiam. Enquanto a América Latina, Europa, Ásia, África e Oceania observavam a migração. O resto do mundo ficou enterrado na guerra ou pensando nela. Mal sabiam que logo chegaria ao fim.

Então os últimos homens eram latino americanos, asiáticos, europeus, africanos e oceânicos. E ficavam num mundo destruído, escondidos em suas casas. Encontravam muita desolação e aflição. O barulho nunca parava. E no meio de tudo isso um praiano que sempre olhava o céu a procura de marte decide olhar o horizonte. Nele enxerga um clarão que só aumentava.

E entre os últimos homens havia aqueles que, pelos olhos, pareciam estar a caminho de encontrar o Diabo…


Texto escrito para a disciplina Escrita Criativa II. O objetivo era “responder” um conto, a minha escolha. O conto escolhido foi retirado do livro “As Crônicas Marcianas” de Ray Bradbury (BRADBURY, Ray. As Crônicas Marcianas. 1ª ed. de bolso. São Paulo: Globo, 2007. p. 147–148.).

Fica também como homenagem a este grande escritor, um dos motivos para eu gostar tanto de literatura.

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