מזמור

Lá vai, de novo, o homem:
Homem que canta a estrela
enquanto ela, distante,
brilha no espelho do instante
a sussurrar o segredo do seu céu.

Quem conhece esse caniço que sofre?
Essa palha que queima fátua,
bípede implume da ruína,
senhor de moscas e dos grilos,
rei de gesso e rei de nada?

Vemos através dum espelho, 
pois que somos nada mais que pó…
Que mais haveremos de ser,
se da vida não havermos de ser o Pó?
Se da morte não resultar só pó?

E, sendo esta poeira eterna,
navegaremos infinitos espaços ainda
até repousarmos na fronte terna
da lombada de um livro dourado,
em que talvez possamos ler, gravado,

ao menos o nome deste enigma.

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