Aos cordeiros.

Membros do oculto
sobrar dos pastos
manejam um culto

(tão sós e tão castos)
ante a derrama
do sol e dos astros

sobre o verde e a lama.
Caminham como na saga
de quem na vida não ama

nada mais do que a chaga
que a luz da manhã
entrecorta na vaga

hora que antecede, Sã,
a tarde que o Senhor dá
ao reino animal, de couro e de lã.

Um reino quase para lá
desse mundo feito de poeira
que o vento carrega, má,

causando nos homens esta cegueira
que não há nos cordeiros.
Sacrifícios silentes, andam na beira

deste Mundo de anseios
e tão pouca e parca vida.
Mas do mundo não são alheios

e carregam-no, pascendo, a cada ida.


(09 de junho de 2017)

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