Ὡρολόγιον

II

Ζέφυρος

Vento que carrega a mente até os férteis 
dançares dos amores desta terra.
Fecunda os campos das vidas terrenas,
campos das canções, das felizes orgias.
Infecta esta massa sem forma com o polén sagrado:
semente que colore os prados com deleite.

Brisa dos desejos indeléveis,
transporta a Psiquê,que está em guerra
com Eros, tocador de flautas avenas.
Suas filhas, as brisas, oram todas pias,
e às tuas espoas confia tudo o que há no prado.
Aos cavalos pendura os Heróis como enfeite:

Aquiles Pelida, o dos pés vulneráveis, 
que com o bronze da lança não erra,
montou em teus filhos e arrasava sem pena
teus bens de família, o cruel rei de Ftia.
Teve porém a recompensa: morreu danado
a ser mais eterno, em sua fúria, do que a noite.

Tu és o pai da vida, das promessas irrevogáveis,
que jura que o o cinza do frio se encerra
com teu sopro gentil de calma amena.
Mas duras também como todas as primícias
dos amores, dos frutos e do rebanho consagrado
pelo primeiro grito de dor da novilha no açoite.

Vai embora a primavera dos odores amáveis.
Sobe de novo a ribanceira do mundo, a serra
deste palco que todas as verdades encena
e se esgota novamente, nas vias
que nos trarão o inverno indesejado.
Parente distante de Afrodite,

sei que tem por irmã também a Nêmese,
rainha entre os olímpios e também a síntese
da tua chegada e partida, ó pai de todo gênese.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Antonio Afonso’s story.